A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) acompanha o avanço de um novo episódio de El Niño e afirma que a mudança observada no Oceano Pacífico é incomum.
“Uma das transições mais rápidas que já vi”, disse o meteorologista Nathaniel Johnson da NOAA ao site Live Science. O especialista ainda considera como rara e uma das mais rápidas já registradas, chamando atenção pela velocidade com que o sistema saiu de condições de La Niña para um cenário favorável ao aquecimento das águas.
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Foto: ECMWF/MetSul
A meteorologista da MetSul Estael Sias explica que o fenômeno é identificado quando as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central e Oriental ficam acima da média tropical em mais de 0,5°C. Para os especialistas, essa mudança já indica o início de um episódio de El Niño, que pode variar de fraco a muito forte e costuma influenciar o clima em diversas partes do planeta.
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Chance de evento forte preocupa especialistas
De acordo com Johnson, há aproximadamente 50% de probabilidade de o próximo El Niño atingir intensidade forte e cerca de 25% de chance de que ele chegue à categoria muito forte. Essa última faixa é considerada rara e costuma ocorrer apenas uma vez a cada uma ou duas décadas, o que aumenta a atenção sobre a evolução do fenômeno nos próximos meses.
O meteorologista também observa que alguns estudos sugerem uma possível relação entre as mudanças climáticas e oscilações mais rápidas entre El Niño e La Niña. Ainda assim, ele destaca que o tema segue em investigação e que a intensidade final do evento ainda não pode ser determinada com precisão.
Impactos podem alcançar clima, agricultura e oceanos
Se o El Niño se confirmar forte ou muito forte, os efeitos poderão ser amplos. Entre os impactos previstos estão alterações nos padrões de chuva e seca, prejuízos à agricultura, aumento do risco de incêndios florestais e mudanças nos ecossistemas marinhos. Regiões como Indonésia, Austrália e áreas do norte da América do Sul tendem a enfrentar períodos mais secos durante esse tipo de episódio.
O fenômeno também pode afetar a pesca no Pacífico Oriental, provocar deslocamento de espécies de peixes e favorecer eventos severos de branqueamento de corais. Além disso, o El Niño costuma elevar temporariamente a temperatura média global, o que pode contribuir para novos recordes de calor em um planeta já em aquecimento.
Acompanhamento contínuo é o principal alerta
Apesar das projeções, a orientação da NOAA é evitar previsões alarmistas e acompanhar com cautela a evolução dos dados. Johnson reforça que ainda há incerteza sobre a intensidade final do fenômeno e sobre a forma como seus efeitos serão distribuídos em cada região do mundo.
Para o especialista, o mais importante neste momento é observar as atualizações dos centros de monitoramento climático e se preparar para os riscos tradicionalmente associados ao El Niño. A evolução das próximas semanas será decisiva para confirmar se o episódio realmente entrará para a lista dos mais fortes e rápidos já registrados.