Após um episódio intenso entre 2023 e 2024, que teve danos catastróficos, como a maior enchente do Rio Grande do Sul, um novo El Niño deve impactar o clima global neste ano.
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Foto: NASA
O que é o El Niño?
O fenômeno ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quentes do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região, de acordo com a MetSul Meteorologia. Os episódios ocorrem, normalmente, a cada 3 a 5 anos.
El Niño se trata da condição oposta ao La Niña, quando a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes.
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Efeitos em todo o mundo
Tanto El Niño e La Niña quanto a neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. O meteorologista Luiz F. Nachtigall explica que as interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações.
“Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.”
Os efeitos podem trazer impactos positivos e negativos, por exemplo, no Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes.
“Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña”, pontua Nachtigall. Se o El Niño contribui para chuva no Sul, agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil, enquanto La Niña traz mais chuva para a região.
De onde surgiu o nome “El Niño”
A origem do nome surgiu em 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. Segundo conta o meteorologista, a captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.
“Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa ‘o menino’ em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.”