{"id":49567,"date":"2026-06-25T13:14:29","date_gmt":"2026-06-25T16:14:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/?p=49567"},"modified":"2026-06-21T19:49:37","modified_gmt":"2026-06-21T22:49:37","slug":"pais-fantasma-ja-foi-o-mais-visitado-do-mundo-e-hoje-nao-recebe-mais-nenhum-turista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/pais-fantasma-ja-foi-o-mais-visitado-do-mundo-e-hoje-nao-recebe-mais-nenhum-turista\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds fantasma j\u00e1 foi o mais visitado do mundo e hoje n\u00e3o recebe mais nenhum turista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma na\u00e7\u00e3o no meio do <strong>Pac\u00edfico<\/strong>, no continente de <strong>Oceania<\/strong>, que a maioria das pessoas nunca vai visitar. <strong>Nauru<\/strong>, a menor rep\u00fablica do planeta, carrega uma das hist\u00f3rias mais curiosas do s\u00e9culo passado: em poucas d\u00e9cadas, saiu do topo da <strong>riqueza mundial<\/strong> para uma crise que ainda n\u00e3o tem fim \u00e0 vista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De p\u00e1ssaros a petr\u00f3leo do Pac\u00edfico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fortuna de Nauru veio de um lugar inusitado. Por milhares de anos, aves marinhas usaram a ilha como ponto de pouso e nidifica\u00e7\u00e3o. Os dejetos acumulados sobre o coral formaram camadas espessas de<strong> fosfato<\/strong>, um mineral essencial para a fabrica\u00e7\u00e3o de <strong>fertilizantes agr\u00edcolas<\/strong>. Com os lucros do fosfato passando para as m\u00e3os dos pr\u00f3prios nauruanos, o pa\u00eds chegou a ter o segundo maior <strong>Produto Interno Bruto<\/strong> (<strong>PIB<\/strong>) per capita do mundo, atr\u00e1s s\u00f3 da<strong> Ar\u00e1bia Saudita<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o \u201cboom\u201d financeiro n\u00e3o durou para sempre e a na\u00e7\u00e3o sofreu consequ\u00eancias severas que foram al\u00e9m do financeiro. Hoje, o pa\u00eds enfrenta problemas ambientais e sanit\u00e1rios por causa direta e indireta disso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o dinheiro acabou antes do necess\u00e1rio&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minera\u00e7\u00e3o intensa destruiu boa parte do territ\u00f3rio de forma irrevers\u00edvel. Sem solo agricult\u00e1vel, a popula\u00e7\u00e3o passou a depender quase que exclusivamente de <strong>alimentos importados<\/strong>, em geral baratos e ultraprocessados, vindos da <strong>Austr\u00e1lia<\/strong> e da <strong>Nova Zel\u00e2ndia.<\/strong> Com a nova riqueza, a rotina dos nauruanos mudou radicalmente: estilos de vida sedent\u00e1rios e consumo excessivo de industrializados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 classificada como <strong>obesa<\/strong>, o maior \u00edndice do mundo segundo a <strong>Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Obesidade<\/strong>. A <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/strong> (<strong>OMS<\/strong>) aponta o pa\u00eds tamb\u00e9m como o de maior consumo de cigarros per capita do planeta. Se nos anos 1980 Nauru era um dos pa\u00edses mais ricos, em 2017 j\u00e1 aparecia entre os cinco mais pobres do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que quase ningu\u00e9m chega at\u00e9 l\u00e1?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegar a Nauru j\u00e1 \u00e9 um obst\u00e1culo por si s\u00f3. A viagem pode levar at\u00e9 48 horas, com v\u00e1rias escalas, e quem desembarca precisa se programar com anteced\u00eancia porque o pr\u00f3ximo voo de sa\u00edda pode demorar quase uma semana. Os voos dispon\u00edveis costumam voar com a maioria dos assentos vazios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da log\u00edstica, o governo cria barreiras que alguns turistas chegam a chamar de \u201cdescaradas\u201d. Jornalistas pagam uma taxa de visto de 8.000 d\u00f3lares australianos, enquanto turistas comuns pagam 50. Drones s\u00e3o confiscados na chegada. O resultado \u00e9 que o pa\u00eds recebe cerca de 200 visitantes por ano, sendo que uma \u00fanica operadora especializada j\u00e1 respondia por quase 30% desse total.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que Nauru tenta agora?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem fosfato suficiente para sustentar a economia, o governo busca alternativas. O pa\u00eds passou a sediar campos de deten\u00e7\u00e3o de refugiados, uma pol\u00edtica controversa que virou uma das principais fontes de receita. H\u00e1 tamb\u00e9m estudos para minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas, o que levanta a pergunta \u00f3bvia: ser\u00e1 que a hist\u00f3ria vai se repetir em outro ambiente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a clim\u00e1tica adiciona mais press\u00e3o. A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos amea\u00e7a diretamente as costas da ilha, onde vive a maior parte dos cerca de 11 mil habitantes. Um pa\u00eds que consumiu sua base natural para enriquecer agora enfrenta a possibilidade de perder o pr\u00f3prio territ\u00f3rio para o mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma na\u00e7\u00e3o no meio do Pac\u00edfico, no continente de Oceania, que a maioria das pessoas nunca vai visitar. 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