A cada dia que passa, fica iminente o anúncio oficial da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, de que o El Niño começou. Para meteorologistas da MetSul, o evento, que pode se tornar um dos mais poderosos da história moderna, já teve início, a partir da análise de indicadores oceânicos e atmosféricos.
O fenômeno climático ganha força com o aquecimento das águas superficiais da faixa equatorial do Pacífico mais a Leste, especialmente nos litorais do Peru e do Equador, onde ocorre o El Niño Costeiro e pode causar danos expressivos em ambos os países da América do Sul.
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Foto: NOAA
Segundo o meteorologista Luiz Nachtigall, o boletim da NOAA desta segunda-feira (8) informou que as anomalias de temperatura da superfície do mar pelo novo critério de monitoramento (Roni) são de +0,7°C na região Niño 3.4 (Pacífico Equatorial Centro-Leste) — usada oficialmente para designar se há El Niño ou La Niña — e de +1,7°C na região Niño 1+2 (junto ao Peru e Equador).
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O valor atual na região Niño 3.4, pelo novo sistema de monitoramento, o Roni, está no intervalo de El Niño fraco (+0,5°C a +0,9°C), sendo esta a quarta semana consecutiva em que esta parte do Pacífico apresenta anomalias condizentes com El Niño pelo novo índice relativo.
No entanto, pelo critério antigo, o Oni, as anomalias no mesmo local estão em +1,3°C e +2,1°C na costa dos países peruano e equatoriano. Pelo método antigo de monitoramento, esta é a oitava semana seguida em que o Pacifico Equatorial Centro-Leste está em patamar de El Niño.
Marca atual supera março de 2024
O meteorologista explica que a anomalia de +1,3°C é a mais alta na Região Niño 3.4 desde a segunda quinzena de março de 2024, no final do El Niño de 2023-2024. Já a anomalia de +2,1ºC na Região Niño 1+2 é a maior em terreno positivo desde novembro de 2023.
O sistema de monitoramento do Pacífico teve mudanças neste ano. Enquanto o Oni usava uma média fixa de 30 anos, o Roni faz uso de um sistema que leva em conta a temperatura dos oceanos na região tropical devido ao aquecimento global.
Para Nachtigall, o anúncio da NOAA pode ocorrer nos próximos dias ou, no máximo, na próxima semana. A avaliação foi feita em função da velocidade do aquecimento do Pacífico e a intensidade do El Niño em formação.
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Pico no segundo semestre, quando pode alcançar potência de Super El Niño
“O episódio de El Niño que agora começa será de forte intensidade e há uma muito alta probabilidade de que atinja intensidade muito forte, configurando um evento de Super El Niño no decorrer do segundo semestre deste ano, quando os efeitos do fenômeno serão mais sentidos no Brasil“, salienta o meteorologista.
Se as projeções se confirmarem, este El Niño de 2026-2027 não só será um dos mais intensos da história moderna, como rivalizará ou superará outros Super El Niño poderosos, como os registrados em 1982-1983 e 1997-1998.
“Entre março e junho, os modelos de clima apresentam menor confiabilidade quanto aos prognósticos para o Pacífico, a chamada barreira de previsibilidade do outono, mas os dados têm apresentado uma consistência em indicar um evento de El Niño de enorme intensidade a extremo, com alguns modelos intensificando ainda mais o fenômeno em suas projeções mensais atualizadas agora no começo de junho”, conclui.