O balanço do ano da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul), realizado em 16 de dezembro, expôs números para dimensionar o tamanho da crise vivida no setor primário gaúcho. O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, destacou que 2025 selou o quinta safra consecutiva de perdas. “Nós vamos ter uma perda de 6% na produção de grãos em comparação com a safra de 2024, que foi um ano muito ruim. O setor está em uma situação em que não conseguimos sair do fundo do poço.”
De acordo com o economista, o impacto financeiro sobre os produtores rurais deve ser prolongado. “O endividamento vai continuar. Mesmo que a gente colha uma boa safra, esse problema vai permanecer”, declarou, citando novamente o desequilíbrio fiscal, que gera inflação e por consequência, juros altos. “Nosso Estado está ficando para trás. E isso traz consequências para toda a população, não só para o produtor”, completou.
LEIA TAMBÉM: Mesmo com redução de apenas 10% na taxação, setor da carne bovina considera positivo
De acordo com a Farsul, no intervalo entre 2020 e 2025, apenas o ano de 2021 não houve estragos significativos na lavoura por conta do clima. Numa projeção elaborada pela Federação, estima-se que, por conta dos extremos climáticos vividos no Estado, 48,6 milhões de toneladas de grãos deixaram de ser colhidas. Esse comparativo foi elaborado com base no rendimento médio obtido em 2021 (ano sem perdas associadas ao clima), levando em conta as safras de arroz, soja, milho e trigo. Em valores, essa perda representa um impacto de R$ 373 bilhões que deixaram de ser gerado ao PIB no Estado, segundo a Farsul.