Durante o Natal , as tradicionais bancas da Praça do Imigrante, no Centro, retomam a grandeza digna de sua história. Elas fazem jus ao próprio significado do Natal, um espaço democrático que acolhe todos os públicos.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
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Da criança ao idoso, do jovem ao adulto, do abastado ao mais pobre, ela está lá, com café quente feito na hora, pastéis, xis, sanduíche e até ovo em conserva. Todos encontram um espaço de lazer e revitalização das energias, desde as primeiras horas da manhã até as madrugadas.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Mas nem sempre foi assim, durante um longo período, este espaço, que fica no coração e memória de muitos moradores e visitantes, sentia um certo abandono, conforme relatam proprietários das tradicionais bancas, erguidas em 1949 para servir como abrigo e suporte para aqueles que pegavam ônibus e partiam do Centro.
“Há muito tempo comentávamos que o Centro de Novo Hamburgo havia perdido seus atrativos. Mesmo depois de todas as reformas, o Centro ficou abandonado. Com isso, todo o comércio sentia esse impacto”, explica Claudio Petry, da banca 3.
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Renovação
Mas então surgiu o Natal. As luzes resgataram o ambiente para um espaço onde pais pudessem levar seus filhos, abrir uma roda de conversa com chimarrão, tomar um sorvete ou comer aquele pastel das bancas. Essa renovação foi uma surpresa para a comunidade, conforme relata a proprietária da banca 7, Narth Granke, de 60 anos.
“O Natal alavancou as vendas. O movimento nas bancas aumentou em 100%. Esperava que seria movimentado, mas não dessa forma. Foi uma maravilha, não sei nem como expressar minha felicidade.”
Narth conta que teve que estender o horário de trabalho e funcionamento para atender o público. Assim como ela, o proprietário da banca 1, Tiago Vargas, de 45 anos, relata que o consumo triplicou desde que as luzes de Natal foram acesas.
“O faturamento triplicou devido à nova demanda. Em alguns dias, até mais que triplicou. Isso é excelente. Precisamos chamar mais funcionários. Nós da banca 1 estamos trabalhando com sete pessoas.”
De novatos a frequentadores assíduos
Entre as histórias que percorrem as bancas, existe aqueles que procuram o espaço entre os intervalos de trabalho, pelo lazer ou para diversão. Vindo de São Paulo, o operador de empilhadeira de cargas pesadas Adinilson Carlo da Silva aproveitou a breve estadia em Novo Hamburgo para passar nas bancas com os amigos.
“Cheguei na cidade há poucos dias, em função do transporte de cargas pesadas em que trabalho. Estou gostando da cidade e, principalmente, das opções de lanches”, comenta Silva. Diferente do visitante, o mecânico Jeferson Leandro Schroer, de 50 anos, diz que é um visitante assíduo das bancas. Pela manhã, ele frequenta a banca para tomar um café, mas, ao final do dia, costuma fazer um lanche no espaço que conhece desde a adolescência, quando ia com o pai.
Morador do bairro Operário, faz uma pequena ressalva, para instalação de mais banheiros à comunidade. O injetor Valter Rach da Silva, 55, comemora a nova fase das bancas. Segundo ele, antes do Natal, o local abrigava muitos moradores de rua e usuários de drogas, que atrapalhavam quem queria lanchar nas bancas.
Silva também destaca a importância das últimas reformas feitas, que melhoraram a aparência do local. “Anos atrás, não dava muito prazer em frequentar as bancas. Mas as coisas vêm mudando.”
Áureos tempos
O renascer das bancas lembra a realidade do lugar no final da década de 60, conforme retratava o próprio Jornal NH na época. Confira:
“As bancas, coloridas e movimentadas, com jeito de cidade grande, reúnem os mais diversos tipos de pessoas. Engraxates, médicos, estudantes ou comerciários vão lá tomar sua batida, um cafezinho, comprar o jornal, conversar, simplesmente.
É comum que se façam negócios, enquanto os ônibus vêm e vão. – “Mas quanto êle quer pelo terreno?”, se ouve. Os jovens falam a respeito da próxima reuniãodançante. – “E o conjunto, qual é?” Pedaço alegre e pitoresco da cidade, com côres vivas de mercado, ostentando os verde e vermelho das frutas, as oito bancas congregam gente tão diferente.”

Foto: Arquivo/Jornal NH
Trecho da reportagem que saiu no Jornal NH em setembro de 1969. Foto do acervo do Jornal NH, colorizada com uso de inteligência artificial