{"id":50043,"date":"2026-06-28T13:46:00","date_gmt":"2026-06-28T16:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/?p=50043"},"modified":"2026-06-24T16:51:22","modified_gmt":"2026-06-24T19:51:22","slug":"durante-muito-tempo-retiraram-pedras-dos-rios-agora-entendem-por-que-elas-eram-importantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abcmais.com\/trends\/durante-muito-tempo-retiraram-pedras-dos-rios-agora-entendem-por-que-elas-eram-importantes\/","title":{"rendered":"Durante muito tempo retiraram pedras dos rios; agora entendem por que elas eram importantes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parecia uma pr\u00e1tica inofensiva. <strong>Pedras retiradas dos rios<\/strong> serviam para <strong>constru\u00e7\u00e3o civil<\/strong>, <strong>pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas<\/strong> e <strong>obras em geral<\/strong>. Durante d\u00e9cadas, a <strong>extra\u00e7\u00e3o do<\/strong> <strong>leito fluvial <\/strong>foi tratada como um recurso abundante e sem <strong>custo ambiental relevante<\/strong>. Hoje, o entendimento mudou, pois passamos a sofrer as <strong>consequ\u00eancias ambientais<\/strong> desta pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a <strong>ci\u00eancia<\/strong> foi descobrindo \u00e9 que as rochas e pedras no leito de um rio n\u00e3o est\u00e3o ali por acaso. Elas fazem parte de um sistema que controla <strong>velocidade<\/strong>, <strong>oxigena\u00e7\u00e3o<\/strong>,<strong> estabilidade<\/strong> e<strong> biodiversidade<\/strong>. Para a sociedade em geral, tirar pedras do rio pode ser o mesmo que tirar pedras de um campo, mas para especialistas, \u00e9 como remover pe\u00e7as de uma m\u00e1quina funcionando perfeitamente bem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias disso?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas destacam que n\u00e3o se trata de apenas um problema: a pr\u00e1tica causa um conjunto de males que, acumulados, podem resultar em um impacto s\u00e9rio para regi\u00f5es que dependem dos rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Queda no freio natural<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em condi\u00e7\u00f5es naturais, as pedras e rochas criam atrito com a corrente, reduzindo a velocidade da \u00e1gua. Isso distribui melhor a for\u00e7a do rio ao longo do leito e diminui o impacto sobre as margens. Sem esse atrito, a \u00e1gua acelera, e correntezas mais r\u00e1pidas t\u00eam poder de <strong>eros\u00e3o<\/strong> muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado direto \u00e9 a<strong> instabilidade das margens<\/strong>. Pontes, estradas e constru\u00e7\u00f5es ribeirinhas ficam expostas a um desgaste que, antes, as pedras ajudavam a conter. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, o pr\u00f3prio leito do rio muda de forma, porque sem as estruturas rochosas que seguravam o curso, a \u00e1gua come\u00e7a a abrir novos caminhos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Perdas de habitats<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar tamb\u00e9m que, al\u00e9m da <strong>fun\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica<\/strong>, as pedras s\u00e3o moradia. Invertebrados aqu\u00e1ticos, larvas de insetos, crust\u00e1ceos e diversas esp\u00e9cies de peixes dependem das superf\u00edcies rochosas e dos espa\u00e7os entre as pedras para se alimentar, se reproduzir e se proteger de predadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esp\u00e9cies como os cascudos, por exemplo, desenvolveram a capacidade de se fixar nas rochas justamente para viver em corredeiras. Quando o substrato rochoso desaparece, essas esp\u00e9cies n\u00e3o t\u00eam para onde ir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores que estudam o <strong>rio Xingu<\/strong> alertam que trechos modificados, onde os sedimentos se acumularam e cobriram o leito rochoso, passaram de ambientes ricos em biodiversidade para regi\u00f5es praticamente sem vida aqu\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Menor oxigena\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto que a ci\u00eancia refor\u00e7a \u00e9 o papel das rochas na<strong> qualidade da \u00e1gua<\/strong>. Quando a corrente bate contra pedras e quebra em pequenos fluxos, ela incorpora oxig\u00eanio. Esse processo, chamado de <strong>oxigena\u00e7\u00e3o por turbul\u00eancia<\/strong>, \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia de peixes e organismos aqu\u00e1ticos que dependem de \u00e1gua bem oxigenada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rios onde as pedras foram retiradas em larga escala, a \u00e1gua tende a fluir de forma mais uniforme e menos turbulenta, o que reduz a oxigena\u00e7\u00e3o natural. Isso prejudica diretamente a <strong>fauna aqu\u00e1tica<\/strong> e, em casos mais graves, favorece o <strong>crescimento excessivo de algas<\/strong> e o processo de <strong>eutrofiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, que empobrece ainda mais o ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que pode ser feito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com especialistas, \u00e9 plenamente poss\u00edvel recuperar leitos fluviais degradados, no entanto, \u00e9 lento e custoso. T\u00e9cnicas de <strong>restauro fluvial <\/strong>incluem a reintrodu\u00e7\u00e3o de rochas e substratos rugosos, o que come\u00e7a a recuperar a diversidade de habitats ao longo do rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas de restauro mostram que a simples diversifica\u00e7\u00e3o do substrato j\u00e1 \u00e9 suficiente para melhorar a biodiversidade, a qualidade da \u00e1gua e a estabilidade das margens em prazos relativamente curtos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parecia uma pr\u00e1tica inofensiva. Pedras retiradas dos rios serviam para constru\u00e7\u00e3o civil, pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas e obras em geral. Durante d\u00e9cadas, a extra\u00e7\u00e3o do leito fluvial foi tratada como um recurso abundante e sem custo ambiental relevante. Hoje, o entendimento mudou, pois passamos a sofrer as consequ\u00eancias ambientais desta pr\u00e1tica. 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