O julgamento de Ayrton da Silva Fonseca, de 33 anos, acusado de matar a companheira, Franciele Greff Mentz, que tinha 33 anos na época, começou na manhã desta quinta-feira (9), no Fórum de Novo Hamburgo.
O réu responde por feminicídio e é julgado pelo Tribunal do Júri pelo crime ocorrido na madrugada de 12 de abril, no bairro Santo Afonso.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A sessão é presidida pela juíza Bruna Casagrande Siebeneichler. A acusação é conduzida pelo promotor de Justiça Robson Jonas Barreiro, com a advogada Caterine Rosa atuando como assistente de acusação em nome da família da vítima.
A defesa é feita pela advogada Magda de Araujo Prates. O Conselho de Sentença é formado por quatro homens e três mulheres. Fonseca, que está preso preventivamente desde o dia do crime, participa presencialmente do julgamento.
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A primeira testemunha ouvida foi um policial civil da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Novo Hamburgo, responsável pela condução das investigações. Durante o depoimento, ele descreveu a dinâmica do crime e chamou a atenção para a presença da filha do casal, de apenas cinco anos na cena do crime. “A filha do casal estava deitada a poucos palmos de distância de onde o acusado começou a esfaquear a vítima”, afirmou o policial aos jurados.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O investigador também relatou a conduta do acusado logo após o feminicídio. “Depois de esfaquear a Franciele, o acusado se preocupou em trocar de roupa, porque a que ele estava usando ficou ensanguentada com o sangue da vítima. Depois, escondeu a faca usada no crime atrás da geladeira, faca essa que foi encontrada posteriormente pela perícia”, declarou.
Conforme a acusação, Franciele foi atacada a facadas dentro da residência onde vivia com o companheiro e a filha, na Rua Lima, no bairro Santo Afonso. A perícia concluiu que o primeiro golpe foi desferido enquanto a vítima ainda estava deitada na cama, conclusão baseada, entre outros elementos, na grande quantidade de sangue encontrada sobre o colchão.
Mesmo gravemente ferida, Franciele ainda tentou escapar. Ela correu em direção à porta da casa, mas caiu antes de conseguir alcançar a rua, morrendo no local.
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Após o crime, segundo a investigação, Ayrton Fonseca trocou de roupa, escondeu a faca utilizada no ataque e deixou a residência levando a filha do casal. Em seguida, foi até a casa do pai, em São Leopoldo, onde contou aos familiares o que havia feito. Horas depois, foi convencido a se entregar.
O Ministério Público denunciou o réu por feminicídio qualificado, sustentando que o crime foi cometido em razão da condição de gênero da vítima, com recurso que dificultou sua defesa, mediante meio cruel e na presença da filha de cinco anos.
A expectativa é de que o julgamento se estenda ao longo de todo o dia. Ao final da sessão, os sete jurados decidirão se o réu será condenado ou absolvido das acusações.