O El Niño segue em intensificação no Pacífico Equatorial e acende alerta para um episódio extremo nos próximos meses. Conforme avaliação da MetSul Meteorologia, “um Super El Niño é uma certeza“, com probabilidade do episódio atual se tornar o mais forte em ao menos 150 anos e anotar marcas históricas.
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Foto: Copernicus
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Nível de aquecimento jamais observado nos últimos 150 anos
Os meteorologistas Estael Sias e Luiz Nachtigall explicam que as primeiras projeções de julho dos modelos de clima seguem intensificando o El Niño, com previsão de pico no último trimestre deste ano.
Os dados indicam anomalias de temperatura do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste entre +3ºC e +4ºC no período, o que, segundo eles, é um nível de aquecimento jamais observado nos últimos 150 anos.
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Projeções cada vez mais extremas
A MetSul pontua que “as projeções cada vez mais extremas para o El Niño 2026-2027” fizeram com que a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, elevasse a escala dos gráficos do modelo CFS – Climate Forecast System, em inglês.
Na atualização desta semana, o limite superior do eixo vertical passou de 4°C para 5°C, tanto no gráfico do sistema tradicional de monitoramento, o Oceanic Niño Index (Oni), quanto no gráfico baseado no novo método, o Relative Oceanic Niño Index (Roni).
Estael e Nachtigall salientam que essas são alterações incomuns e que evidenciam o quanto as projeções deste episódio de El Niño se tornaram excepcionais nas últimas semanas, com previsões sendo sucessivamente revisadas para cima.
Embora as previsões dos modelos de clima com vários meses de antecedência devam ser interpretadas com cautela e possam sofrer mudanças importantes, a consistência entre um grande número de membros do conjunto indica que o CFS continua projetando um evento potencialmente histórico, capaz de superar por larga margem os mais intensos eventos de El Niño já registrados.
Outros levantamentos internacionais também indicam um El Niño extremo. Este é o caso do levantamento do Berkeley Earth, por exemplo, que aponta projeções extraordinárias para o episódio atual.
Dos 13 modelos analisados, 11 apresentam fenômeno muito forte ou Super El Niño, com pico de Roni superior a 2°C. Do total, sete apontam para aquecimento suficiente para produzir o evento mais intenso da era moderna, superando episódios históricos, como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
Comparativo mostra intensidade do atual El Niño
Um levantamento da MetSul, com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método Oni, mostra os seguintes valores de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño:
- o mais intenso no episódio 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3°C na semana de 18 de novembro de 2015;
- o segundo maior pico ocorreu durante o Super El Niño de 1982-1983, com 2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982;
- o evento de 1997-1998, apesar de ser considerado um dos mais poderosos já observados pelos seus impactos globais, atingiu um máximo semanal de 2,3°C, registrado nas semanas de 17 de dezembro de 1997 e 4 de fevereiro de 1998;
- já o Super El Niño de 2023-2024 apresentou uma anomalia semanal máxima de 2,1°C na semana de 22 de novembro de 2023, valor inferior ao dos três grandes episódios anteriores, mas ainda suficiente para colocá-lo entre os mais intensos da série histórica da NOAA.
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