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"DEUS ABENÇOE A AMÉRICA"

Conheça Bad Bunny, o astro que provocou reação de Trump após show no Super Bowl

Premiado no Grammy, cantor tem sido a voz dos imigrantes

Publicado em: 20/02/2026 às 22h:44 Última atualização: 22/02/2026 às 15h:12
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“Que maravilha ser latino!” foi a frase escolhida pelo cantor Bad Bunny para iniciar sua apresentação no Halftime Show do Super Bowl, no dia 8 fevereiro, feita pelo primeiro artista latino a realizar um show solo no evento. O momento marcou mais do que um espetáculo musical: tornou-se uma declaração política e identitária diante do cenário atual vivido por imigrantes nos Estados Unidos.

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Bad Bunny foi o protagonista do show do intervalo do Super Bowl | abc+



Bad Bunny foi o protagonista do show do intervalo do Super Bowl

Foto: Todd Rosenberg/NFL

Filho de um caminhoneiro e uma professora, Benito Antonio Martinez Ocasio nasceu em uma família humilde de Porto Rico, um Estado associado a Washington. Benito se apaixonou pela música participando de corais da igreja e testando sons freestyle com os colegas de classe. Durante a juventude, o artista começou a lançar canções autorais no SoundCloud, até ser descoberto por uma gravadora.

Com uma carreira que começou nos caixas de um supermercado, Bad Bunny começou a fazer sucesso nos EUA em 2016, trilhando uma trajetória de conquistas e presença como uma estrela da indústria musical. Com falas populares, simples e diretas, o cantor ganhou ainda mais notoriedade após o lançamento do álbum Debí tirar más fotos, em janeiro de 2025, trabalho que reúne homenagens à sua terra natal.

Ainda no ano passado, o porto-riquenho conquistou o marco de artista mais ouvido do mundo no Spotify, com quase 98 milhões de ouvintes mensais na plataforma. Não contente, Bad Bunny tornou-se o primeiro cantor a ganhar a categoria álbum do ano com um trabalho totalmente em espanhol na história do Grammy Awards, maior premiação da indústria musical.

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Na cerimônia, ele agradeceu a conquista com um discurso significativo. “Não somos selvagens. Não somos animais. Não somos extraterrestres. Somos humanos e somos americanos”, disse. O momento marcou um conjunto de falas do cantor, que o fizeram ascender como uma figura de resistência e representatividade da América Latina.

LEIA TAMBÉM: Bad Bunny será protagonista de drama histórico sobre Porto Rico

Movimentos anti-imigração

Com quase 52 milhões de estrangeiros, os Estados Unidos abrigam o maior número de imigrantes do mundo. Ainda assim, as movimentações do presidente Donald Trump retomam ideais anti-imigratórios, com o propósito de definir novas políticas sobre entrada de estrangeiros nos Estados Unidos — em especial cidadãos latinos, que constituem a maioria dos imigrantes do país.

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Liderados pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, do inglês Immigration and Customs Enforcement), o país passou da marca de 40 mil para 68 mil imigrantes detidos, ocasionando um aumento de 75% durante o governo Trump, segundo dados de fevereiro de 2026, divulgados pela Agência Brasil. Entre 2025 e 2026 já foram mortas quase 40 pessoas em ações do ICE.

Em um discurso feito no início do mandato, Trump se referiu aos imigrantes ilegais como “os piores criminosos, ‘aliens ilegais’ que ameaçam o povo americano”, consolidando ações de detenção e discursos de ódio contra a população estrangeira.

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Retomando o movimento “Make America Great Again” (Maga), traduzido como “Torne a América Grande Novamente”, o governo do republicano prioriza princípios conservadores, protecionismo econômico e a restauração de uma “era de ouro” vivida pelos Estados Unidos — que diminui o espaço de minorias e debates sociais.

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Relação com o Brasil

Em sua primeira passagem pelo Brasil, Bad Bunny foi convidado para acompanhar os desfiles das escolas de samba no Sambódromo da Marquês de Sapucaí durante o carnaval. O país também recebe os shows de sua turnê nesta sexta-feira (20) e no sábado (21), que ocorrem no Allianz Parque, em São Paulo.

“Não sei por que, desde muito jovem, desde criança, antes mesmo da música, sempre sonhei em ir a três lugares e um deles é o Brasil”, contou o cantor à Vogue Brasil. Fã de elementos brasileiros, Benito conta que acompanhava a Xuxa quando pequeno, além de já ter gravado um clipe com Ronaldinho Gaúcho.

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O polêmico Halftime Show

Diante deste cenário delicado, Bad Bunny alcançou um triunfo ao representar a vivência da cultura latina no Halftime Show do Super Bowl 2026, fazendo história com um show falado totalmente em espanhol.

Entre plantações de cana-de-açúcar, dominós, feirantes e manicures, a ambientação da apresentação remete aos cenários vivenciados pelo artista na ilha caribenha em que cresceu, reunindo características da experiência latina e artistas de diversos países da América do Sul e Central.

Nos últimos dois minutos do show, dançarinos aparecem carregando bandeiras de todos os países das Américas do Sul, do Norte e Central, enquanto Bad Bunny nomeia todas as nações. Com um telão estampando a frase “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”, o momento faz referência a defesa da unificação das Américas.

O show foi definido por Trump como “absolutamente terrível” e uma “afronta à grandeza da América”. Em publicação feita em sua própria rede, Truth Social, o presidente diz: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão assistindo de todos os Estados Unidos”.

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A apresentação foi mal recebida pelos conservadores, repercutindo a ponto do grupo Turning Point USA produzir o seu próprio Halftime Show de forma alternativa. A ação foi transmitida na Internet, homenageando o ativista político Charlie Kirk, assassinado em setembro.

Porém, para os milhares de imigrantes, as cenas foram marcantes e sensíveis, como relata a gaúcha Mariana Haas, que descreveu a apresentação como emocionante. “Eu chorei quando vi ele se apresentando, mostrando no palco as culturas, coisas que a gente vive e que os americanos não fazem ideia. Tantos pequenos detalhes da performance dele que tu olha e pensa ‘Nossa, isso me lembra de casa’”, diz.

A jovem de 19 anos é estudante e atleta de vôlei em Gainesville, na Flórida. O Estado é o terceiro em maior número de imigrantes do país, somando 5 milhões de pessoas estrangeiras. Mariana relata que em sua experiência não costuma sofrer preconceitos, cercando-se, inclusive, de amigas latinas na cidade onde vive.

Mesmo assim, a estudante alerta que falas como “vocês estão vindo para roubar os nossos empregos”, ainda são recorrentes. “Eles nunca vão entender o quão difícil é ter que deixar tua família, tua cultura, tudo que te faz ser você, para seguir um sonho em um país que te odeia por ser quem você é”, completa Mariana.

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