Há séculos, a espiritualidade é objeto de curiosidade e investigação, principalmente no mundo científico. Das muitas perguntas já feitas, uma em especial foi estudada por um grupo de pesquisadores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs): a mediunidade está ligada a alterações genéticas?

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A mediunidade engloba uma série de sentidos, como o olfato, a visão e a audição. Mais da metade da população geral afirma já ter sentido a “presença dos mortos” ou “que um membro da família que está morto o visitou”, segundo um estudo feito entre o Brasil e Estados Unidos citado pelos cientistas.
Porém, para a pesquisa da USP, os médiuns foram definidos como: “indivíduos que possuem a habilidade de perceber (vendo ou ouvindo) ou de agir sob a influência direta e evidente de uma personalidade supostamente morta”.
O artigo foi publicado na revista científica Brazilian Journal Psychiatry, de forma pré-aprovada.
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Instrumento para medir fenômenos mediúnicos
Para avaliar as habilidades dos médiuns, os cientistas criaram um instrumento que funcionou como uma espécie de medidor. Com ele, foi analisada uma gama de fenômenos, como:
- Psicofonia – habilidade de falar sob influência de espíritos
- Projeção – experiências fora do corpo
- Psicografia – escrever sob influência de espíritos
- Clarividência – ver espíritos
- Clariaudiência – ouvir espíritos
- Incorporação – Incorporar o espírito ou transe completo
- Efeitos físicos, pintura mediúnica e de cura
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Médiuns possuem diferenças genéticas
Após um ano de pesquisa, entre abril de 2020 e 2021, os cientistas obtiveram a resposta: os médiuns possuem alterações em 7.269 genes.
Os mais de 7 mil genes encontrados exclusivamente nos médiuns exercem um impacto moderado ou alto na funcionalidade das proteínas. Principalmente, em uma encontrada em abundância na glândula pineal, “o que é intrigante, considerando a hipótese de que esta glândula serve como epicentro para experiências espirituais”, afirma o estudo.
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Para chegar ao resultado, 54 médiuns praticantes de espiritismo, umbanda e espiritualismo, que passaram em uma série de critérios, tiveram o DNA comparado com os de 53 parentes de primeiro grau, mas que não possuíam as habilidades. Foram analisadas amostras de saliva de cada um.
Além disso, foram escolhidos familiares próximos porque ambos têm o mesmo background cultural, religioso e ancestral, o que auxiliou os cientistas a encontrarem as diferenças na genética de forma mais exata.
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