O futuro do agronegócio brasileiro passa pela combinação entre inovação, sustentabilidade, infraestrutura e aumento da competitividade. Essa foi a principal mensagem do Seminário Campo das Ideias, realizado na quinta-feira (9), no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.

Foto: Maurício Concatto/Especial
Promovido pelo Senar-RS, o encontro reuniu especialistas em economia, produção agropecuária, energia, meio ambiente e tecnologia para discutir os impactos das mudanças econômicas, climáticas e geopolíticas sobre o setor.
Na abertura do evento, o superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, destacou a importância de promover um espaço de reflexão sobre o papel estratégico do agronegócio para o desenvolvimento do país.
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“Será um dia importante para compreender onde estamos, a importância do setor, sua responsabilidade e como seguir inovando”, afirmou.
Também participaram da abertura o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, e o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes. Ao dar as boas-vindas aos participantes, Lopes ressaltou o simbolismo da realização do encontro em um teatro.
“Escolhemos esse espaço para mostrar à sociedade urbana o que fazemos com excelência todos os dias no campo”, disse.
Novo cenário econômico pode favorecer o Brasil
A primeira palestra do dia foi conduzida pelo economista e membro da Academia Brasileira de Letras Eduardo Giannetti, que analisou as perspectivas econômicas para o Brasil diante das transformações no cenário internacional.
Segundo ele, o mundo vive o fim da chamada hiperglobalização, processo iniciado na década de 1980, marcado pela intensa integração econômica e financeira entre os países. Para Giannetti, fatores como a crise financeira de 2008, a pandemia de Covid-19, os conflitos geopolíticos e mudanças na política externa dos Estados Unidos vêm alterando esse modelo.
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Na avaliação do economista, esse novo contexto abre oportunidades para o Brasil ampliar sua participação no comércio internacional, desde que o país avance em áreas consideradas estratégicas, como qualificação da mão de obra, infraestrutura logística — especialmente portos, ferrovias e hidrovias — e equilíbrio fiscal.
Mudanças climáticas exigem adaptação da produção
As consequências das mudanças climáticas para a produção de alimentos também ganharam destaque durante o seminário. O tema foi debatido pelo representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Jorge Meza, e pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, com mediação da secretária estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann.
Meza destacou que adaptação e mitigação das mudanças climáticas devem caminhar juntas no setor agropecuário.
Segundo ele, práticas como a integração entre lavoura, pecuária e floresta permitem ao produtor diversificar a renda, aumentar a resiliência da propriedade e, ao mesmo tempo, contribuir para o sequestro de carbono, reduzindo os impactos ambientais da atividade.
Biocombustíveis ganham espaço na transição energética
No período da tarde, o debate voltou-se para o papel dos biocombustíveis no futuro da matriz energética brasileira.
O ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Odonne da Costa, afirmou que o mundo não viverá uma substituição completa das fontes fósseis, mas sim uma ampliação da diversidade energética.
Segundo ele, diferentes fontes deverão coexistir para atender à crescente demanda mundial por energia.
Representando a empresa gaúcha de energia renovável Be8, o vice-presidente de Operações, Leandro Luiz Zat, destacou o potencial do Rio Grande do Sul para ampliar a produção de matérias-primas destinadas ao biodiesel.
Ele anunciou que a empresa trabalha com a expectativa de utilizar arroz produzido no sul do Estado na fabricação de biocombustíveis, aproveitando a flexibilidade da planta industrial instalada no norte gaúcho para processar diferentes culturas.
O executivo também defendeu que não exista uma divisão entre produção de alimentos e produção de bioenergia, ressaltando que ambas podem coexistir de forma sustentável.
Tecnologia será decisiva para ampliar a competitividade
O encerramento do seminário reuniu representantes da indústria de laticínios e da cadeia de inovação agrícola.
O diretor da Lactalis do Brasil, Rafael Junqueira, destacou que, apesar de estar entre os maiores produtores mundiais de leite, o Brasil ainda depende da importação de produtos lácteos de países vizinhos para atender ao consumo interno.
Segundo ele, o desafio é aumentar produtividade, eficiência e uso de tecnologia para que o país se torne também um exportador relevante de derivados lácteos.
Já a presidente da CropLife Brasil, Ana Paula Repezza, apresentou as principais tendências que deverão moldar o agronegócio nos próximos anos. Entre elas estão o crescimento da população mundial, a necessidade de produzir alimentos de forma mais sustentável, a adoção de tecnologias como inteligência artificial e drones, o desenvolvimento de soluções voltadas à resiliência climática e os impactos das disputas geopolíticas sobre o comércio internacional.
Ao longo do encontro, especialistas convergiram na avaliação de que o agronegócio brasileiro reúne condições para ampliar sua presença no mercado global. Para isso, defenderam investimentos contínuos em inovação, infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade como fatores essenciais para garantir maior produtividade e competitividade nas próximas décadas.