Foi anunciado oficialmente na manhã desta quinta-feira (11) o começo do El Niño de 2026-2027 pelo Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos.
O anúncio era iminente desde o começo desta semana, quando análises da MetSul indicaram condições favoráveis para o início da fase quente no Oceano Pacífico e na atmosfera. Conforme o meteorologista Luiz Nachtigall, as águas do mar apresentaram características típicas do fenômeno, como aquecimento acelerado das águas e mudanças nos padrões de vento e de precipitação, por semanas.
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Foto: NOAA
O que diz o anúncio oficial
No boletim emitido nesta quinta, a NOAA destaca que “o fenômeno El Niño se estabeleceu no último mês no Oceano Pacífico Equatorial, com temperaturas da superfície do mar acima da média entre as regiões central e leste do oceano“. “Os indicadores atmosféricos e oceânicos passaram a mostrar um acoplamento típico do fenômeno, incluindo águas mais quentes em superfície e subsuperfície, alterações nos ventos sobre o Pacífico Equatorial e mudanças nos padrões de chuva e nebulosidade.”
Conforme o comunicado, modelos climáticos internacionais indicam que o El Niño deve ganhar força gradualmente ao longo dos próximos meses. “A combinação de elevado conteúdo de calor armazenado no oceano e da expansão de anomalias de vento de oeste no Pacífico aumenta a confiança dos meteorologistas de que o evento continuará se intensificando durante o segundo semestre deste ano”, diz Nachtigall.
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Risco de Super El Niño
“As projeções apontam uma probabilidade de 63% de que o episódio alcance intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, podendo figurar entre os mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950. Embora um El Niño muito forte não produza os mesmos impactos em todas as regiões do planeta, eventos dessa magnitude costumam aumentar significativamente a probabilidade de anomalias climáticas marcantes em diversas áreas do mundo”, destaca a NOAA.
Nachtigall explica que o El Niño não é um fenômeno passageiro como uma tempestade, um ciclone ou uma frente fria que traz chuva. “É uma complexa condição oceânica e atmosférica que impacta as condições do tempo e do clima por vários meses, devendo o atual episódio perdurar ao menos até o outono de 2027.”
Para a caracterização do fenômeno, não basta apenas que as águas do Pacífico estejam mais quentes do que o normal. É necessário também que a atmosfera responda ao aquecimento, estabelecendo um processo conhecido como acoplamento oceano-atmosfera.
Segundo ele, os modelos climáticos reforçam a perspectiva de um evento histórico. Caso isso se confirme, o fenômeno pode alcançar potência de Super El Niño neste segundo semestre. “O episódio poderia até superar os grandes eventos de 1982-1983 e 1997-1998”, aponta Nachtigall.
Historicamente, o pico do El Niño ocorre no final do ano em que se instala, muitas vezes perto do Natal. Contudo, neste ano, modelos analisados pelo portal de meteorologia indicam que a intensidade máxima deve ser alcançada entre outubro e novembro deste ano.
“A dimensão exata do pico de intensidade, no entanto, ainda é uma incerteza. Não é porque o pico de intensidade ocorre no último trimestre do ano que os piores efeitos do El Niño se dariam neste trimestre. No último El Niño, a intensidade máxima foi alcançada em novembro de 2023 e o grande desastre daquele episódio ocorreu em maio de 2024 com a grande enchente no Rio Grande do Sul”, esclarece o meteorologista.
Sul do Brasil será a região mais impactada
O El Niño impacta o clima em todas as regiões do Brasil, com a diminuição da chuva ao Norte e um grande aumento da precipitação ao Sul, sendo esta última a região onde “os sinais são especialmente preocupantes“.
Historicamente, o fenômeno traz chuva extrema, influencia nas cheias de rios, enchentes e muitos temporais severos de vento e granizo. “Não é uma pergunta se haverá ou não enchentes, mas sim quantas e o tamanho“, ressalta Nachtigall.
O período mais crítico para os estados do Sul será o segundo semestre, especialmente o fim do inverno, a primavera e o outono do próximo ano. Não se descartam, entretanto, eventos extremos no verão.
“Embora aumente o risco de uma nova catástrofe, o retorno do fenômeno com intensidade muito possivelmente maior que em 2023-2024 não significa que haverá uma repetição da enchente histórica de maio de 2024. Não há relação linear entre a intensidade do El Niño e a ocorrência ou magnitude de um desastre em determinada região. As grandes enchentes dependem da soma de diversos fatores atmosféricos em paralelo e que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo”, coloca o meteorologista.