Dois sistemas de previsão da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, mostram leituras diferentes para o El Niño nos próximos meses.
Segundo a meteorologista Estael Sias, da MetSul, o modelo antigo, o CFS, sugere um episódio sem precedentes, enquanto o novo sistema SFS, ainda em testes, aponta um evento menos intenso, mas ainda assim muito forte. Apesar da diferença, ambos reforçam que o fenômeno deve acontecer e tende a ter grande influência sobre o clima.
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Foto: Nasa/MetSul
O CFS, em operação desde 2004 e atualizado em 2011 com a versão CFSv2, foi por muitos anos uma das principais ferramentas para acompanhar fenômenos como El Niño e La Niña.
Já o SFS representa uma nova geração de previsão sazonal, com integração mais moderna entre atmosfera, oceanos, gelo marinho e superfície terrestre, além de desenvolvimento colaborativo e dados em tempo quase real para avaliação pública.
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Oni e Roni ajudam a explicar a diferença
A comparação entre os modelos ficou ainda mais complexa porque a NOAA passou a usar uma nova forma de monitoramento do Pacífico. Antes, a referência era o Oni, baseado em uma média fixa de 30 anos. Agora, a agência também considera o Roni, índice relativo que leva em conta o aquecimento dos oceanos associado às mudanças climáticas.
Com o monitoramento tradicional, o CFS chega a projetar anomalias de até +3,7°C na região Niño 3,4, um patamar acima dos grandes El Niños de 1982-1983 e 1997-1998. Já o SFS trabalha com valores mais baixos, perto de +2,6°C a +2,7°C.
Pelo Roni, a diferença continua: o CFS passa de +3°C, enquanto o SFS fica em torno de +1,8°C ou +1,9°C, perto do limite de um Super El Niño.
Impactos podem ser fortes no Brasil
Mesmo no cenário mais moderado, o impacto climático deve ser relevante. A tendência é de aumento do risco de chuvas intensas, enchentes e cheias de rios, especialmente no Sul do Brasil, com reflexos também no primeiro trimestre de 2027. Se o cenário mais agressivo do modelo antigo se confirmar, a probabilidade de extremos maiores cresce ainda mais.
“Sob qualquer um dos dois cenários, os impactos no clima serão significativos. Confirmando-se um ou outro, haverá enchentes no Sul do Brasil no segundo semestre deste ano e no primeiro de 2027, não se descartando cheias de rios de grande porte”, reforça Estael.
Por isso, meteorologistas observam as projeções com cautela. A certeza é que haverá El Niño nos próximos meses, sendo a principal dúvida o tamanho exato da intensidade, mas o sinal geral é de atenção redobrada para os próximos meses.