O El Niño pode provocar impactos intensos nos próximos meses. Segundo estimativa da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos, o fenômeno tem 81% de chance de atingir a categoria de muito forte entre outubro e dezembro deste ano.
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Foto: Reprodução
Caso a previsão se confirme, este poderá ser o El Niño mais intenso desde 1950, quando começaram as medições. Além de alterar o comportamento do clima, um fenômeno dessa magnitude aumenta o risco de eventos severos, como deslizamentos de terra, vendavais e queda de granizo, tornando ainda mais importante que a população conheça as orientações de segurança para cada tipo de ocorrência.
Deslizamentos
Os deslizamentos exigem atenção redobrada, principalmente em áreas com histórico desse tipo de ocorrência. Conhecer os pontos de risco da região onde mora ou circula, além das orientações previstas no Plano de Contingência do município, pode fazer diferença em situações de emergência.
No alerta amarelo (moderado), a recomendação é verificar se a área está sujeita ao risco de deslizamentos, acompanhar as informações oficiais e conhecer os procedimentos indicados pelas autoridades. No alerta laranja (alto), deve-se reduzir ao máximo a exposição aos temporais, buscar abrigo, avaliar deslocamentos e preparar um kit de emergência com documentos, água, medicamentos e itens essenciais.
Já no alerta vermelho (muito alto), qualquer sinal de instabilidade, como rachaduras em paredes ou no solo, inclinação de árvores ou postes, barulhos incomuns ou vibrações, deve ser tratado como emergência. Nesses casos, a orientação é deixar imediatamente o local e comunicar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros.
No alerta roxo (extremo), a recomendação é sair imediatamente das áreas de risco, permanecer em local seguro até a redução dos fenômenos, auxiliar pessoas com mobilidade reduzida ou em situação de vulnerabilidade e não retornar às áreas interditadas antes da liberação oficial.
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Vendavais
Durante episódios de ventos fortes, a principal recomendação é acompanhar os alertas oficiais e adotar medidas preventivas antes da chegada do temporal. Entre elas estão limpar calhas e ralos, verificar telhados e árvores e preparar um kit de emergência com documentos, roupas, água e medicamentos.
No alerta amarelo, é importante conferir as condições da residência e verificar se há risco para a região. Já no alerta laranja, a população deve permanecer abrigada, evitar exposição ao temporal e planejar cuidadosamente qualquer deslocamento, incluindo o local onde o veículo ficará estacionado.
Quando o alerta chega ao vermelho, a orientação é permanecer em local seguro até o fim do risco, manter-se informado e estar preparado para deixar áreas suscetíveis a alagamentos e outros perigos. No alerta roxo, deve-se sair imediatamente das áreas de risco, evitar transitar por locais alagados, não permanecer em áreas com risco de deslizamentos, seguir rigorosamente as orientações da Defesa Civil e somente retornar após autorização dos órgãos oficiais.
Granizo
Em casos de granizo, no alerta amarelo (moderado), a recomendação é verificar as condições de árvores, telhados e madeiramentos das residências, acompanhando constantemente as informações divulgadas pela Defesa Civil.
No alerta laranja (alto), a orientação é evitar sair de casa. Caso seja necessário, é importante verificar as condições dos trajetos, avaliar onde estacionar o veículo e, para moradores de áreas com histórico de alagamentos, consultar a Defesa Civil sobre a necessidade de deixar o local. Também é recomendado preparar um kit de emergência para uma eventual saída rápida.
Quando o alerta é vermelho (muito alto), a população deve buscar abrigo, permanecer em local seguro até o fim da situação de risco e estar pronta para deixar áreas vulneráveis, caso necessário. Já no alerta roxo (extremo), a recomendação é abandonar imediatamente as áreas de risco, permanecer em local seguro até o encerramento dos fenômenos e auxiliar pessoas com dificuldades de mobilidade ou em situação de vulnerabilidade.
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Perguntas e respostas para entender o El Niño e os impactos pelo mundo
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média e os ventos alísios, que sopram de leste para oeste, enfraquecem. Essa combinação altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do planeta. Os episódios costumam ocorrer, em média, a cada três a cinco anos.
Qual é a diferença entre El Niño e La Niña?
Os dois fenômenos são opostos. No El Niño, as águas do Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Já na La Niña, ocorre o resfriamento dessas águas, acompanhado pelo fortalecimento dos ventos alísios. Cada um provoca efeitos diferentes sobre o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do mundo.
Como o El Niño afeta o clima?
O aquecimento do Pacífico modifica a circulação da atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em vários continentes. Dependendo da região, pode provocar secas, chuvas acima da média, tempestades severas ou períodos de clima mais ameno.
Quais são os impactos do El Niño no Brasil?
Os efeitos variam conforme a região. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuva excessiva, enchentes e cheias de rios. Já no Nordeste, normalmente favorece períodos de estiagem e reduz os volumes de chuva.
O El Niño pode afetar a economia?
Sim. As mudanças no clima podem influenciar a produção agrícola, o abastecimento de alimentos, os preços de produtos, a ocorrência de incêndios florestais e até gerar impactos econômicos e sociais mais amplos. Em casos extremos, fenômenos climáticos podem agravar crises humanitárias e conflitos em diferentes partes do mundo.
O El Niño foi o responsável pela tragédia climática no Rio Grande do Sul em 2024?
O El Niño teve papel importante ao favorecer um cenário de chuva intensa, mas não foi o único responsável. A catástrofe ocorreu devido à combinação de diversos fatores atmosféricos e oceânicos que atuaram ao mesmo tempo, tornando aquele episódio excepcional.
Todo El Niño provoca enchentes como as de 2024?
Não. Cada episódio de El Niño tem características próprias e seus impactos variam de intensidade. Embora o fenômeno aumente o risco de chuva acima da média no Sul do Brasil, não é possível afirmar com antecedência que uma tragédia semelhante à de 2024 voltará a ocorrer, já que eventos extremos dependem da interação de diversos fatores climáticos.
De onde surgiu o nome “El Niño”?
O nome surgiu no século XIX entre pescadores da costa do Peru. Eles perceberam que, em alguns anos, uma corrente de águas mais quentes aparecia próximo ao Natal e reduzia a quantidade de peixes capturados. Em referência ao nascimento de Jesus Cristo, passaram a chamar o fenômeno de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”.