A Oscilação de Madden-Julian (OMJ) voltou a atuar no Hemisfério Ocidental e pode reforçar o aquecimento do Pacífico Equatorial nas próximas semanas, segundo a MetSul Meteorologia. Esse processo contribui para intensificar o El Niño, que já está em desenvolvimento, e aumenta a possibilidade de um episódio forte ou até extremo no segundo semestre.
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Foto: Reprodução/MetSul Meteorologia
Segundo especialistas, a fase atual da OMJ pode favorecer a formação de uma nova onda oceânica descendente, mecanismo que transporta calor para o Leste do Pacífico. Esse reforço ajuda a elevar ainda mais a temperatura da superfície do mar e sustenta a evolução do fenômeno climático.
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Como funciona a Oscilação de Madden-Julian
A OMJ é um fenômeno atmosférico tropical de curta duração, com ciclo típico entre 30 e 60 dias. Ela consiste em uma faixa de intensa atividade de nuvens, chuva e tempestades que se desloca lentamente de Oeste para Leste pelos trópicos, alterando padrões de vento, umidade e precipitação em várias regiões do planeta.
Embora atue longe de muitos lugares onde seus efeitos são sentidos, a OMJ pode provocar chuvas intensas, secas temporárias, ondas de calor e até episódios de frio. No Brasil, ela costuma aumentar a instabilidade atmosférica, favorecer a chuva forte e também estimular a formação de ciclones no Atlântico.
Chuva acima da média no Centro do Brasil
Quando a OMJ se posiciona sobre o Hemisfério Ocidental, a tendência é de aumento da convecção na América do Sul, com formação de nuvens e tempestades mais intensas nos trópicos. Isso favorece o transporte de umidade da Amazônia para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil, além de estimular áreas de baixa pressão e frentes mais ativas.
Para os próximos dias, a previsão indica chuva acima da média em pontos do Sudeste e do Centro-Oeste, com acumulados elevados para esta época do ano, que marca o início da estação seca. Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul devem registrar os maiores volumes, e há chance de instabilidade persistente também em áreas onde normalmente não chove em junho, como Brasília.
Temporais e risco de granizo
Os modelos meteorológicos apontam que a instabilidade mais forte deve ocorrer entre os dias 11 e 16, principalmente em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. Além da chuva frequente, podem ocorrer temporais convectivos, com rajadas de vento e queda de granizo em pleno mês de junho.
Em anos de El Niño, o impacto da OMJ sobre as chuvas no Brasil costuma ser ainda mais forte. Isso acontece porque a atmosfera já está mais propensa à instabilidade, e o fenômeno atua como um reforço temporário, elevando os volumes de chuva e a frequência de eventos severos em várias regiões do País.