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FENÔMENO CLIMÁTICO

Novo pulso de águas quentes potencializa chance de Super El Niño com intensificação nos próximos meses

Fenômeno climático já é forte e pode ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses, elevando o risco de chuva extrema no Sul do Brasil

Nadine Funck
Publicado em: 18/06/2026 às 11h:58 Última atualização: 18/06/2026 às 11h:59
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Uma nova fase de aquecimento vai reforçar significativamente o El Niño durante o inverno no Hemisfério Sul. Dados analisados pela MetSul Meteorologia apontam uma nova onda Kelvin – massa de água quente que se desloca em profundidade – no Pacífico Equatorial, com tendência a transportar grandes quantidades de calor das profundezas do oceano em direção ao Centro e ao Leste do oceano. 

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Aquecimento do Pacífico causado pelo El Niño em 16 de junho de 2026 | abc+



Aquecimento do Pacífico causado pelo El Niño em 16 de junho de 2026

Foto: NOAA/MetSul

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O fenômeno está em desenvolvimento, contudo, em momento em que o Pacífico já registra volume extraordinário de águas mais quentes do que o normal abaixo da superfície.

“A combinação entre esse enorme reservatório de calor e a chegada de um novo pulso de águas quentes aumenta o potencial para que o El Niño se intensifique ainda mais nos próximos meses e atinja intensidade muito forte, caracterizando um Super El Niño“, salienta o meteorologista Luiz Nachtigall.

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El Niño confirmado durante deslocamento de onda Kelvin anterior

O fenômeno foi anunciado oficialmente pela agência do clima dos Estados Unidos, a NOAA, no dia 11 de junho, justamente após a formação e evolução de uma massa de água quente submersa que começou a se deslocar pelo Pacífico no outono.

Agora, segundo o meteorologista, os dados de monitoramento indicam que um novo pulso de calor está se formando. Ele explica que recentes episódios de rajadas do chamado Estouro de Vento de Oeste sobre a faixa equatorial do Pacífico originaram esta onda Kelvin. 

Transporte de água quente

Isso ocorre porque os ventos sopram na direção oposta aos ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais quentes para a região da Indonésia e da Oceania. “Quando os ventos alísios enfraquecem ou são interrompidos por rajadas de vento de Oeste, parte da água quente acumulada no Pacífico Oeste começa a se deslocar para Leste em direção à América do Sul.”

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As ondas Kelvin transportam esse calor e funcionam como pulsos de energia capazes de atravessar rapidamente o Pacífico ao longo da linha do Equador nas profundezas do mar, antes de emergirem na superfície perto do continente. “Elas alteram a profundidade da camada quente do oceano e provocam mudanças no nível do mar, avançando silenciosamente por milhares de quilômetros”, pontua o meteorologista.

À medida que esse fenômeno avança, a onda Kelvin aprofunda a termoclina, região que separa as águas superficiais quentes das águas profundas mais frias, o que diminui a ressurgência de águas frias que normalmente ajuda a manter as temperaturas mais baixas no Pacífico Oriental.

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El Niño já é forte em diversos aspectos

O El Niño atual já apresenta características comparáveis aos maiores episódios da história recente. A temperatura da água está cerca de 2,7°C acima da média no Pacífico, próximo ao Peru e ao Equador. Essa marca se aproxima do registrado em 1997, quando atingiu 2,8°C, e passa de 2015, quando bateu 2°C no mesmo período. “Uma marca típica dos eventos mais intensos do fenômeno.”

Para Nachtigall, é ainda mais relevante a situação da região Niño 3.4, considerada a principal referência para medir a intensidade do El Niño e seus impactos globais. Nesta área, a anomalia já alcança cerca de 1,5°C pelo antigo sistema de monitoramento, o ONI, e 0,9°C pelo método novo, o RONI.

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Isso significa que o cenário atual supera com folga os valores observados no mesmo período de 1997, com 0,7°C, e de 2015, com 0,9°C, quando o ONI ainda era o monitoramento oficial.

“Em síntese, isso significa que o atual El Niño está mais avançado em seu desenvolvimento do que estavam os episódios históricos de 1997 e 2015 durante o mês de junho. O calor oceânico já se espalhou por uma extensa faixa do Pacífico, característica normalmente associada aos eventos mais fortes.”

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Sul do Brasil será a região mais impactada

O El Niño impacta o clima em todas as regiões do Brasil, com a diminuição da chuva ao Norte e um grande aumento da precipitação ao Sul, sendo esta última a região onde “os sinais são especialmente preocupantes“.

Historicamente, o fenômeno traz chuva extrema, influencia nas cheias de rios, enchentes e muitos temporais severos de vento e granizo. “Não é uma pergunta se haverá ou não enchentes, mas sim quantas e o tamanho“, ressalta Nachtigall.

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O período mais crítico para os estados do Sul será o segundo semestre, especialmente o fim do inverno, a primavera e o outono do próximo ano. Não se descartam, entretanto, eventos extremos no verão.

“Embora aumente o risco de uma nova catástrofe, o retorno do fenômeno com intensidade muito possivelmente maior que em 2023-2024 não significa que haverá uma repetição da enchente histórica de maio de 2024. Não há relação linear entre a intensidade do El Niño e a ocorrência ou magnitude de um desastre em determinada região. As grandes enchentes dependem da soma de diversos fatores atmosféricos em paralelo e que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo”, coloca o meteorologista.

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