Todo brasileiro já se deparou com aquela cena de ligar a luz e achar uma lagartixa imóvel em um mesmo lugar. E essa mesma lagartixa aparece de novo e de novo ao longo dos dias. Acontece que, segundo a ciência, isso não é coincidência, e muito menos sinal de falta de limpeza.
De acordo com biólogos, a escolha do animal se trata de uma estratégia de sobrevivência. A lagartixa geralmente escolhe seus “lugares favoritos” com base em três pilares: alimento garantido, calor acumulado e segurança.
Devido a isso, repteis como a lagartixa-doméstica-tropical, mais conhecida como lagartixa de parede, espécie mais comum nos lares brasileiros, consideram as residências humanas como “hábitats ideais”. “Elas não aparecem por acaso. Onde há lagartixas frequentes, há insetos em quantidade suficiente para sustentá-las”, explicam biólogos.
A presença constante funciona como um bioindicador: se o réptil escolheu aquele ponto específico, é porque ali existe uma oferta estável de presas, geralmente atraídas pela iluminação artificial noturna. Além disso, significa que o local também oferece proteção contra predatores e calor, o que é importante, pois as lagartixas necessitam de calor externo para regular a temperatura corporal.
Economia de energia
O motivo principal para a fidelidade a um determinado canto é a eficiência energética. Lâmpadas de varandas, garagens e áreas de serviço atuam como ímãs para mosquitos, mariposas e baratas. Ao se posicionar nessas zonas de luz, a lagartixa garante um “restaurante” aberto com gasto mínimo de energia para caçar.
Além da comida, a temperatura desempenha papel crucial. Sendo animais de sangue frio, elas dependem do calor externo para regular o corpo. Cantos de paredes que retêm calor durante o dia, especialmente perto de telhados e forros, oferecem o conforto térmico necessário para sua atividade noturna.
A permanência no mesmo local também é consolidada pela existência de frestas e vãos que servem de abrigo imediato contra predadores. Rachaduras, espaços atrás de móveis e forros oferecem a proteção que a natureza nem sempre garante nas cidades.
Aliadas dos humanos
Longe de serem invasoras indesejadas, essas “hóspedes” prestam um serviço gratuito de controle de pragas. Uma única lagartixa pode consumir dezenas de insetos por noite, incluindo vetores de doenças como o mosquito Aedes aegypti.
Para os moradores, a recomendação dos especialistas é simplesmente não matar os animais. A melhor estratégia é a convivência pacífica ou, caso sua presença seja incômoda, investigar a origem dos insetos que as atraem. Especialistas também afirmam que a vedação de frestas e redução de luzes externas desnecessárias são medidas eficazes para equilibrar o ecossistema doméstico sem agredir esses aliados naturais.




