O retorno do El Niño eleva a preocupação com cheias de rios e inundações no Rio Grande do Sul. Segundo o meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul, mesmo em anos sem o fenômeno, o RS já enfrenta enchentes, mas o risco aumenta de forma significativa quando o El Niño está em atuação.
A principal dúvida, no entanto, é sobre a dimensão das cheias. “A questão não é se haverá enchentes, mas quantas e qual será a magnitude, o que somente se prevê em curto prazo”, aponta o meteorologista.
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Foto: ECMWF/MetSul
Historicamente, os episódios mais críticos costumam acontecer no segundo semestre do ano em que o fenômeno se instala e no primeiro semestre do ano seguinte. Por isso, o cenário de maior atenção se concentra na segunda metade de 2026 e na primeira de 2027, com destaque para a primavera de 2026 e o outono de 2027.
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Atenção para o segundo ano de El Niño
O fim do inverno e a primavera são apontados como fases mais críticas para o tempo severo no Sul, mas episódios de chuva extrema também podem ocorrer no verão. Além disso, as maiores enchentes da história gaúcha, em 1941 e 2024, não aconteceram no primeiro ano de El Niño, e sim no outono do ano seguinte, o que reforça a atenção para 2027 neste novo ciclo.
Por que não dá para prever uma catástrofe como a de 2024?
Apesar do aumento do risco, não é possível afirmar que uma enchente da dimensão da ocorrida em 2024 irá se repetir. A previsão de longo prazo consegue indicar uma atmosfera mais favorável a chuvas acima da média e a eventos extremos, mas os episódios de chuva que causam as enchentes só podem ser identificados com precisão poucos dias antes.
A MetSul reforça que a relação entre El Niño e desastres não é linear nem automática. Além do Pacífico, outros fatores atmosféricos influenciam o resultado final, e cada episódio do fenômeno tem características próprias. Na história recente, grandes eventos de El Niño provocaram impactos importantes no Sul do Brasil, mas em proporções diferentes a cada ocorrência.
Como o fenômeno afeta todas as regiões do Brasil
No Norte e no Leste da Amazônia, o El Niño costuma reduzir as chuvas, deixando o período mais seco e quente, o que favorece queimadas e incêndios florestais. No Nordeste, a diminuição das precipitações pode agravar a seca, afetar o abastecimento de água e prejudicar a agricultura.
No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos costumam variar mais de um episódio para outro, mas o padrão mais comum é de temperaturas acima da média e maior frequência de calor intenso. No Sul do Brasil, por outro lado, o fenômeno tende a aumentar as chuvas, as tempestades e a frequência de eventos severos, com maior risco de ciclones, granizo, vendavais e até tornados.
Embora ainda não seja possível cravar a dimensão dos impactos, o retorno do El Niño já acende um alerta para o Sul do Brasil. O cenário exige monitoramento contínuo, porque a combinação entre calor, umidade e instabilidade atmosférica pode criar condições para novos episódios de chuva intensa e enchentes graves.