Muitas pessoas estão familiarizadas com as capivaras, aqueles pacíficos e silenciosos roedores gigantes que amam ficar próximos de lagos e outras regiões molhadas. Mas muitos questionam o porquê desses animais selvagens aparecerem tanto em áreas urbanas. A resposta disso, segundo especialistas, é que ela não é bem uma “invasora”.
Acontece que não foram as capivaras que invadiram as cidades, mas sim as cidades que invadiram o habitat delas. Segundo biólogos, o aparecimento frequente desses animais perto de bairros residenciais é consequência da expansão imobiliária desordenada sobre matas, brejos e margens de rios, que eram seus territórios originais.
Animais que ficaram sem opções
Com o desmatamento para a construção de loteamentos, condomínios e avenidas, as capivaras perderam seus locais de alimentação e abrigo. Sem alternativas, elas são forçadas a migrar para os únicos bolsões de vegetação e corpos d’água que restaram: parques urbanos, lagos ornamentais de condomínios e até canais de drenagem.
Esses espaços, embora cercados de asfalto, oferecem as condições mínimas de sobrevivência, que são água e grama, já que a expansão urbana destruiu o entorno.
Apesar de tudo, há um lado positivo
Apesar do deslocamento forçado, especialistas destacam que há um benefício que a “vida urbana” oferece melhor do que a mata: as cidades funcionam como um refúgio artificial extremamente favorável à proliferação da espécie.
No ambiente urbano, as capivaras estão livres de seus principais predadores naturais, como onças-pintadas e sucuris, que não sobrevivem ou evitam áreas densamente povoadas.
Essa ausência de predação, somada à oferta constante de alimento (gramados de parques e jardins), resulta em maior facilidade para os filhotes sobreviverem e proliferação da espécie sem preocupação com predadores. Além disso, as capivaras já convivem com humanos a tanto tempo que a maior parte delas já perdeu o medo de nós.
Riscos da convivência
Apesar da aparência pacata, essa proximidade gera riscos. A superpopulação em áreas fragmentadas aumenta a circulação do carrapato-estrela, vetor da Febre Maculosa, e eleva a ocorrência de atropelamentos e conflitos com cães domésticos.
Especialistas reforçam que a solução não é a retirada dos animais, mas o ordenamento urbano que preserve corredores ecológicos e o manejo adequado dessas populações que apenas buscam sobreviver ao avanço do concreto.



