Representantes de quase 150 países e das principais organizações do mundo ligadas ao meio ambiente estarão em Belém, no coração da Amazônia, daqui a menos de duas semanas para discutir o futuro do planeta. A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) ocorre de 10 a 21 de novembro e vai debater novas metas de redução da poluição e de financiamento contra o aquecimento global.

Foto: Rafael Medelima/Divulgação
Lideranças e especialistas que estarão na COP 30 vão revisitar o Acordo de Paris, de 2015, e definir metas para 2035. A humanidade não foi capaz de conter o aquecimento global em 1,5 grau, frustrando a meta de dez anos atrás. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antônio Guterres, alerta que é imprescindível mudar de rumo. E com urgência.
“Vamos reconhecer nosso fracasso”, admitiu Guterres em entrevista no início desta semana. “Ultrapassar 1,5ºC tem consequências devastadoras. Algumas dessas consequências são pontos de inflexão, seja na Amazônia, na Groenlândia, na Antártida ocidental ou nos recifes de coral”, avisa. “Não queremos ver a Amazônia como uma savana. Mas este é um verdadeiro risco se não mudarmos de rumo e não reduzirmos drasticamente as emissões de gases de efeito estufa o mais rápido possível”, reforça.
A última década foi a mais quente de todas, desde que se tem registro. No entanto, nem um terço das nações (62 de 197 países) enviou seus planos de ação climática, conhecidos como contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) no âmbito do Acordo de Paris. Os Estados Unidos abandonaram o processo. A Europa prometeu, mas até agora não cumpriu. E a China não assumiu compromissos suficientes.
Clima e economia
Um dos caminhos para reverter o quadro está na integração entre a agenda climática e a economia, defende o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30. Ele também entende que é importante mudar a forma de tratar o assunto, de trágico para otimista e voltado a oportunidades. Para o embaixador, este deve ser um ponto central dos debates em Belém. “As consequências econômicas das mudanças do clima são cada vez mais conhecidas. Ao mesmo tempo, enfrentar esse desafio abre oportunidades para o crescimento econômico, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico”, salienta o presidente da COP 30.

Foto: Acervo pessoal
“Belém está diferente”, diz moradora da região
A gastróloga e criadora de conteúdo Amanda Arraes Richardson é natural de Belém e mora em São Leopoldo. Nos últimos dias ela voltou à cidade natal para visitar a família acompanhada do marido André e do filho Gael. “Belém está diferente. Há muita gente circulando, muitas obras acontecendo. É como se a cidade respirasse outro ritmo”, conta. Para Amanda, que cresceu na capital paraense, é emocionante ver “Belém cheia de movimento e se preparando para algo tão grande”.
Para ela, a COP 30 representa uma oportunidade sem precedentes para o Pará. “Espero que as melhorias fiquem, que as pessoas sintam orgulho do que está sendo feito e que o mundo veja a beleza e a força da nossa região”, afirma. “O mundo vai olhar pra cá e entender a importância da Amazônia para o planeta”, espera.
Uma das tantas novidades de Belém para a COP é a Blue Zone, estrutura provisória de 125 mil metros quadrados que será administrada pela ONU e vai abrigar as discussões centrais do evento. Serão 64 ambientes, todos climatizados e com decoração especial. A Blue Zone está localizada no Parque da Cidade, um dos pontos da capital paraense que recebeu melhorias. Cerca de 50 mil pessoas passarão pelo local nos dias mais movimentados.
O que você precisa saber
Para acompanhar o noticiário das próximas semanas, você precisa entender o que vai definir o sucesso ou o fracasso da COP 30:
Justiça climática: É o coração do debate. É um conceito que diz: os países ricos, que se desenvolveram poluindo o planeta por mais de um século (com suas indústrias), têm uma dívida histórica. Eles devem pagar a maior parte da conta da crise climática. E os países pobres e vulneráveis (que menos poluíram, mas são os que mais sofrem com secas, enchentes e furacões) devem receber apoio financeiro e tecnológico para se adaptar e crescer de forma limpa.
Transição energética justa: O mundo precisa reduzir o consumo de combustíveis fósseis, mas como fazer isso? A “transição energética” é essa mudança para fontes limpas, como solar e eólica. O “justa” é a parte difícil: como garantir que os milhões de trabalhadores de refinarias, postos de gasolina ou minas de carvão não fiquem desempregados? A transição não pode criar mais pobreza.
Fundo de perdas e danos: É o debate mais quente. Quando um furacão, intensificado pela mudança climática, destrói completamente um país-ilha no Caribe, quem paga pela reconstrução? Quando uma seca histórica na África destrói toda a colheita, o que acontece? O fundo de “perdas e danos” é para compensar perdas que já são irreversíveis. O debate é: quem bota dinheiro (e quanto) e quem pode receber?
Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs): É a “lição de casa” de cada país. É o documento oficial onde cada nação diz: “Eu me comprometo a reduzir minha poluição em X% até o ano Y”. A COP 30 de Belém é o prazo final para entregar as novas NDCs, ou seja, as metas para 2035. Se a soma dessas “lições de casa” for fraca, a meta de 1,5°C será oficialmente abandonada.
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