A Expointer 2025 terminou com boas e más notícias. Por um lado, a 48ª edição teve o recorde absoluto de público na história da feira agrícola. Mais de 1 milhão de pessoas passaram pelo Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante os nove dias de evento. No total, foram 1,010 milhão de visitantes.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
No outro extremo da gangorra, o faturamento com a comercialização teve redução de 45,5% se comparado com a edição anterior, em 2024. “A queda foi devido a uma soma do que passamos: seca, cheias,tarifaço”, afirmou o titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti.
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Segundo Covatti, a redução na comercialização poderia ter sido evitada se medidas anunciadas pelo governo federal na sexta-feira (5) tivessem sido definidas antes. “O que foi oferecido deveria ter sido dado imediatamente por meio de uma medida provisória. A morosidade foi o que mais casou prejuízo ao agronegócio do Rio Grande do Sul”, completou.
O secretário afirmou que os produtores ficaram “desesperados e revoltados.” Após o anúncio, Covatti diz que espera ter tempo até a próxima Expointer, programada para ocorrer entre os dias 29 de agosto e 6 de setembro de 2026, para reestabelecer o setor. “Tudo que se investe em agricultura, tem retorno.”
Conforme o secretário da Agricultura, Edivilson Brum, outro ponto é o tarifaço dos Estados Unidos, já que setores fundamentais da economia gaúcha foram afetados. “Tivemos dois setores diretamente ligados ao agronegócio que acabaram atingidos: coureiro-calçadista e tabaco. Um tipo de tabaco é exportado especialmente para os EUA, não tem outro mercado para ser enviado.”
Recorde
Se as vendas tiveram uma redução significativa, o público deu show durante os nove dias de evento. Com mais dias de sol e temperaturas amenas, muitas famílias foram ao Parque de Exposições Assis Brasil, especialmente aos finais de semana. O casal de São Leopoldo, Athos Pedroso Gomes e Luana da Silva, levaram as filhas, Isís e Maille, de 6 e 4 anos, respectivamente.
“É um evento em que as crianças acabam conhecendo mais a cultura. A menor, de 4 anos, tinha mais medo, mas já se soltou.” A área dos animais foi a predileta da família. “Vejo como uma conexão importante de ter com os animais. É muita tecnologia e pouco contato com a natureza”, completa.
Máquinas e agricultura familiar
A diretora-executiva do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Ana Paula Werlang, salientou que não há crise no setor, mesmo com a redução nas vendas.
“Embora as vendas tenham diminuído, não significa que há recessão no setor. A Expointer é uma grande vitrine”, reitera.
Por outro lado, a agricultura familiar foi o grande sucesso da edição. “Agricultura familiar será a grande virada de chave, mesmo depois da crise. Fomos o governo que mais investiu no setor”, reforça Covatti.
O faturamento em 2025 foi de R$ 13,6 milhões, quase R$ 3 milhões a mais em relação ao faturado em 2024. No sábado (6), pela primeira vez na história, as vendas ultrapassaram a barreira dos R$ 2 milhões. Foram 456 agroindústrias participantes, de 196 municípios diferentes.