Para enfrentar eventos meteorológicos extremos a Defesa Civil Estadual vem se preparando desde o ano passado para aumentar sua capacidade de resposta diante diante da aproximação do El Niño, que deve provocar um aumento de chuvas no Rio Grande do Sul ainda este ano.
Ao longo dos últimos dois anos, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec) ampliou sua estrutura, reforçou equipes técnicas, modernizou equipamentos e investiu na qualificação dos municípios.
O objetivo é permitir que o Estado atue de forma mais integrada, antecipando riscos, apoiando decisões e reduzindo os impactos de eventos adversos sobre a população.
A base do trabalho é a Política Estadual de Proteção e Defesa Civil (Pepdec), instituída no fim de 2024. A legislação organiza as ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres, além de incentivar a integração entre diferentes órgãos públicos, entidades privadas e a sociedade civil, fortalecendo uma cultura permanente de prevenção.
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Reforço estrutural
Entre as principais mudanças está o reforço da estrutura da Defesa Civil estadual. Desde 2024, a equipe aumentou e conta com 163 servidores militares e civis, além de profissionais especializados que atuam no Centro de Monitoramento.
O quadro reúne especialistas em meteorologia, hidrologia, geoprocessamento, engenharia, arquitetura, tecnologia da informação, comunicação social e estatística, ampliando a capacidade técnica para análise de cenários e apoio às operações.
A frota também recebeu reforço. Em 2025, foram incorporados 71 novos veículos, entre caminhonetes, automóveis, micro-ônibus e caminhão-guincho, distribuídos entre as dez Coordenadorias Regionais e os departamentos da Defesa Civil para utilização em operações de monitoramento, logística e atendimento durante emergências.
Monitoramento e modelagem
A modernização do monitoramento hidrometeorológico, com a contratação de 130 novas estações automáticas, das quais 129 já estão instaladas, cobrindo as 25 bacias hidrográficas gaúchas também é apontado como um avanço.
Os equipamentos enviam informações atualizadas a cada 15 segundos sobre o nível dos rios, chuva, vento, temperatura, umidade e pressão atmosférica, fornecendo dados que auxiliam na emissão de alertas e na tomada de decisões durante situações de risco. As informações podem ser consultadas pela população na plataforma da Defesa Civil.
Esse sistema é complementado por estudos de modelagem hidrodinâmica, que permitem simular o comportamento das águas, prever níveis de rios e identificar áreas suscetíveis a inundações. Também foi concluído o mapeamento de manchas de inundação em 60 municípios considerados prioritários, além da identificação de áreas vulneráveis a enxurradas e escorregamentos.
O Estado conta ainda com um radar meteorológico instalado em Porto Alegre, cuja cobertura alcança mais de 150 quilômetros de raio, e trabalha para implantar outros três equipamentos nas regiões Norte, Sul e Oeste, permitindo cobertura de todo o território gaúcho.
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Foto: Mauro Nascimento/Secom
Preparação dos municípios
Em 2026, todos os 497 municípios gaúchos passaram a contar com Plano de Contingência —documento que organiza as ações locais de resposta a emergências.
Há três anos, 2023, 88% das cidades ainda não possuíam esse instrumento. Após a elaboração dos planos, a Defesa Civil estadual realizou uma análise técnica individual de cada documento para orientar ajustes e aprimoramentos.
As equipes municipais também estão recebendo capacitações do governo do estado, com cursos voltados à proteção e defesa civil, elaboração de planos de contingência e comunicação de risco, que já alcançaram centenas de gestores e agentes públicos. O objetivo é padronizar procedimentos e fortalecer a atuação integrada entre Estado e municípios.
Durante os encontros regionalizados do Prepara RS, a Defesa Civil também entrega diagnósticos das capacidades municipais e análises técnicas de suscetibilidades e vulnerabilidades, com informações sobre riscos hidrológicos, geológicos, infraestrutura disponível, locais de abrigo e recursos existentes em cada região. Os documentos auxiliam as prefeituras no planejamento de ações preventivas e na preparação para possíveis eventos extremos.
O governo do Estado também investe no fortalecimento das estruturas municipais, por meio do Fundo Estadual de Defesa Civil.
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Os repasse estão previstos de R$ 32,9 milhões para ações de preparação e mitigação, utilizando a modalidade fundo a fundo. Em paralelo, 73 municípios atingidos pelas inundações de 2024 receberão veículos, geradores e equipamentos de comunicação para ampliar sua capacidade operacional.
O que vem por ai
Em Porto Alegre, O Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastre e o Centro de Logística Humanitária estão em construção.
Além disso, outros centros regionais de gestão de riscos ainda devem ser implantados, a rede de radares meteorológicos será ampliada e a Rede de Voluntariado da Defesa Civil passa por ações para o seu fortalecimento.
Essas iniciativas buscam transformar o Rio Grande do Sul em um estado menos suscetível aos eventos climáticos extremos.