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FENÔMENO CLIMÁTICO

Pacífico esquenta e El Niño deve ser declarado pela NOAA "muto em breve"

Indicadores oceânicos e atmosféricos mostram avanço do aquecimento e reforçam a chance de confirmação do fenômeno ainda neste mês

Nadine Funck
Publicado em: 02/06/2026 às 12h:38 Última atualização: 02/06/2026 às 12h:38
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Condições típicas de El Niño são observadas no Oceano Pacífico neste começo de junho e, de acordo com meteorologistas, o aquecimento vai ganhar força nas próximas semanas.

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Conforme a meteorologista Estael Sias, da MetSul, vários indicadores oceânicos e atmosféricos mostram que o episódio esperado para este ano se encontra em estágios iniciais, embora a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, ainda não tenha declarado oficialmente o começo do El Niño – o que, na avaliação da especialista, deve acontecer “muito em breve”.

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El Niño se encontra em fase inicial no Pacífico no começo de junho | abc+



El Niño se encontra em fase inicial no Pacífico no começo de junho

Foto: NOAA

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A última anomalia de temperatura da superfície do mar informada pela NOAA estava em valor mínimo de patamar de El Niño, em +0,5°C. Esta é a terceira semana seguida em a Região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central-Leste, atinge esta marca, conforme novo critério de monitoramento adotado pela administração norte-americana e designado Índice Niño Oceânico Relativo (Roni).

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Pelo critério anterior, esta é a sétima semana em que a região está em patamar de El Niño. No Pacífico Leste, junto aos litorais do Peru e do Equador, onde ocorre o El Niño Costeiro, que se difere do clássico, as anomalias atuais na chamada Região Niño 1+2 são as mais altas desde o começo do aquecimento em fevereiro, com 1,7°C pelo sistema Roni e 2,2°C, pelo tradicional, o Oceanic Niño Index (Oni).

Oni x Roni

Segundo a meteorologista, enquanto o Oni monitora o El Niño apenas pela anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial comparada a uma média fixa de 30 anos, o Roni considera essa anomalia em relação à média dos oceanos tropicais globais, ajudando a distinguir aquecimentos regionais do Pacífico de aquecimentos globais mais amplos.

El Niño ganha força no decorrer deste mês

Estael explica que, considerando que são necessárias várias semanas seguidas de aquecimento sustentado no patamar do fenômeno com acoplamento das condições oceânicas atmosféricas, o anúncio da NOAA deve ser oficializado no decorrer de junho, já que os critérios, de acordo com o monitoramento antigo, já estão consolidados e ingressão para a confirmação pelo novo sistema.

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Além das condições oceânicas, também a atmosfera já dá sinais de que já responde ao aquecimento das águas do Pacífico, sinalizando um acoplamento oceânico-atmosférico. A tendência é que o Oceano Pacífico aqueça ainda mais no decorrer deste mês, com águas mais quentes das profundezas emergindo na superfície.

O mês deve terminar com condições de El Niño moderado a forte pelo sistema antigo de monitoramento e fraco a moderado pelo novo método Roni.

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Além disso, deve impactar na temporada de furacões, que começou na segunda (1º). É esperado que o Atlântico registre número abaixo da média, enquanto o contrário deve ocorrer no Pacífico, em função das águas quentes provocados pelo fenômeno.

Fórum sobre impactos e risco de enchentes na Grande Porto Alegre

Nesta terça ocorre o fórum “O RS diante de um novo alerta climático”, com realização do Grupo Sinos. O evento gratuito contará com a participação de Estael Sias e de autoridades da região no auditório da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), em Porto Alegre, com recepção entre 13h30 e 14 horas.

Impactos no Brasil

O País enfrenta os efeitos de formas diferentes historicamente:

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  • no Norte, costuma provocar diminuição das chuvas, especialmente no norte e leste da Amazônia, o que contribuiu para um período mais seco e quente com favorecimento da propagação de queimadas e agravamento de incêndios florestais;
  • no Nordeste, os efeitos são mais críticos com a redução acentuada da precipitação. Essa ausência de chuva pode resultar em seca e falta de abastecimento de água, prejudicando a agricultura;
  • no Centro-Oeste, os impactos tendem a ser moderados, com leve tendência de chuva acima da média em algumas áreas, mas acompanha temperaturas mais elevadas. Há aumento da chance de queimadas no Pantanal e de episódios de calor intenso;
  • no Sudeste, o aumento das temperaturas é o principal sinal do fenômeno;
  • por fim, no Sul, o El Niño causa efeitos mais marcantes, com aumento significativo de chuva e maior frequência de episódios extremos, com risco de cheias de rios e enchentes, especialmente na primavera do primeiro ano e no outono do ano seguinte.
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