Prefeitos e representantes das 14 cidades que fazem parte da Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag) participaram, na manhã de quarta-feira (13), na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, de um encontro com a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, para apresentar demandas e cobrar agilidade na liberação de vagas de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Foto: Laura Rolim/GES-Especial
Arita anunciou que será lançado nos próximos dias um novo programa para melhorar a gestão, o financiamento e a oferta de serviços de saúde no Rio Grande do Sul, chamado de SUS Gaúcho. “Já tem algumas diretrizes, e ainda não vamos entrar em detalhes, pois terá um anúncio do nosso governador Eduardo Leite. Mas já temos algumas questões que são relevantes e que irão atender as dificuldades que vocês [os prefeitos] acenaram aqui com muita propriedade, porque vivem no cotidiano o pedido do munícipe”, destacou Arita.
Acordo
O investimento será de aproximadamente R$ 1 bilhão até o final de 2026, a partir da homologação de um acordo do governo do Estado com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Ainda em 2025, haverá o incremento de R$ 250 milhões, e os outros R$ 750 milhões até o final do ano que vem.
O critério do acordo será focado em trabalhar com as maiores filas, como oftalmologia, traumato-ortopedia, urologia, tanto de consulta, quanto de cirurgias. A área de urgência e emergência também será contemplada pelo novo programa.
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Incentivo
“Os municípios precisam ter equipe tendo ou não demanda para o serviço. Também queremos fazer um reforço de incentivo para as nossas maternidades. Pois, da mesma forma, a equipe precisa estar à disposição, tendo ou não gestante. Também vamos olhar para o transporte sanitário”, garantiu a secretária de Saúde.
Após a reunião, ficou definido que os diretores dos hospitais da região irão se reunir com a Coordenadoria Regional da Saúde para entender o que cada instituição pode ofertar nas áreas de especialidades e cirurgias. Depois disso, os representantes irão se reunir com a secretária Arita Bergmann novamente para discutir o que é possível ser ampliado em cada um dos hospitais.
Estimativa de 40 mil atendimentos represados
Em junho, o Grupo Sinos já havia noticiado que quase 40 mil atendimentos estão represados na região, sendo que o relatório aponta que as especialidades de neurologia, oftalmologia, otorrino, traumatologia/ ortopedia lideram a lista de espera, com quase 26 mil casos.

Foto: Laura Rolim/GES-Especial
Já em exames aguardando atendimento, o número de pacientes é de cerca de 14 mil, sendo que o número de ressonâncias magnéticas em espera é de quase 10 mil atendimentos e de mamografias mais de 2 mil. Nas especialidades, oftalmologista e otorrino são os atendimentos com maior fila de espera em cidades da região: 13,5 mil e 4,5 mil, respectivamente.
O atendimento emneurologia soma mais de 4 mil pessoas aguardando, sendo 1,3 mil crianças.
Reivindicações dos prefeitos da região
O encontro com Arita era aguardado desde junho, quando o levantamento regional feito pela Amvag havia sido encaminhado ao Estado com objetivo de debater a situação da saúde pública nos municípios e encontrar soluções.
O presidente da Amvag e prefeito de Lindolfo Collor, Gaspar Behne, destacou as cobranças recebidas pela população em relação aos atrasos em atendimentos pelo SUS. “Essa é uma reivindicação dos gestores junto com seus secretários para sabermos qual a previsão para orçamento para a saúde, tanto em cirurgias, que tem demorado até dois anos, quanto para as consultas”, disse.
A prefeita de Sapiranga, Carina Nath, reforçou que os municípios não têm dado conta de suprir a demanda, mesmo investindo recursos próprios para atender a população. “Os nossos municípios saem de uma fila e vão parar em outra”, pontuou.
Prefeito de São Leopoldo, Heliomar Franco chamou a atenção para as 2,2 mil pessoas que aguardam para cirurgia de catarata na cidade. “Estamos vendo que não estamos conseguindo alcançar nem o básico para as pessoas nos municípios, e isso nos assusta.”
O prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes, também expôs o drama que vive a cidade, mas ressaltou que é preciso exigir da bancada gaúcha mais recursos do tesouro federal para as prefeituras.
Resgate das especialidades
Como resposta às reivindicações dos prefeitos, além de apresentar os dados a nível estadual de atendimentos reprimidos na área da saúde, que, conforme revelado pela equipe do Estado somam mais de 392 mil pessoas na fila por uma consulta especializada, a secretária Arita Bergmann defendeu que os municípios resgatem serviços com potencial de serem atendidos na região, sem que dependam exclusivamente de Canoas.
“Temos que resgatar as especialidades que têm potencial de serem atendidas aqui. A neurologia, por exemplo, e se ela voltasse para São Leopoldo? A oncologia, em Novo Hamburgo? Esta região tem muito potencial e precisamos organizar e construir alternativas para ampliar e criar novas oportunidades aqui”, observou. Na visão da secretária, “houve um equívoco de gestores anteriores em colocar Canoas como referência para um terço do Estado, e as regiões ficaram dependentes”.