Mangaratiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro com pouco mais de 43 mil habitantes segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abriga um dos refúgios mais discretos da televisão brasileira. É lá que Regina Casé mantém sua casa, da qual ela diz ter muitas memórias e histórias pessoais.
A propriedade nasceu de uma parceria pessoal entre a atriz e o arquiteto Sérgio Rodrigues, um dos nomes mais influentes do design brasileiro, falecido em 2014. Rodrigues assinou o projeto usando o Sistema SR2, método criado por ele para erguer casas com módulos de madeira pré-fabricados, o que explica o aspecto rústico e a forte presença natural do imóvel.
O encontro que definiu o projeto
Regina contou que comprou o terreno muito antes de dar início à obra. A demora só terminou quando conheceu o arquiteto, e segundo ela, a identificação entre os dois foi forte. Em vez de simplesmente encomendar um projeto pronto, a atriz decidiu construir a casa ao lado de Rodrigues, acompanhando cada etapa do processo.
O resultado segue a lógica que guiava o trabalho do designer, que defendia que a arquitetura nasce de dentro para fora, e que a fachada é apenas consequência do que se planeja para o interior de cada ambiente.
Um “museu” de memórias pessoais
A decoração reúne peças que Regina foi acumulando ao longo de décadas de carreira, incluindo presentes recebidos de fãs. A atriz descreve o próprio estilo como pós-eclético, sem critério fixo, misturando objetos de valor estético bem diferente por razões afetivas.
Segundo ela, a escolha é deliberada. Prefere manter tudo o que recebeu com carinho, mesmo quando o item foge do padrão estético convencional, tratando a casa como um retrato de sua própria trajetória. Ou seja, a prioridade de Casé não é a harmonia estética, priorizada por muitos brasileiros, e sim as memórias.




