O mercado financeiro aproximou Felipe Sabino e Lisandra Pereira muito antes de eles perceberem o que estava sendo construído. Mesas de câmbio, reuniões com empresários e operações de alto volume foram o cenário de um romance que nasceu no ambiente corporativo e se transformou, também, em uma sociedade.
Juntos, os dois empresários fundaram a Aurex, uma fintech de câmbio sediada em São Paulo, com meta de movimentar US$ 1 bilhão em transações.
De Minas Gerais e do interior paulista para o mercado financeiro
Lisandra veio de São João del Rei, em Minas Gerais, e começou a trabalhar cedo. Ainda adolescente, vendia produtos de porta em porta. Com o tempo, passou por uma fábrica de móveis, uma concessionária de motos e o mercado de crédito até chegar ao setor financeiro.
Sabino, por sua vez, cresceu em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Filho de médico, chegou a considerar seguir a mesma carreira do pai, mas mudou de rota após se encantar pelo universo das finanças.
Para Sabino, sua inspiração foi um filme sobre Wall Street. De acordo com o empresário, a forma como o filme retratou as negociações, o dia a dia do mercado financeiro e as telas acesas com os pregões despertou uma paixão dentro dele. Essa trajetória o levou ao Itaú BBA e depois à XP, onde ajudou a construir a operação de câmbio da companhia.
Os dois se encontraram na Monte Bravo. Lisandra tinha perfil comercial e foco na resolução de problemas dos clientes. Sabino trazia a bagagem técnica de câmbio. A combinação funcionou dentro do ambiente de trabalho e, com o tempo, também fora dele.
A empresa que nasceu da parceria
A operação de câmbio em que trabalharam juntos cresceu mais de 20 vezes durante o período em que a dupla esteve na Monte Bravo. A proximidade profissional foi abrindo espaço para algo mais. Prestes a se casar em 19 de junho, os dois já dividem também a gestão da Aurex, fundada em 2025 ao lado de Henrique Saavedra, especialista em tecnologia e operações.
Em menos de um ano de existência, a empresa atingiu o ponto de equilíbrio financeiro, movimentou R$ 100 milhões em 2025 e chegou a R$ 130 milhões em volume transacionado até maio de 2026. O faturamento no primeiro ano foi de R$ 3 milhões. Para 2026, a projeção é movimentar US$ 250 milhões. A meta para 2027 e 2028 é chegar a US$ 1 bilhão em transações.
A Aurex já atende 30 clientes ativos e opera no Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos.
O problema que a Aurex quer resolver
O câmbio corporativo ainda funciona, em grande parte, com processos antigos. Quando uma empresa brasileira precisa pagar um fornecedor no exterior, o caminho convencional envolve negociação com uma instituição financeira, envio de documentos, análise de compliance e espera pela liquidação internacional. Boa parte disso passa pelo SWIFT, a rede global de comunicação entre bancos.
A proposta da Aurex é encurtar esse caminho com tecnologia, inteligência artificial e ativos digitais. Na prática, uma empresa que precisa pagar uma fatura em euro, por exemplo, envia reais para a plataforma. A Aurex usa as chamadas “stablecoins”, ativos digitais atrelados a moedas tradicionais como o dólar, como uma ponte para agilizar a transferência.
Com isso, o beneficiário final recebe na moeda de destino, sem precisar lidar com o ativo digital. A stablecoin atua nos bastidores, como uma camada de infraestrutura para acelerar a liquidação.




