abc+

MAIS TRANQUILIDADE

"Eles fazem ameaças": Lojistas pedem reforço na segurança de Novo Hamburgo

Apesar da queda nos números, criminalidade preocupa comerciantes do Centro

Publicado em: 19/02/2025 às 21h:09 Última atualização: 19/02/2025 às 21h:10
Publicidade

A insegurança se tornou uma sombra sobre o comércio no Centro de Novo Hamburgo. Apesar da presença da Brigada Militar e da Guarda Municipal, que mantêm um ponto de policiamento na região, lojistas relatam aumento nos furtos e roubos e cobram mais presença de policiais a pé. Eles defendem o reforço do patrulhamento, como ocorreu em dezembro, durante as festividades de fim de ano, quando o fluxo de clientes cresce. Acreditam que essa medida ajudaria a afastar criminosos e garantir mais segurança aos consumidores.

Publicidade

VEJA TAMBÉM: Estudante de engenharia que tentou se formar na Ufrgs com suástica no rosto é morador de Novo Hamburgo

Lojistas possuem grupo no WhatsApp de policiamento comunitário | abc+



Lojistas possuem grupo no WhatsApp de policiamento comunitário

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Relatos de crimes reforçam a preocupação. Um caso marcante ocorreu em 31 de janeiro, quando uma jovem de 23 anos foi assaltada dentro de uma loja de cosméticos na Rua Joaquim Nabuco. Enquanto observava os produtos, foi abordada por um homem que exigiu seu celular e arrancou sua bolsa. Ela conseguiu fugir, mas perdeu cartões, documentos e dinheiro. O criminoso também levou dinheiro do caixa, um celular da loja e alguns produtos antes de escapar a pé.

Juliana Corrêa, vendedora de 47 anos, lembra que o homem mantinha uma das mãos na cintura, mas não foi possível saber se estava armado. “A gente vê essas situações em bairros, mas não imaginava que ocorreria no Centro”, destaca Juliana, que está no mesmo endereço comercial há cinco anos.

CONFIRA: O que se sabe sobre o desaparecimento de idoso após sair de casa em Sapiranga

Publicidade

Na Rua Magalhães Calvet, outros gerentes compartilham a mesma preocupação. Apesar de integrarem um grupo de WhatsApp de policiamento comunitário, eles defendem a presença de policiais a pé. “Seria interessante ter a presença de policiais a pé como no Natal. Eles [os ladrões] precisam ver alguma autoridade. Não adianta só passar de carro”, afirma a gerente de um bazar, que preferiu não se identificar.

Ela sugere medidas mais rigorosas. “No Natal, os policiais costumavam entrar nas lojas. Isso inibe bastante, porque só passar de carro não tem efeito”, reforça. Além disso, o custo de segurança privada é alto e não garante proteção total.

Cátia Oliveira, também gerente de um bazar, expressa seu receio. “Há furtos a todo momento, e as pessoas pedem dinheiro ou coisas na frente da loja. Quando tentamos explicar que não podem ficar ali, todos ficam inseguros, pois eles fazem ameaças”, relata.

Publicidade

LEIA AINDA: Construções irregulares são destruídas em Novo Hamburgo

Mesmo com câmeras de segurança, os furtos continuam. “Temos um grupo da polícia comunitária onde compartilhamos imagens dos ladrões. Um comerciante tenta proteger o outro. Identificou alguém, já manda a foto e descreve a pessoa. É uma maneira de nos protegermos aqui no Centro, ajudando uns aos outros”, ressalta.

Publicidade

Dados revelam queda nas ocorrências

O tenente-coronel Alexandro dos Santos Famoso, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar de Novo Hamburgo, afirma que, durante a Operação Papai Noel em dezembro, o reforço no policiamento reduziu significativamente os roubos a pedestres e estabelecimentos. Em janeiro e nos primeiros dez dias de fevereiro, os registros também caíram em relação ao mesmo período do ano passado: foram 225 crimes contra o comércio hamburguense, ante 157 em 2024.

ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP

Brigada Militar mantém equipe no Centro hamburguense | abc+



Brigada Militar mantém equipe no Centro hamburguense

Foto: BPM/Divulgação

Publicidade

Os crimes mais frequentes incluem perturbação, lesão corporal, danos materiais, desacordos, roubo a pedestres e furto qualificado. O tenente-coronel explica que as ocorrências são acompanhadas por meio do telefone 190, denúncias presenciais, registros online e outros canais. “Diariamente, monitoramos e analisamos essas ocorrências, ajustando nossas ações para atuar de forma preventiva ou repressiva”, detalha Famoso.

A corporação afirma que os indicadores criminais no comércio de Novo Hamburgo mostram queda em comparação com anos anteriores. “Isso demonstra que a percepção de aumento dos indicadores na área comercial de Novo Hamburgo, mormente a região central, não possuem fundamentação nos indicadores criminais, pois os dados são oriundos dos registros oficiais colhidos por ocorrência registrada. Sendo assim, Novo Hamburgo está, ano após ano, demonstrando que é uma cidade segura para a região comercial”, defende.

Publicidade

Iniciativas das autoridades

Para reforçar a segurança, a Prefeitura planeja ampliar o sistema de videomonitoramento e criar um canal exclusivo para contato com a Guarda Municipal (GM). A Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP) informou que já discute parcerias para instalar câmeras com reconhecimento facial e leitura de placas.

FIQUE POR DENTRO: Mais de 450 vagas estão disponíveis em agência de emprego de Novo Hamburgo; veja como se candidatar

Publicidade

Além disso, uma mudança operacional da GM reforça a segurança de moradores, comerciantes e visitantes do Centro de Novo Hamburgo e áreas próximas. O Grupamento Especializado em Segurança com Motos (Gescom) ampliou sua atuação na região central, passando a operar com duas equipes de três agentes cada, substituindo o modelo anterior, que contava com uma equipe composta por quatro motocicletas. A medida tem o objetivo de agilizar o patrulhamento e otimizar o atendimento de ocorrências.

Aproximação com os comerciantes

Apesar da queda nos índices criminais, a BM busca fortalecer a relação com os comerciantes. O tenente-coronel Famoso reforça que a corporação está aberta ao diálogo. “Vamos conversar com os comerciantes para estreitar ainda mais a atuação da Brigada Militar, já que não fomos procurados sobre essa problemática no Centro”, conclui.

CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Entidades comerciais estão vigilantes

Para Gerson Müller, presidente do Sindilojas Vale Germânico, há ausência de pedidos formais de empresários do Centro solicitando mais segurança. “A entidade colabora com o Consepro de Novo Hamburgo para realizar ações voltadas à segurança e busca parcerias com a Secretaria de Segurança Pública”, relata.

Já Leonardo Lessa, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), demonstra preocupação. “A situação impacta diretamente o comércio e gera sérios prejuízos. Estamos propondo um encontro com autoridades para discutir as reivindicações dos comerciantes”, afirma.

SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Lessa ressalta que a segurança tem sido tema recorrente desde o agravamento das reclamações no ano passado. “O momento é delicado para os lojistas e a questão da segurança torna tudo ainda mais complicado. O Centro da cidade continua sendo nosso principal polo comercial e é lamentável que a situação esteja se agravando, especialmente em relação aos moradores de rua”, conclui.

Publicidade