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MERCADO DE COMBUSTÍVEIS

Diesel a R$ 8 e gasolina acima dos R$ 7: Os impactos da guerra no Irã pelo Rio Grande do Sul

Governo federal intensifica monitoramento do mercado de combustíveis enquanto distribuidoras já repassam aumentos em alguns estados, mesmo sem reajuste nas refinarias

Dário Gonçalves
Publicado em: 11/03/2026 às 20h:46 Última atualização: 11/03/2026 às 20h:55
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A escalada das tensões no Oriente Médio acendeu um alerta no mercado internacional de energia e reflete nos preços de combustíveis por aqui. Além da falta de óleo diesel em meio à colheita no Estado, situação relatada por produtores ainda no final de semana, os preços começaram a disparar nas bombas. Em Porto Alegre, por exemplo, o diesel era vendido acima de R$ 8 o litro nesta quarta-feira (11).

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Em relação à gasolina, em algumas localidades do Estado, como em Bagé, na Campanha, há registros de valores a R$ 7,39 por litro. Em Encantado, no Vale do Taquari, o litro foi encontrado a R$ 7,29. Já em Novo Hamburgo, a reportagem percorreu postos na quarta-feira e encontrou a gasolina comum sendo vendida, em média, entre R$ 6,55 e R$ 6,59.

Em Novo Hamburgo, gasolina era vendida a R$ 6,55 nesta quarta (11) | abc+



Em Novo Hamburgo, gasolina era vendida a R$ 6,55 nesta quarta (11)

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O valor representa o segundo aumento em menos de uma semana. Até poucos dias atrás, o litro era comercializado por cerca de R$ 6,19. Na sequência, o preço subiu para R$ 6,39, patamar que ainda era encontrado em alguns estabelecimentos nesta quarta. Já o gás natural veicular (GNV) estava custando R$ 4,89 em Novo Hamburgo, enquanto o diesel variava entre R$ 6,69 e R$ 7,59, quase um real de diferença.
De acordo com o Sulpetro, que representa os postos, o GNV não tende a ter impacto no curto prazo em função da guerra entre EUA e Irã, uma vez que tem fonte boliviana, além de produção própria.

Governo quer explicações

Nos últimos dias, a Secretaria Nacional do Consumidor solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a análise de aumentos recentes nos preços de combustíveis registrados em quatro estados — entre eles o Rio Grande do Sul — e no Distrito Federal. A medida foi tomada após representantes de sindicatos do setor relatarem que distribuidoras estariam elevando os preços de venda para os postos sob a justificativa de alta no petróleo associada ao conflito.

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Até o momento, no entanto, a Petrobras não anunciou reajustes nos preços praticados em suas refinarias. Diante disso, o governo pediu que o Cade avalie se há indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado.
Demanda cresceu

No Rio Grande do Sul, o presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua, afirma que não há registro de desabastecimento de gasolina no Estado. Segundo ele, eventuais casos em postos são pontuais e não indicam um problema generalizado no mercado. “Se algum posto não estiver recebendo, é algo mais pontual. Em nível de mercado, não há informação de desabastecimento.”

Dal’Aqua explica que o cenário internacional tem gerado instabilidade no mercado de combustíveis e aumento da procura nos últimos dias. De acordo com ele, a demanda por gasolina cresceu cerca de 30%, tanto por consumidores receosos de falta quanto por postos tentando ampliar estoques diante da incerteza sobre preços.

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Petrobras vende diesel em leilão

Leilão de diesel realizado pela Petrobras, na quarta-feira (11), com o objetivo de reduzir problemas de abastecimento no Sul do País, em plena safra, vendeu o combustível a um preço R$ 1,80 acima do que a estatal comercializa nas suas refinarias, informaram ao Estadão, pessoas a par do assunto.

A Petrobras vendeu no leilão 20 mil metros cúbicos (o equivalente a 20 milhões de litros) de diesel para entrega a partir de 16 de março. O leilão atende a um pedido das chamadas TRRs (Transportadores-Revendedores-Retalhistas), que vendem diretamente a produtores rurais, indústrias e transportadoras e estavam preocupadas com o fornecimento, impactado pela guerra no Oriente Médio.

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Na véspera, o sindicato das TRRs informou que se reuniu com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para relatar as restrições que estão ocorrendo no fornecimento de diesel pelas distribuidoras às TRRs.

De acordo com uma fonte do setor que pediu anonimato, “não está faltando produto, mas houve reclamação das TRRs de que seus pedidos não estavam sendo atendidos pelas distribuidoras”.

“Tudo é política, porque a gente sabe que elas [distribuidoras] têm o diesel, mas não liberam e prejudicam um monte de gente”, observa o caminhoneiro Júlio Santarém.

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Já de acordo com a Petrobras, “a venda de produtos por meio de leilão é uma prática comercial prevista nos contratos firmados com as distribuidoras, com o objetivo de complementar a oferta regular ou a captura de oportunidades através da venda de volumes adicionais”.

A expectativa pelo reajuste do diesel nas refinarias da Petrobras, que há 310 dias não altera o preço do combustível, tem levado as distribuidoras a buscar um volume extra de diesel nas refinarias, mas a estatal adotou o sistema de “cota-dia”, que limita a retirada aos contratos já efetuados.

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Ministério de Minas monitora abastecimento

O Ministério de Minas e Energia criou uma sala de monitoramento do abastecimento para acompanhar diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis. A iniciativa busca identificar eventuais riscos ao fornecimento e avaliar impactos sobre os preços em razão do conflito no Oriente Médio, região que concentra cerca de 60% das reservas globais de petróleo.

Segundo o governo, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada. O país é exportador de petróleo bruto, mas importa parte dos derivados consumidos internamente, especialmente o diesel. Ainda assim, oscilações pressionam os preços.

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Países decidem liberar reservas de petróleo em meio à guerra no Irã

A coalizão de 32 países que forma a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo para tentar estabilizar o preço dos combustíveis.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, informou que a ação visa mitigar os impactos imediatos da interrupção nos mercados causados pela guerra no Irã. “[É] o maior volume de reservas emergenciais de petróleo da história da nossa agência. Os 400 milhões de barris de petróleo estão disponíveis no mercado para compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito [de Ormuz]”, afirmou Birol.

Apesar do anúncio, o valor do barril de petróleo Brent operava em alta de 4% na quarta-feira (11), cerca de 30% acima do preço antes da guerra. Os valores do barril vêm disparando por causa do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que foi uma retaliação às agressões dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra Teerã.

Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo ou derivados trafeguem pelo Estreito de Ormuz todo os dias, o que representa 25% de todo o comércio global de hidrocarbonetos.
Para a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, o total liberado tem efeito limitado no tempo. “Caso haja um prolongamento das tensões, os efeitos sobre o mercado de petróleo e gás global tendem a se aprofundar.”

*Com informação das agências Brasil e Estado

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