O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, assinou um decreto que prevê eleições presidenciais para o início de 2027. A informação foi divulgada pela agência oficial palestina Wafa e marca a primeira convocação de um pleito direto para o cargo desde 2005, ano em que Abbas assumiu o poder.
Hoje, com 90 anos, o líder palestino governa o território sem disputar uma nova eleição há mais de duas décadas. A Wafa não detalhou se ele pretende ser candidato novamente.
Novo decreto muda regras eleitorais
Além de marcar a data, o decreto altera a estrutura do processo eleitoral palestino. O número de deputados do Conselho Legislativo sobe de 132 para 200, e o mínimo de votos necessário para obter representação cai para 1%. As listas partidárias também passam a exigir pelo menos 20 candidatos, contra 16 anteriormente.
Outra mudança relevante envolve a participação de mulheres e jovens. As listas precisam incluir, no mínimo, um terço de candidatas mulheres, e a idade mínima para concorrer a uma vaga cai de 28 para 23 anos.
Quase duas décadas sem eleições
A Palestina não realiza eleições legislativas desde 2006, quando o Hamas venceu o Fatah, partido de Abbas, e assumiu o controle de Gaza no ano seguinte. Desde então, o Conselho Legislativo Palestino segue praticamente paralisado.
Vale lembrar que o calendário eleitoral não se limita a 2027. O decreto também prevê uma eleição para o Conselho Nacional Palestino, ligado à Organização para a Libertação da Palestina, marcada para novembro de 2026, um ano antes da disputa presidencial.
Desafios para a realização do pleito
Apesar de ser uma decisão histórica, especialistas alertam que organizar uma eleição na Palestina envolve obstáculos que vão além do calendário. A votação em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde 1967, e na Faixa de Gaza segue sem garantias operacionais, o que já adiou tentativas anteriores, como a convocada por Abbas em 2021.
O pesquisador jurídico palestino Mahmoud Al-Afranji avalia que existe vontade política e pressão internacional para que o pleito aconteça. Segundo ele, a falta de garantias para a votação em Jerusalém Oriental e em Gaza continua sendo um obstáculo para a realização das eleições legislativas.
A pressão de países como Estados Unidos e membros da União Europeia (UE) por avanços democráticos na região também ajuda a explicar o momento do anúncio, feito em meio a discussões mais amplas sobre o futuro político palestino.




