O inverno vai começar oficialmente no próximo domingo (21) e pode ser marcado pela potência de um Super El Niño. A MetSul Meteorologia adverte que o fenômeno deve alcançar patamar intenso no trimestre de julho a setembro, considerando o método tradicional de monitoramento denominado Índice Oceânico Niño (Oni), que já registrou marcas excepcionalmente quentes nos últimos meses.
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Foto: NASA
“O atual episódio do fenômeno chama atenção ao apresentar níveis de aquecimento do Oceano Pacífico comparáveis aos observados durante alguns dos mais intensos eventos das últimas décadas“, salienta a meteorologista Estael Sias.
Marcas semelhantes a episódios históricos
Ela explica que dados recentes mostram que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial em junho de 2026 se equipara aos episódios históricos de 1997-1998 e 2015-2016, sendo estes considerados entre os mais fortes já observados.
Na costa do Peru e do Equador, a temperatura atinge mais de 2,7°C acima da média, valor praticamente igual ao registrado há 29 anos, quando estava em 2,8°C, e supera o observado há 11, em torno de 2°C na mesma época.
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Na região considerada a mais importante para definir a intensidade do fenômeno, conhecida como Niño 3.4, a anomalia alcançou cerca de 1,5°C acima da média pelo sistema Oni. Em comparativo, passa as marcas de ambos os episódios: em 1997, atingiu 0,7°C e, em 2015, 0,9°C – todos pelo monitoramento anterior.
Pelo novo sistema, o Roni, a anomalia atingiu 0,9°C na região. “Na prática, isso indica que o aquecimento não está concentrado apenas próximo à América do Sul. O calor oceânico já se espalhou por uma extensa faixa do Pacífico Equatorial, característica que costuma estar associada aos eventos mais fortes. E, no que é mais importante, os números sugerem que o atual El Niño está mais avançado em seu desenvolvimento do que estava nos episódios de 1997 e 2015 durante o mês de junho.”
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El Niño no inverno
Conforme Estael, após o fim da chamada barreira de previsibilidade do outono, período em que as previsões costumam ser menos confiáveis, os modelos passam a convergir “de forma impressionante para um cenário de forte aquecimento das águas do Pacífico Equatorial nos próximos meses”.
“O consenso entre os principais modelos climáticos internacionais indica que o El Niño de 2026-2027 pode atingir intensidade muito forte e até histórica“, afirma.
Fenômeno favorece deslocamento de águas mais quentes
As fortes rajadas de vento de Oeste sobre as águas do oceano favorecem o deslocamento de águas mais quentes para Leste, enquanto grandes volumes de calor se acumulam abaixo da superfície do mar.
Segundo a meteorologista, há possibilidade de novas ondas Kelvin nas próximas semanas, mecanismo que costuma acelerar o fortalecimento dos episódios de El Niño ao transportar calor adicional para a região Central e Leste do Pacífico.
Intensidade extraordinária
Por isso, Estael faz alerta de que, caso as projeções se confirmem, o mundo poderá enfrentar um Super El Niño, classificação usada para os eventos mais intensos já registrados. A MetSul considera altamente provável que esta condição seja alcançada no trimestre entre julho e setembro, com o pico do fenômeno ocorrendo no trimestre de outubro a dezembro.
“Não é possível afirmar se recordes históricos serão quebrados, mas o fenômeno se desenvolve em um planeta que já apresenta temperaturas globais sem precedentes. Por isso, um El Niño muito forte e com intensidade extraordinária entre o final de 2026 e o início de 2027 não é descartado.”