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Caturritas aproveitam emaranhado de fios para construir ninho em pleno Centro de Novo Hamburgo; veja vídeo

Embora comum, cena chama atenção de quem passa pela Rua Bento Gonçalves; biólogo conta curiosidades sobre os hábitos das aves e orienta vizinhança a não mexer em ninhos ativos

ico ABCMais.com azul
Publicado em: 11/07/2026 às 16h:00
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Quem passa pela Rua Bento Gonçalves, entre a Vicente da Fontoura e a Tamandaré, no Centro de Novo Hamburgo, dificilmente deixa de olhar para cima. No alto de um poste de iluminação pública e em meio a um emaranhado de dezenas de cabos de internet, um bando de caturritas está construindo um enorme ninho que já virou atração para moradores e trabalhadores da região.

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Ninho de caturrita em poste no Centro de Novo Hamburgo | abc+



Ninho de caturrita em poste no Centro de Novo Hamburgo

Foto: Igor Müller/GES-Especial

A estrutura, que lembra um verdadeiro condomínio de aves, tem mais de um metro de altura e ao menos duas entradas, uma para o nascente e outra para o poente. Esta garante vista privilegiada para a Bento, uma das mais movimentadas ruas do Centro da cidade.

Enquanto algumas caturritas permanecem protegidas no ninho para enfrentar os dias frios, outras fazem voos constantes e seguem levando pequenos galhos para ampliar a construção. A intensa movimentação não passa despercebida. Funcionário de um escritório próximo, Rodrigo Simões conta que notou a chegada das aves há poucos dias.

“São várias trabalhando na construção do ninho”, relata. Segundo ele, além da organização das aves, outro detalhe desperta curiosidade. “Gritam bastante, mas é divertido. Só não recomendo estacionar embaixo porque pode sujar o carro”, brinca.

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Por que as caturritas fazem ninhos em postes?

De acordo com o biólogo da Prefeitura de Novo Hamburgo, Carlos Augusto Borba Meyer Normann, é comum que caturritas utilizem estruturas urbanas para construir seus ninhos. Torres de telefonia, transformadores e postes oferecem locais elevados, onde as aves encontram segurança contra predadores e facilidade para buscar alimento em árvores, jardins e gramados.

“Elas vivem bem nas áreas urbanas, onde encontram alimentação em abundância e uma certa proteção contra predadores, normalmente aves de rapina e serpentes”, explica.



Ninhos podem pesar até 200 quilos

Os ninhos de caturritas estão entre os maiores construídos por aves no Brasil. Segundo o especialista, eles podem pesar quase 200 quilos e servir de abrigo para famílias inteiras. Aliás, as caturritas são as únicas da família que fazem seus ninhos – diferente das araras e dos papagaios, por exemplo.

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Durante o inverno, a estrutura ajuda a conservar o calor, funcionando como um abrigo coletivo. “Nessa época do ano, o ninho tem a função de proteger contra o frio. Não são apenas os humanos que gostam de um lugar quentinho para passar o inverno”, comenta Normann.

Conforme o biólogo, um único ninho pode reunir facilmente entre 15 e 20 aves, que costumam retornar ao mesmo local em diferentes temporadas reprodutivas. Diferentes de outras aves comuns na região, as caturritas não são migratórias, ou seja, podem passar a vida morando praticamente no mesmo lugar ou próximo dele.

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A caturrita adulta tem entre 28 e 33 centímetros e barriga, peito, garganta e testa com penas acinzentadas. O bico é pequeno e alaranjado. A alimentação é composta por frutos, verduras, legumes, sementes de arbustos e capins, flores e brotos.

Ninho ativo não pode ser removido

Quando está ocupado pelas aves, o ninho não pode ser retirado. Caso exista risco à população ou necessidade de manutenção na rede elétrica ou de telecomunicações, é preciso acionar o órgão ambiental responsável para avaliação técnica. No caso de Novo Hamburgo, o telefone da Diretoria de Bem-Estar Animal é o (51) 99683-2117.

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A bióloga e educadora ambiental do MiniZoo de Canoas, Renata Gautier, explica que ninhos instalados em postes costumam representar um desafio para empresas de energia e telecomunicações. Qualquer intervenção precisa ocorrer com autorização ambiental e acompanhamento de profissional habilitado. No início deste ano, um ninho de caturrita pegou fogo e deixou parte do bairro Liberdade sem luz em Novo Hamburgo.

Animais protegidos por lei

Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre, as caturritas não devem ser capturadas e nem mantidas em cativeiro. “São animais silvestres protegidos pela Lei de Crimes Ambientais. Danificar ninhos ou maltratar as aves também configura crime ambiental”, informa a bióloga Soraya Ribeiro.

Caturritas aproveitam emaranhado de fios para fazer ninho em pleno Centro de Novo Hamburgo
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