As três principais federações do Rio Grande do Sul entregaram no fim da tarde desta sexta-feira (27) ao governo do Estado um manifesto cobrando a adoção imediata do que chamam de “política estadual de desassoreamento sistemático e permanente dos rios e canais e construção, recuperação e manutenção contínua de diques e demais obras de contenção”.

Foto: Paulo Pires/GES
Assinado pelos presidentes da Federação das Indústrias (Fiergs), da Federação da Agricultura (Farsul) e da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio), o documento diz que os eventos climáticos extremos “exigem mudanças estruturais na forma como lidamos com nossos recursos hídricos”.
As entidades dizem que “antes mesmo da série recente de enchentes, o assoreamento dos rios já comprometia a navegação, a logística hidroviária e a segurança hídrica de diversos municípios” e que as cheias “agravaram esse cenário, acelerando o acúmulo de sedimentos, reduzindo a vazão e dificultando o escoamento natural das águas”. “Ao mesmo tempo, a ausência ou fragilidade de diques e sistemas de proteção aumentou a vulnerabilidade das cidades e do campo”, reforçam.
Para a Fiergs, Farsul e Fecomércio, “o desassoreamento, por si só, não é solução única para os desastres climáticos. Mas é parte essencial de qualquer estratégia séria e integrada de adaptação e prevenção, especialmente quando falamos da preservação de vidas, da retomada econômica e da segurança da infraestrutura urbana e rural”.
O manifesto defende que “reparar a capacidade dos rios de cumprir sua função mais básica — transportar água — é urgente. E é também estratégico: a economia precisa de rios navegáveis, rios vivos, rios desobstruídos”.
As entidades reconhecem os esforços do poder público “para enfrentar essa situação sem precedentes”, mas fazem um apelo “de forma respeitosa e construtiva, para que haja maior celeridade nos processos de contratação das empresas responsáveis pelo desassoreamento”.
A proposta é que o governo estadual inclua o desassoreamento de rios como política pública permanente; elabore planos técnicos regionalizados, com base científica e participação comunitária; priorize a construção e manutenção de diques e demais obras de contenção; mobilize recursos para obras e adote medidas administrativas que acelerem todas essas etapas.
O manifesto das federações é a segunda cobrança institucional que o governo gaúcho recebe somente nesta semana sobre a demora nas obras de proteção. O Ministério Público Federal (MPF) informou que já está fazendo um levantamento de necessidades e projetos das bacias do Sinos, Caí, Taquari e Jacuí para, depois, cobrar agilidade das ações por parte do governo estadual.
LEIA TAMBÉM