A concessão do Bloco 1 de rodovias voltou a ser debatida em evento no Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), em Porto Alegre. O projeto, apresentado em outubro de 2025 pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), vai sofrer alterações e o governador Eduardo Leite (PSD) antecipou algumas delas.
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Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
As modificações serão apresentadas oficialmente no prazo de 10 dias. No entanto, o governador falou sobre a retirada da RS-040 do Bloco 1, composto originalmente por nove rodovias (RS-010, RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474). Outra estrada que não fará mais parte da composição é a RS-466, conhecida como Estrada do Caracol, localizada em Canela, na Serra.
Já a RS-020, RS-235, RS-118 vão passar por mudanças. Assim como a RS-010, planejada para ser construída do zero, visando ligar os municípios de Porto Alegre e Sapiranga, no Vale do Sinos.
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Leite salientou que foram realizadas reuniões técnicas com municípios que compõem o bloco, com lideranças locais sendo ouvidas. Além disso, o Estado recebeu 185 contribuições formais durante as quatro audiências públicas realizadas no mês de novembro em Gramado, Taquara, Gravataí e Novo Hamburgo.
O local escolhido para a divulgação foi a terceira edição do Fórum de Debates Setcergs/Federasul. Para o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa, não existem alternativas para o desenvolvimento do Estado que não sejam as concessões. “Começamos divergentes do Bloco 1, mas sempre dispostos ao diálogo e as alterações avaliadas pelo Estado são positivas. Nossa posição [em relação ao Bloco 1] será definida até o dia 18 de março.”
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O mesmo ponto de vista é reforçado pelo presidente do Setcergs, Delmar Albarello. “O Rio Grande do Sul precisa avançar. A verba do Funrigs [Fundo Rio Grande] precisa ser utilizada no momento. Não podemos deixar com que interesses políticos retardem essa nossa oportunidade de melhoria. Não há investimento sem infraestrutura.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Mudanças anunciadas no Bloco 1
RS-040: Será retirada do Bloco 1, reduzindo o valor previsto no orçamento total do contrato. Duplicada apenas em Viamão, até o trecho da localidade de Águas Claras, a rodovia não receberá nova duplicação. Com a provável extinção da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), será administrada pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). O governador não descarta um pedágio comunitário para administrar a conservação da estrada.
RS-118: Será mantida no Bloco 1 ao menos até a conclusão das obras de duplicação de 15,8 quilômetros no trecho entre Gravataí e Viamão. Inicialmente programada para ocorrer entre o 9º e 10º ano de concessão, mas que pode ter o cronograma antecipado.
A rodovia não será pedagiada, com isso a manutenção permanecerá sendo responsabilidade do Estado. Após a finalização das duplicações, a estrada deixa de pertencer ao bloco, passando a ser 100% administrada pelo Daer, com possibilidade de ser concedida no futuro.
RS-020: Investimentos serão otimizados após revisão dos volumes de tráfego indicar essa possibilidade. A duplicação prevista após a Fazenda Fialho (KM 31,6) em Taquara até o trecho de São Francisco de Paula não será efetuada.
Atendendo a questões de segurança viária, serão implementadas terceiras faixas em 11 quilômetros (KM 51,3 ao KM 85) nos municípios de Taquara e São Francisco de Paula.
RS-235: Revisão dos volumes de tráfego indicou a possibilidade de otimizar os investimentos. Portanto, o trecho de Nova Petrópolis não será mais duplicado. Duplicações serão efetivadas apenas entre os KMs 30,6 e 32,8 (Gramado, nas proximidades do Laghetto Resort Golden), aém do segmento até o Santuário de Caravaggio.
RS-466: Rodovia será retirada da concessão. Popularmente conhecida como Estrada do Caracol, em Canela, a via passará a ser administrada pela prefeitura local.
RS-010: Foram apresentados dois caminhos possíveis para a Rodovia do Progresso. Estudos feitos pelo Daer apuram e estimam custos de implementação. Entretanto, são considerados iniciais, sem conseguir estimar exatamente o valor da construção da RS-010.
Um dos caminhos apontados pelo governador é prever a obrigação da futura concessionária em construir a rodovia e inserir parte destes custos nas tarifas do Bloco 1. Ou, chamar a empresa e prever que todos os projetos e licenciamentos sejam elaborados pela vencedora do leilão previsto para junho, e a partir disso, um reequilíbrio seria feito pelo Estado para sustentar a obra. “Não abrimos mão de fazer a RS-010. A rodovia tem capacidade de gerar muito desenvolvimento”, explicou.
RS-239: Novos viadutos serão previstos na rodovia, visando aumentar a segurança dos usuários.
Demais mudanças: Outras mudanças, relacionadas aos 23 pórticos free flow previstos para o Bloco 1, assim como valores e localizações, serão apresentadas em até 10 dias. O governador voltou a confirmar que o custo dos pedágios será reduzido, de R$ 0,21 para R$ 0,19 por quilômetro, o mesmo preço previsto no Bloco 2.