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DE OLHO NA METEOROLOGIA

Super El Niño "excepcional e histórico" pode atingir o pico em 2026; veja o impacto no Sul do País

Projeções apontam que fenômeno pode ser um dos mais fortes em 150 anos

Publicado em: 06/05/2026 às 10h:21
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“Excepcional, extremo e histórico”: é desta forma que os dados projetam que o El Niño, previsto para ocorrer nos próximos meses, deve ser.

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Projeções indicam que El Niño deve atingir o pico ainda em 2026, conforme MetSul | abc+



Projeções indicam que El Niño deve atingir o pico ainda em 2026, conforme MetSul

Foto: Nasa/MetSul/Reprodução

Os dados, analisados pela MetSul Meteorologia, são do modelo climático do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e foram atualizados na última sexta-feira (1º). As projeções reforçam o alerta de um El Niño excepcionalmente intenso.

O El Niño acontece quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região.

Conforme os dados, a anomalia de temperatura da superfície do mar pode atingir valores médios próximos de +3,2ºC até o fim de 2026, na chamada região Niño 3.4 (Pacífico Centro-Leste). Isso é acima dos +2,8ºC projetados anteriormente, em abril.

“Em praticamente todos os cenários do conjunto (ensemble) do modelo, as anomalias variam entre +2,0°C e +4,0°C no segundo semestre, o que caracteriza um evento de intensidade excepcional”, afirmam os meteorologistas.

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Potencial para superar Supel El Niños históricos

Tamanho aquecimento colocaria o evento, previsto para os próximos meses, no território de um dos mais intensos episódios de Supel El Niño da história. “Com potencial de rivalizar ou até superar eventos históricos”, diz a MetSul.

Para ter noção, o El Niño de 1997-1998, que é considerado um dos mais intensos já observados, chegou a +2,8ºC na região do Niño 3,4. Enquanto isso, o de 2015-2016 alcançou +2,7ºC.

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“Caso as projeções atuais se confirmem, o evento projetado pelo ECMWF poderá figurar entre os três mais fortes desde o século XIX”, reiteram os meteorologistas. Inclusive, alguns cenários estão sugerindo magnitude comparável a eventos extremos desde a década de 1870. “Ou seja, em 150 anos de dados.”

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Esse aumento na intensidade do El Niño, projetada pelo modelo de clima europeu, está ligado a uma maior transferência de calor para a superfície do oceano nas últimas semanas.

A MetSul afirma que, apesar do modelo ter limitações na simulação direta dos sinais subsazonais de vento, os efeitos acabam incorporados ao oceano ao longo do tempo, amplificando a resposta térmica.

Ainda, há expectativa de um novo episódio significativo de ventos de Oeste no Pacífico nos últimos dez dias de maio. Isso “pode reforçar ainda mais o aquecimento e sustentar a tendência de alta nas projeções”.

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Outras projeções também indicam El Niño excepcional

Outros modelos de clima também indicam que o El Niño será excepcional. Um deles é o norte-americano CFS da Agência de Tempo e Clima do governo dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

Ele projeta um evento extremo com aquecimento acima de 3ºC pelo sistema antigo, chamado de Oceanic Niño Index (ONI). Já o novo, o Relative Oceanic Niño Index (Roni), não mostra algo tão extremo, ainda que esteja no território de Super El Niño – quando é acima de 2ºC.

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Entre setembro e novembro, os membros do ensemble do CFS já mostram valores entre +2,5ºC e +3,5ºC, com alguns chegando perto ou até acima de +3,8ºC. Já entre junho e julho, indicam entre +1ºC e +2ºC, o que caracteriza um evento muito forte.

A média de todo o conjunto também acompanha a tendência, sugerindo um pico ao redor de +3,0ºC até 3,3ºC durante a primavera no Hemisfério Sul, onde está a maior parte do Brasil. “Esse nível coloca o evento solidamente dentro da categoria de Super El Niño, comparável aos maiores já registrados.”

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El Niño chega mais cedo neste ano

O El Niño pode chegar mais cedo. Conforme a análise da MetSul, a previsão é que ele se instale no Pacífico Equatorial já no final do outono deste ano, antes do período considerado o mais comum de formação, que é no segundo semestre.

O Pacífico está rapidamente indo para uma fase quente. “Os dados mostram rápido e intenso aquecimento tanto na superfície quanto abaixo dela, com desaparecimento das águas frias e expansão de áreas mais quentes”, explica.

Por conta desse aquecimento, a projeção da MetSul é que o El Niño já esteja plenamente estabelecido entre maio e junho deste ano, atingindo uma forte intensidade durante o inverno. A tendência é que ele tenha o pico no último trimestre de 2026, entre a primavera e o começo do verão, o que pode causar um grande impacto climático global.

O principal indicativo dessa rápida ida para a fase de aquecimento é uma enorme Onda Kelvin em profundidade. Ela é uma “gigantesca massa de água excepcionalmente aquecida” que está avançando de Oeste para Leste, na direção da América do Sul, ao longo da faixa equatorial.

A Onda Kelvin está entre 100 e 250 metros de profundidade e funciona como uma “poderosa fonte de energia térmica”, que deve emergir na superfície nas próximas semanas, reforçando o aquecimento. Com isso, deve se formar a “língua de águas quentes”, uma marca clássica de episódios de El Niño, segundo os meteorologistas.

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Como El Niño vai impactar o Sul do Brasil

Apesar de se estabelecer mais cedo, os impactos maiores do El Niño devem ser sentidos na segunda metade do ano. O período de maior risco para eventos extremos neste ano é o trimestre de setembro a novembro de 2026, conforme análise da MetSul.

No Sul do Brasil, o El Niño costuma aumentar as chuvas significativamente, com maior frequência de eventos extremos. Com a maior precipitação, o risco de cheias de rios e enchentes aumenta, principalmente no inverno e na primavera do primeiro ano do fenômeno e no outono do ano seguinte.

Os temporais também se tornam mais frequentes, assim como os ciclones, que pode ser intensos. Já as temperaturas tendem a ficar acima da média, apesar de eventuais incursões de frio, segundo os meteorologistas.

Em outras regiões do Brasil, o El Niño costuma causar:

• Norte: menos chuvas, especialmente em regiões da Amazônia. Por ser um período mais quente e seco, a propagação de queimadas e os incêndios florestais são favorecidos.
• Nordeste: redução acentuada das chuvas, levando a episódios de seca, comprometendo o abastecimento de água e causando prejuízos significativos à agricultura.
• Centro-Oeste: leve tendência de chuvas acima da média em alguns locais, acompanhadas de temperaturas mais altas. Episódios de calor intenso mais frequentes, principalmente no inverno e na primavera. Queimadas aumentam no Pantanal.
• Sudeste: aumento das temperaturas médias, períodos mais quentes que o normal e extremos de calor, sem padrão claro e consistente de mudança nas chuvas.

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