{"id":49552,"date":"2026-06-25T16:14:58","date_gmt":"2026-06-25T19:14:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/?p=49552"},"modified":"2026-06-21T19:36:03","modified_gmt":"2026-06-21T22:36:03","slug":"a-especie-que-sobrevive-ao-calor-intenso-e-exige-pouca-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/a-especie-que-sobrevive-ao-calor-intenso-e-exige-pouca-agua\/","title":{"rendered":"A esp\u00e9cie que sobrevive ao calor intenso e exige pouca \u00e1gua"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadoras brasileiras identificaram uma nova esp\u00e9cie de microrganismo capaz de sobreviver a condi\u00e7\u00f5es que destruiriam qualquer c\u00e9lula comum. A descoberta aconteceu em um dos ambientes mais hostis do planeta e pode ajudar a entender como a vida existe em lugares onde ningu\u00e9m esperaria encontr\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado em mar\u00e7o deste ano no peri\u00f3dico<em> ISME Communication<\/em>s e \u00e9 resultado do trabalho do<strong> Laborat\u00f3rio de Extrem\u00f3filos Marinhos<\/strong> (ExtreMar) do<strong> Instituto Oceanogr\u00e1fico<\/strong> da Universidade de S\u00e3o Paulo. A pesquisa teve financiamento da <strong>Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo<\/strong> (<strong>FAPESP<\/strong>) e do <strong>Instituto Serrapilheira<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um vulc\u00e3o no meio do gelo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova esp\u00e9cie foi encontrada na Ilha Deception, um vulc\u00e3o ativo na <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong> cuja caldeira est\u00e1 inundada pelas \u00e1guas geladas do<strong> oceano ant\u00e1rtico<\/strong>. O ambiente combina \u00e1gua pr\u00f3xima ao ponto de congelamento com regi\u00f5es extremamente quentes, al\u00e9m de compostos qu\u00edmicos liberados pela atividade vulc\u00e2nica. Essa combina\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de desestabilizar mol\u00e9culas essenciais de qualquer c\u00e9lula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova esp\u00e9cie, no entanto, tem um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o. Seu genoma indica genes associados a prote\u00ednas que protegem o DNA e outras mol\u00e9culas do estresse t\u00e9rmico intenso. A bi\u00f3loga <strong>Ana Carolina Butarelli<\/strong>, primeira autora do artigo, descreve o conjunto de adapta\u00e7\u00f5es como uma esp\u00e9cie de \u201ckit de sobreviv\u00eancia molecular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As amostras em que a esp\u00e9cie foi identificada foram coletadas h\u00e1 mais de dez anos pela professora <strong>Amanda Bendia<\/strong>, durante expedi\u00e7\u00f5es do <strong>Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro<\/strong>. Em sua pesquisa de doutorado, Amanda sequenciou genomas das comunidades de microrganismos presentes nessas amostras. Butarelli revisitou esses dados e percebeu que havia ali uma linhagem completamente desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma nova arqueia no mapa da vida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O microrganismo pertence ao grupo das<strong> arqueias<\/strong>, um dos tr\u00eas grandes dom\u00ednios da vida, ao lado das <strong>bact\u00e9rias<\/strong> e dos <strong>eucariontes<\/strong>. As arqueias existem h\u00e1 mais de 3,5 bilh\u00f5es de anos e est\u00e3o entre os primeiros seres vivos do planeta. Ao contr\u00e1rio das bact\u00e9rias, elas s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de cultivar em laborat\u00f3rio, o que tornava praticamente invis\u00edvel grande parte da sua diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, em vez de isolar e cultivar o microrganismo, as pesquisadoras reconstru\u00edram o genoma da nova esp\u00e9cie a partir de fragmentos do material gen\u00e9tico presente nas amostras. Butarelli compara o processo a triturar milhares de livros e, depois, usar computadores para reorganizar os fragmentos e descobrir de quais livros eles vieram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ainda n\u00e3o foi isolada e cultivada em laborat\u00f3rio, a esp\u00e9cie recebe o prefixo &#8220;candidata&#8221; e foi batizada de <strong><em>Pyroantarticum pellizari<\/em><\/strong>, em homenagem \u00e0 bi\u00f3loga <strong>Vivian Pellizari<\/strong>, professora do IO-USP e uma das principais refer\u00eancias em pesquisas com extrem\u00f3filos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A conex\u00e3o com a busca por vida fora da Terra<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta interessa tamb\u00e9m \u00e0 <strong>astrobiologia<\/strong>, \u00e1rea da biologia que estuda a possibilidade de vida fora do <strong>planeta Terra<\/strong>. Algumas luas do sistema solar, como<strong> Europa<\/strong>, de <strong>J\u00fapiter<\/strong>, e <strong>Enc\u00e9lado<\/strong>, de <strong>Saturno<\/strong>, possuem oceanos de \u00e1gua l\u00edquida sob uma espessa camada de gelo. Esses oceanos t\u00eam contato com um interior rochoso aquecido, de forma parecida com o que acontece nas fumarolas submarinas da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Pyroantarticum pellizari<\/em> consegue viver sem luz e obter energia sem oxig\u00eanio, exatamente as condi\u00e7\u00f5es que caracterizam esses ambientes extraterrestres. A bi\u00f3loga <strong>Francielli Peres<\/strong>, coautora do estudo, foi a respons\u00e1vel por explorar essa liga\u00e7\u00e3o entre os resultados e a astrobiologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadoras brasileiras identificaram uma nova esp\u00e9cie de microrganismo capaz de sobreviver a condi\u00e7\u00f5es que destruiriam qualquer c\u00e9lula comum. 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