Houve um aumento exponencial dos registros de crimes sexuais contra crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul. E, por isso, o Estado criou o Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil (Nucope), que vai funcionar no Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Foto: Sofia Villela | ASCOM IGP
O objetivo é combater casos de pedofilia e ampliar a rede de proteção. O Nucope vai envolver uma equipe multidisciplinar que usará práticas como Informática e Genética Forense, além de Perícias Psíquicas, e será um aliado importante das forças de segurança pública para combater esse tipo de crime.
O primeiro DNA incluído no novo núcleo é o de Ramiro Gonzaga Barros, morador de Taquara e apontado pela Polícia como o maior predador sexual do RS. Preso desde janeiro deste ano, mais de 200 vítimas de Gonzaga já foram identificadas.
Aumento de casos
De acordo com o Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS), o aumento do registro desse tipo de caso motivou a criação do núcleo. A atuação será voltada a operações e locais de crime relacionados a agressões e abusos contra crianças e adolescentes. Assim, a ideia é oferecer uma resposta cada vez mais articulada e especializada.
“A criação do NUCOPE representa um avanço estratégico para o Instituto-Geral de Perícias e para toda a segurança pública do Rio Grande do Sul. A partir desta união de esforços multidisciplinares, estamos fortalecendo nossa capacidade técnica para enfrentar esses crimes tão graves, e que estão cada vez mais sofisticados, garantindo à sociedade uma resposta mais ágil, moderna e eficaz contra ameaças que afetam nossas crianças e adolescentes”, destacou o diretor-geral do IGP, Paulo da Cruz Barragan.
Informática e genética Forense
Um aliado crucial. Assim as forças de Segurança Pública do RS consideram a Informática Forense. Ela é a ferramenta por meio da qual o IGP consegue fornecer às autoridades provas digitais dos delitos cibernéticos – como arquivos, mensagens e registros de atividade online. Os profissionais que atuam nesta área trabalham diretamente na identificação dos criminosos e no rastreamento de suas ações, colaborando com as investigações e constatando a materialidade dos crimes.
Em casos de crimes como o armazenamento de mídias de abuso sexual infantojuvenil, por exemplo, para que uma prisão em flagrante ocorra é necessário que essa materialidade seja configurada ainda no local onde o mandado é realizado, e por isso o trabalho do perito neste momento é tão determinante.
Com o apoio de ferramentas tecnológicas avançadas, esses profissionais são capazes de cruzar dados e realizar análises que aceleram o processo investigativo, contribuindo desta forma com a criação de um ambiente digital mais seguro.
A perícia laboratorial de genética forense, por sua vez, atua especialmente em casos de abuso sexual, oferecendo exames que podem estabelecer a identidade dos agressores e outras informações cruciais para elucidar o crime – como a presença de vestígios em vestes, veículos ou nos locais onde ocorreram práticas delituosas. Quando somado à atuação da informática, o trabalho realizado no laboratório pode montar um escopo de provas ainda mais robusto, o que contribui diretamente com o trabalho realizado pelas demais forças de segurança e da Justiça, auxiliando no combate à criminalidade e na prevenção de novas ocorrências.
Perícia psíquica
O Nucope também usará a perícia psíquica, que se apresenta de forma fundamental no acolhimento das vítimas e na avaliação dos danos psicológicos provenientes do abuso. Por meio de técnicas consolidadas e que respeitam a complexidade de cada caso, os profissionais dessa área podem extrair elementos importantes do abuso a partir da memória e da avaliação do funcionamento mental da criança ou adolescente.
Os psiquiatras e psicólogos do IGP são capazes de avaliar os impactos psíquicos vividos pelas vítimas, analisando seu nexo causal com as circunstâncias que estão sendo investigadas. Desta forma, é possível oferecer ainda mais provas para a autoridade policial, além de permitir melhores estratégias de apoio e recuperação para as vítimas.
Por meio da união entre todas essas especialidades periciais, o Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil simboliza um passo importante na proteção das crianças e adolescentes, bem como na devida responsabilização dos criminosos.
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