Menos de um mês após iniciar sua circulação nacional e internacional, o curta-metragem George, produzido e filmado integralmente em Novo Hamburgo, conquistou espaço em mais um festival fora do Brasil. A obra foi selecionada para o Eurasia Kinofest International Film Festival, realizado na Rússia entre os dias 13 e 19 de junho.

Foto: Divulgação
Contemplado pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024 de Novo Hamburgo, o filme é uma coprodução das empresas hamburguenses Praça de Filmes e Estúdio Magnólia. Durante o festival, o curta integrará a seleção oficial do evento e será exibido na abertura das sessões.
Antes da seleção para o evento russo, George foi exibido no 16º Festival de Cinema Dada Saheb Phalke-26, na Índia. Entre os 26 trabalhos selecionados para o Eurasia Kinofest, o curta é o único representante das Américas.
A produção é resultado da parceria entre os sócios Fernanda Kern e Maurício Borges de Medeiros. Segundo os realizadores, o projeto também representa a proposta de desenvolver produções audiovisuais com equipes formadas integralmente por profissionais do interior do Rio Grande do Sul.
O elenco é composto pelos hamburguenses Felipe Kannenberg, Mani Torres e Alex Gaúcho. Além dos atores, outras oito pessoas da cidade integram a equipe técnica responsável pela produção.

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Terceira parceria entre as produtoras
George é o terceiro projeto desenvolvido em conjunto pela Praça de Filmes e pelo Estúdio Magnólia. Antes dele, as produtoras realizaram o projeto e o episódio piloto da série O Centésimo Macaco, em 2024, escrito e dirigido por Maurício Borges de Medeiros, além do curta-metragem A Invenção, lançado em 2025, com direção de André Arteche e produção executiva de Fernanda Kern.
O novo trabalho também marca a estreia de Medeiros na direção de curtas-metragens. Com mais de 25 anos de atuação no mercado audiovisual, a Praça de Filmes passou a atuar na cidade em 2025, vinda de Porto Alegre.

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Racismo, assédio e saúde mental
Com 15 minutos de duração, o curta aborda temas como racismo estrutural, machismo, assédio moral e os impactos desses contextos sobre a saúde mental. “A história se baseia no fato traumático ocorrido há 40. Durante todo este tempo, penso que, por ser uma pessoa branca, isso pode ter salvo minha vida naquele momento”, conta o diretor.
A partir dessa lembrança, a obra propõe reflexões sobre privilégios raciais e situações de violência presentes nas relações sociais e de trabalho. O título presta homenagem a George Floyd, cuja morte nos Estados Unidos em 2020 desencadeou manifestações antirracistas em diversos países.
A personagem Maria, segundo a proposta do filme, representa os efeitos do racismo e da misoginia sobre a saúde mental, enquanto a narrativa utiliza o ambiente de trabalho como pano de fundo para discutir o adoecimento emocional e os limites enfrentados pelos indivíduos diante de situações de opressão.
Narrativa em tempo real e acessibilidade
Com exatos 15 minutos de duração, a narrativa faz uso de técnica de tempo real, propondo que o paralelo entre a violência sofrida por George Floyd e o tempo da trama sensibilizem os espectadores através de uma imersão de duração da angústia.
A produção também busca mostrar que é possível filmar fora de Porto Alegre, e incentiva a diversidade no audiovisual contando com colaboradores PCDs, pessoas negras, brancas e ciganas, e de orientação sexual também diversa. O filme conta com disponibilidade de LIBRAS, legenda descritiva e audiodescrição.

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