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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Nesta semana, com a redução do nível do rio em Campo Bom, foi suspensa a captação destinada à irrigação agrícola. Esse procedimento ocorre automaticamente sempre que o nível do Sinos fica abaixo de 1,20 metros. “Embora tenhamos tido chuvas em alguns períodos, ainda não foi suficiente para recuperar o nível do rio. Estamos enfrentando um momento crítico, em que a baixa já compromete a captação em Campo Bom”, explica a presidente do ComiteSinos, Viviane Feijó Machado.
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Essa suspensão pode variar dependendo do ponto de medição e da capacidade de captação das empresas responsáveis pela distribuição de água. No caso de São Leopoldo, por exemplo, a medida é adotada quando o nível do rio chega a 70 cm. Viviane alerta que a situação já se mostra preocupante. “Já houve suspensão por conta do baixo nível, ou seja, já está faltando água para alguns usuários.”
O diretor-executivo da Corsan-Aegea na região do Vale do Sinos, Milton Cordeiro, afirma que a companhia está preparada para enfrentar a falta de chuvas e a queda no nível do Sinos. “Nos últimos dois anos, fizemos investimentos por meio do plano de resiliência climática para garantir a captação mesmo com a baixa do nível do rio”, disse.
No caso da Companhia Municipal de Saneamento (Comusa), que atende Novo Hamburgo, o nível do rio nesta quinta-feira (6) era considerado satisfatório para a captação, medindo 2,36 metros. Ainda assim, a companhia alerta para o desperdício. “Há relatos de moradores lavando pátios e carros com mangueiras, e isso prejudica o abastecimento nos dias de calor extremo. Não há qualquer determinação que suspenda a captação para o abastecimento da população”, informou a autarquia em nota.
Cobrança ajudaria
Aprovado em 1994, mas nunca efetivado, o instrumento de cobrança pelo uso da água captada no Rio dos Sinos é apontado por Viviane como uma medida que poderia evitar a escassez nos períodos de seca.
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“Todos os usuários que retiram água do rio deveriam pagar por essa captação, e esse valor deveria ser utilizado para a recuperação e manutenção da própria bacia hidrográfica. No nosso plano de bacia, por exemplo, há ações previstas para a regularização de evasão, e esse recurso poderia ter sido aplicado ao longo desses 30 anos”, afirma a presidente do ComiteSinos, referindo-se à Lei das Águas do Rio Grande do Sul, aprovada em 1994, mas nunca implementada no Estado.
Situação em Novo Hamburgo
Ao longo desta semana, moradores de Novo Hamburgo enfrentaram suspensões quase diárias no abastecimento. Dois fatores contribuíram para essa situação: o primeiro foram os sucessivos rompimentos de adutoras localizadas na BR-116, afetadas pelas obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Outro problema recorrente é a pressão da água, que tem se reduzido diariamente nos bairros mais altos da cidade. O rompimento das adutoras agravou a situação, mas, segundo a Comusa, o problema está sendo solucionado. “Estão sendo realizadas manobras nos sistemas durante a madrugada, para que, ao amanhecer, toda a cidade esteja abastecida e não sejam sempre os mesmos bairros a enfrentar o problema de baixa pressão”, explicou a autarquia.
A reportagem também buscou contato com o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), que atende São Leopoldo, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.