O CPM 22 volta a Novo Hamburgo neste sábado (7), em mais uma apresentação que promete reunir gerações que cresceram ouvindo clássicos como Dias Atrás, Não Sei Viver Sem Ter Você e Um Minuto Para o Fim do Mundo, mas também acompanha músicas recentes como Mágoas Passadas e O Ano em Que a Terra Parou, do mais recente álbum lançado em 2024.

Foto: Leonardo Muniz/Divulgação
A cidade, segundo o vocalista Badauí, é parada certa da banda há anos, e não por acaso: “Novo Hamburgo é uma cidade que a gente tem tocado regularmente, vai ser um show completo. O Rio Grande do Sul é um lugar que temos muito público, gostam do CPM desde sempre, e é um dos estados que mais fizemos shows”, contou ele em entrevista ao programa 90 Segundos, da Rádio ABC 103.3 FM.
A entrevista, conduzida pelos jornalistas Marina Mentz e Dário Gonçalves, revelou muito mais do que os preparativos para o show. Badauí falou sobre a trajetória da banda, que completa 30 anos em 2025, sobre o momento atual do CPM 22, a adaptação ao novo cenário musical, as amizades e parcerias com bandas da cena rock nacional. E até sobre futebol.
De “Enfrente” aos 30 anos
Embora a turnê oficial de 30 anos esteja prevista para o segundo semestre, o vocalista adiantou que o repertório já tem clima de celebração. “Teremos músicas de todos os discos, da carreira toda. Então posso dizer que é um apanhado da carreira, mas estamos, até agosto, na turnê do nosso último disco Enfrente”, disse ele. Lançado em 2024, o álbum ultrapassou a marca de 7 milhões de plays nas plataformas digitais.
Mesmo reconhecendo que os tempos mudaram, afinal a época em que gravadoras investiam em divulgações e clipes que rodavam em canais como MTV e Multishow, Badauí valoriza o momento atual: “Hoje temos liberdade total, agenda lotada, em média 8 a 10 shows por mês, um cachê bom, tocamos no Brasil inteiro. Eu acredito que estamos no melhor momento da banda”, define.

Foto: Willer Carvalho
Irmãos de estrada e novas gerações
O CPM 22 vive a plenitude de uma trajetória consolidada, mas segue atento às mudanças da indústria. Badauí citou a parceria com Tico Santa Cruz e a influência das redes sociais no sucesso de novas faixas, inclusive para bandas veteranas. “Hoje em dia se faz singles no próprio TikTok”, comentou. “O próprio Deftones, que é uma banda da Califórnia que eu adoro, viralizou e começou a vender um monte de merchandising. Então a gente tem que se adaptar a essa nova linguagem.”
Esse movimento mais aberto pós-pandemia, segundo ele, também aproximou bandas de diferentes estilos. “A gente está com uma união muito grande. Isso vale para o Black Pantera, Dead Fish, Fresno, NX, Glória, Detonautas e muitas outras bandas. Cada uma com seu público, mas com um público em comum também. Tenho sentido uma força muito grande”, resume
Sobre a Fresno, em especial, Badauí falou com carinho: “Já falei várias vezes para o Lucas (Silveira, vocalista da Fresno) que eles também estão no melhor momento deles. Ele me chama de ‘pai’. Ele é meu amigo, parceiro. A gente faz shows direto. São grandes amigos e irmãos.”
E quando a conversa chega no rock gaúcho, o nome de Duda Calvin, da Tequila Baby, surge naturalmente: “Quando a gente toca por aí, sempre está o Duda, ‘arroz de festa’. Tô brincando. O Duda é meu irmãozão, se ele estiver lá, nós vamos tocar juntos com certeza. É sempre bem-vindo”. E a tendência é de que esteja.
Legado, inspiração e “Face to Face”
Entre as realizações mais marcantes da carreira, Badauí destaca a colaboração com a banda Face to Face, uma das maiores referências do CPM 22. “Gravar com eles foi muito legal, dentro daquilo que falei sobre legado e metas de vida como banda. A letra foi escrita pelo Trever. Tenho o logo da banda tatuado, é uma inspiração na postura em cima do palco. Mais do que tudo, ter me tornado amigo deles foi algo surpreendente, muito satisfatório.”

Foto: Leonardo Muniz/Divulgação
Paixão pelo futebol
A entrevista também teve espaço para o futebol. Corinthiano roxo, Badauí revelou que adoraria assistir ao jogo entre Grêmio e Corinthians na Arena, no dia 12, mas não será possível. “Se fosse no domingo, até ficava, mas no meio de semana não tem como. Estamos trabalhando demais, pensando na turnê de 30 anos”, lamentou.
Sobre o momento dos clubes, Badauí também teceu críticas às atuações e gestões das equipes. “Tem tudo para ser um belo show de horrores, os dois times estão bem ruins. É inacreditável ver o Grêmio brigando para não cair, o Corinthians com guerra política dentro do clube.”
Já sobre a Seleção Brasileira, que joga na noite desta quinta-feira (5), o tom foi de ceticismo, mas com esperança. “Eu sou um crítico voraz da CBF, odeio essa instituição nefasta, corrupta. Mas tô curioso para o que o Ancelotti vai fazer daqui pra frente. Eu perdi um pouco a minha paixão pela Seleção, já amei muito. Espero que dê certo pelo povo brasileiro, que precisa de um pouco de alegria”, finaliza.
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