O La Niña, fenômeno que contribui para a seca no Rio Grande do Sul, está com os dias contados e as evidências, conforme a meteorologista Estael Sias, da MetSul, estão no próprio Oceano Pacífico.
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Foto: NOAA/MetSul
Mudanças importantes na temperatura da água abaixo da superfície equatorial – região que funciona como o “coração” dos ciclos de La Niña e El Niño – foram monitoradas por meteorologistas nas últimas semanas.
Confirmado em outubro, o La Niña estava previsto para terminar entre janeiro e fevereiro do próximo ano, mas isso pode ocorrer mais cedo.
Gatilho para nova fase climática
Uma onda quente submersa foi o “gatilho” de que uma nova fase climática deve ser esperada em breve. A mudança foi identificada pelas boias TAO, uma rede internacional de instrumentos que monitora continuadamente o Pacífico. Chamada de onda Kelvin de subsidência, o fenômeno é uma massa enorme de água mais quente que se desloca em profundidade.
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Estael explica que em vez de aparecer na superfície imediatamente, Kelvin começa sua jornada no Pacífico Oeste e viaja para Leste ao longo da termoclina – camada que separa as águas mais quentes do topo das mais frias do fundo – sendo este o tipo de sinal que antecede o enfraquecimento de La Niña.
“Quando uma onda Kelvin quente se desenvolve, ela empurra a água fria para baixo e faz com que água mais quente se aproxime da superfície — justamente o oposto do que mantém a La Niña ativa. Em outras palavras, está mudando o ‘modo’.”
Ou seja, a água que anteriormente era fria, em período de La Niña, abre espaço para temperaturas mais elevadas que levam o Pacífico a um estado de neutralidade ou até mesmo ao início de uma fase de El Niño, o que já foi previsto para 2026 pelos meteorologistas.
“Pela força dessa onda quente observada nas últimas semanas, especialistas afirmam que praticamente já está garantido que o Pacífico deve entrar pelo menos em um estado neutro nas próximas semanas“, salienta.
Comportamento importante
O comportamento do Pacífico é decisivo porque as temperaturas identificadas influenciam padrões de chuva, temperaturas e extremos climáticos em diversas partes do globo, como o Brasil, a América do Norte e a Austrália.
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A grande dúvida e um possível El Niño
Ainda não há uma definição sobre o que deve ocorrer após o fim deste episódio de fraco La Niña. Um fator decisivo será o comportamento da próxima passagem da Oscilação de Madden-Julian (OMJ), um sistema atmosférico que circula ao redor do planeta e pode acelerar os frear o desenvolvimento de um El Niño.
A meteorologista esclarece que a próxima fase ativa é esperada para o fim do verão do Hemisfério Sul, o que “deve indicar não apenas se um El Niño vai se formar, mas quão rápido isso pode acontecer e qual será sua intensidade”.
“A tendência dominante é de neutralidade no começo de 2026 e, possivelmente, de um El Niño em desenvolvimento ao longo do próximo ano. Em se confirmando um El Niño, ainda não é possível saber a esta altura qual será a sua intensidade, um cenário de El Niño forte não pode ser descartado.”