Treze pessoas sobreviveram e oito morreram após um balão pegar fogo durante passeio turístico em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina no sábado (21). O balão incendiou aproximadamente dois minutos após a decolagem, o que forçou um pouso de emergência antes da queda em um arrozal da região.

Foto: Reprodução redes sociais
O incêndio começou na cabine do piloto, localizada na parte central do cesto, e rapidamente se espalhou para os cilindros de gás. Conforme a NSC, o piloto Elves Crescêncio tentou controlar a situação, pedindo inicialmente que todos se abaixassem e mantivessem a calma. Ele tentou remover o cilindro em chamas, mas não conseguiu devido à alta temperatura, optando então por realizar um pouso de emergência.
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As dificuldades começaram antes mesmo do voo. O grupo tentou decolar em outro local inicialmente, mas precisou mudar o ponto de partida devido aos ventos fortes na região. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a instabilidade do equipamento durante a decolagem.
Entre os sobreviventes estavam Marcel Cunha Batista, gerente de desenvolvimento de software, e sua esposa Thayse Elaine Broedbeck Batista, professora, ambos moradores de Florianópolis. Também escaparam a médica veterinária Laís Campos Paes e seu companheiro Victor Hugo Mondini Correa, residentes em Curitibanos.
O pouso forçado aconteceu em um arrozal cheio de lama em uma área rural de Praia Grande. A lama ajudou a amortecer o impacto e evitar lesões mais graves quando os passageiros saltaram do cesto.
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20 segundos entre o incêndio e o pouso
Marcel e Thayse afirmaram que passaram-se apenas cerca de 20 segundos entre o início do incêndio e o pouso forçado. Dos 21 ocupantes do balão, 13 conseguiram escapar pulando do cesto quando este tocou o solo. Quatro pessoas morreram carbonizadas dentro do cesto e outras quatro faleceram na queda, quando o balão voltou a subir após o pouso inicial, segundo informações dos bombeiros.
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma possível falha no maçarico reserva como causa provável do acidente.
Os sobreviventes descreveram em detalhes os momentos vividos durante o acidente. “No início, o balão estava bem instável”, disse Marcel. Sua esposa Thayse e os demais passageiros não tinham experiência prévia com esse tipo de passeio. “A gente nunca tinha voado, a gente nunca tinha nem visto nenhum voo. Então a gente não sabia se aquilo era normal ou não”, declarou Laís.
Victor Hugo descreveu a sensação durante o incêndio: “A gente só ia para trás, sentindo aquele calor forte e rezando para que aquele cilindro não estourasse”. Após o impacto com o solo, o balão virou e algumas pessoas foram lançadas para fora, enquanto outras conseguiram pular.
Laís relatou o momento em que percebeu que nem todos haviam conseguido escapar: “Quando eu saí da lama e abri o olho, achei que todo mundo tinha conseguido, que todo mundo tinha caído. Eu não entendi que não tinha caído todo mundo. E aí, quando eu virei, vi que o balão ainda estava no ar e aí a gente começou a ver as pessoas caírem”.
Os sobreviventes foram levados de volta à sede da empresa em um microônibus. Alguns receberam atendimento médico e psicológico. As marcas emocionais permanecem. “Parece que a gente tá o tempo todo lutando contra os pensamentos. As pessoas e as famílias que a gente viu pela metade na volta, sabe? Essa memória é a mais difícil e é muito viva: dessas pessoas procurando os familiares”, afirmou Laís, resumindo o trauma com a frase: “Não sai da cabeça”.