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SÃO LEOPOLDO

Projeto restaura parte do acervo do Museu Histórico atingido pela enchente de 2024

Mais de 150 peças devem ser recuperadas na ação; entre elas, está um piano alemão de 120 anos

Priscila Carvalho
Publicado em: 10/06/2026 às 13h:59 Última atualização: 10/06/2026 às 13h:59
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Peças que contam a história de São Leopoldo e do Vale do Sinos, obras históricas e de valor inestimável, além de gravuras, desenhos e tantos outros integram o projeto “Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo”, que está reintegrando, gradualmente, um conjunto de itens ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (MHVSL).

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Idealizado pela historiadora Luísa Maciel, que é mestre em Memória e Patrimônio, o projeto teve abertura oficial em maio de 2025 e pretende devolver, até o meio do ano que vem, mais de 150 objetos deteriorados pela grande inundação de 2024. Um deles será o piano alemão Schiedmayer, de 120 anos, que está passando pelo processo de restauro.



Moradora de Porto Alegre, Luísa conta que o projeto surgiu após o nome do museu ser citado em grupos montados por colegas de profissão após a enchente e que visavam ajudar instituições a restaurar o acervo atingido. Após entender a necessidade do local, o projeto foi feito e inserido em editais públicos.

Os recursos, totalizando R$ 2,9 milhões, foram captados via duas fontes de financiamento: Ministério da Cultura, com patrocínio de Zaffari, por meio da Lei Rouanet (R$ 500 mil); e pela Política Nacional Aldir Blanc, via Pró-Cultura RS (R$ 2,4 milhões).

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O que passa por restauro

Pelo projeto, 72 peças bidimensionais – como pinturas, gravuras, desenhos e uma fotopintura – devem ser restaurados, em trabalho que está sendo realizado pela restauradora Isis Fófano e demais colaboradores da Magenta Conservação e Restauração. Do total, 80% já retornou ao museu, e a previsão é que o restante seja entregue até agosto.

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Além disso, cerca de 85 peças tridimensionais – contando instrumentos musicais, móveis, cofres, têxteis e objetos diversos – estão sendo recuperados pelo restaurador Társis Gradaschi, da Mestres da Restauração. Destes, fazem parte guarda-chuvas, sombrinhas, chapéus, bandeira, estandarte, um aquecedor metálico a querosene e um altar da Igreja Concórdia, utilizado pela comunidade da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), que já retornaram ao local. A previsão de conclusão total é para maio de 2027.

Obras afetadas pela umidade também são recuperadas

Formada em Artes Plásticas e com especialização em Conservação em Restauração de Bens Culturais Móveis, Isis explica que as peças bidimensionais restauradas não necessariamente foram atingidas pela água da enchente diretamente. “Mas, só da obra ficar exposta num ambiente úmido, ela já pode sofrer alterações”, lembra.

“A maior parte tem fungos, sujidades, mas algumas também apresentam perdas da camada pictórica, alguns furos e rasgos no tecido, e também ataque de cupim ativo no bastidor (estrutura de madeira que ajuda a esticar a tela)”, comenta. Uma das obras que já retornou ao museu, por exemplo, uma pintura de Ernesto Frederico Scheffel, datada de 1963, estava com verniz oxidado e sujidade.
Entre os trabalhos, também estão higienizações e cuidados com os materiais em que as obras foram feitas. “A gente sempre fala muito em restauração, mas mais importante que restaurar também é conservar”, destaca Isis.

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“Devolvendo um pedaço essencial da memória”

Luísa ressalta que, além de seguro para todas as peças, foi feita uma mobilização logística para preservar ao máximo os objetos durante seu deslocamento aos ateliês. Tudo para que não houvessem perdas maiores de elementos. “O valor financeiro é simbólico. O valor cultural dele é o mais importante”.

Ela também exaltou o retorno das peças ao museu. “Estamos, literalmente, devolvendo um pedaço essencial da memória de São Leopoldo. A importância deste marco é restabelecer a função educativa e de pesquisa desses bens, contribuindo para que o museu seja um espaço ativo de aprendizado e diálogo, onde as futuras gerações poderão acessar, em primeira mão, as histórias que constroem nossa identidade”, disse a coordenadora.

“O projeto chegou num excelente momento para o museu, que ainda buscava recursos para executar a restauração dos itens, especialmente os maiores, como o piano de 120 anos, e os têxteis, que foram bastante danificados pela enchente. Ficamos felizes por termos sido contemplados pela iniciativa, que vai possibilitar trazer nova vida à nossa instituição”, celebrou o presidente do MHVSL, Cássio Tagliari.

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Ações educativas, livro infantil, documentário e site

Além da restauração dos itens, a iniciativa também inclui ações de educação patrimonial em escolas municipais de São Leopoldo, visando sensibilizar o público para a história contida nos acervos documentais e de objetos, além de um livro infantil já em fase de projeto gráfico. O programa educativo do projeto inclui ainda oficinas de conservação preventiva de acervos em museus, acervos familiares e sensibilização para acessibilidade, voltadas para gestores e equipe de instituições culturais e público interessado. Um documentário também está sendo produzido e um site, com todas as informações, já está no ar: restauracaodoacervosaoleo.com.br.

Outros itens que ainda precisam de restauração no MHVSL podem ser consultados diretamente com o museu, que fica na Av. Dom João Becker, 491. O telefone e WhatsApp da instituição é o (51) 3592-4557.

 

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