abc+

SAÚDE

Frio sobrecarrega hospitais e exige cuidados preventivos

Em alguns lugares, pacientes têm que esperar internação em macas na emergência. Prevenção ajuda a desafogar hospitais e unidades de saúde

Publicado em: 29/05/2025 às 06h:00
Publicidade

O inverno nem chegou, mas as baixas temperaturas deste outono já apontam para sinal vermelho na saúde: a superlotação em hospitais da rede pública no Estado. Na região, o Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH) faz parte deste quadro.

Publicidade

Segundo a Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), na quarta-feira (28), a casa de saúde estava sem vagas na internação e das 20 macas na emergência, três estavam ocupadas no início da tarde. “No primeiro trimestre deste ano, nossa lotação tem sido em média de 130%. Nos últimos dias chegamos a 150%”, aponta a coordenadora da enfermagem, Melissa Martin.

CONFIRA AINDA: Ciclone na costa do RS traz perigo para ressaca com ventos que podem passar de 100 km/h

Sem vagas na internação, pacientes precisam aguardar vagas em macas na emergência do Hospital Municipal | abc+



Sem vagas na internação, pacientes precisam aguardar vagas em macas na emergência do Hospital Municipal

Foto: Fundação Saúde Novo Hamburgo/Divulgação

A lotação ocorre desde a semana passada. Na sexta-feira (23), mais de dez pacientes aguardavam internação em macas. O HMNH informa que conseguiu acomodá-los, porém a lotação nas internações permaneceu. “Se ninguém mais internar, ainda assim estamos com lotação”, informa a FSNH, complementando que sem vagas na internação, a alternativa tem sido aguardar em macas nos corredores das UPAs e emergência.

Causas das internações

A maioria dos casos é de pacientes com sintomas gripais e resfriados. Porém, ainda há casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), problemas neurológicos e cardíacos. As doenças afetam diferentes faixas etárias, porém idosos e crianças sempre são os mais atingidos pelas enfermidades no frio.

Publicidade

“Vamos seguir com os atendimentos médicos nas UPAs e unidades de saúde, conscientizando as pessoas de que é preciso se cuidar e manter a imunidade do corpo forte para evitar as doenças”, recomenda a coordenadora da enfermagem do HMNH.

Reforçar o quadro

A FSNH informa que está tentando a contratação de mais funcionários para algumas áreas estratégicas, ampliando atendimentos nas UPAs com médicos extras nas segundas e terças, dias de maior movimentação, tomando medidas estratégicas como a alta precoce com acompanhamento do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD).

“Quando um paciente tem condições de alta, porém ainda precisa de antibióticos, o SAD faz o acompanhamento em casa, liberando o leito hospitalar daquele paciente”, esclarece Melissa, acrescentando que todas as ações são debatidas em parceria com a Secretaria da Saúde.

Publicidade

Dicas para o período de temperatura baixa

Para evitar resfriados e gripes, lavar sempre as mãos e usar álcool gel;
Manter uma dieta rica em vitamina C, encontrada em frutas cítricas, acerola, açaí, kiwi, morango, entre outros;
Evitar se expor a temperaturas baixas – a ideal para o funcionamento do organismo é de 22°C;
Evitar se expor à fumaça tóxica do cigarro, principalmente em locais fechados;
Apesar do frio, manter um nível adequado de hidratação – é fundamental para a fluidez das secreções respiratórias;
Evitar consumo excessivo de álcool;
Deixar a carteira de vacinação em dia, como a da Covid-19, lembrando sempre que os idosos e pessoas com doenças crônicas (asma, bronquite, problemas cardíacos e diabéticos) necessitam se vacinar contra o pneumococo;
Evite a automedicação, em especial com anti-inflamatórios (diclofenaco, ibuprofeno, nimesulida) e antibióticos. Em casos de dor ou febre alta, prefira sempre o paracetamol ou dipirona – caso não tenha alergias;
Falando em febre, cabe destacar que febre em idosos é considerada quando a temperatura estiver maior ou igual a 37,2° C em duas medidas;
Estar atento aos sinais de insuficiência cardíaca nos idosos nessa época: falta de ar, necessidade de mais travesseiros para dormir, crises de tosse e chiado no peito, perda de apetite, inchaço nos pés e aumento na pressão arterial são os sinais mais comuns;
Em idosos é preciso suspeitar que algo não esteja bem quando eles manifestam sintomas inespecíficos, como perda de apetite, alteração no estado mental, além de falta de ar, respiração ofegante e mais rápida (mais que 24 respirações por minuto). Sempre são situações que devem ser levadas a sério e um médico deve ser procurado o quanto antes.

Fonte: Leandro Minozzo

Publicidade

Idosos e crianças são mais vulneráveis

Professor do curso de Medicina da Universidade Feevale, Leandro Minozzo explica que o frio expõe os idosos ao risco aumentado das doenças respiratórias, como resfriado, gripe, rinite, sinusite, pneumonia, crise de asma e exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Além disso, outros problemas graves, que os acometem nessa época, são aqueles que colocam em risco a saúde cardiovascular: insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio (aumento em 30% em dias abaixo do 14ºC), derrame (AVC) e picos de hipertensão arterial.

Crianças também merecem atenção na estação mais fria. “Uma das doenças que mais aparece são os quadros de resfriados, gripes e uma doença comum, que é a bronquiolite”, alerta.

Publicidade

Vacinação em dia é importante

Melissa reforça a importância de manter a vacinação em dia. Além disso, ressalta que as pessoas busquem os postos de saúde nos primeiros sintomas e somente em caso de emergência se dirijam até as UPAs. “O hospital deve ser o último recurso em caso de muita urgência”, frisa. O Hospital Regina também reforça que a população priorize as medidas de prevenção, com a vacinação oferecida gratuitamente via SUS, a lavagem frequente de mãos e o uso de máscara em caso de sintomas gripais.

Situação em outros hospitais e cidades

Dois Irmãos

Publicidade

O Hospital São José não enfrenta superlotação. “A realidade do nosso hospital é mais tranquila do que outros da região. Estamos com demanda equalizada, mas temos indícios de aumento de consultas”, frisa o diretor técnico do hospital, Thiago Serafim. Ele complementa que, historicamente com a chegada do frio, aumenta entre 20% a 30% a procura por consultas e casos de internações por doenças respiratórias. Porém, reforça, até o momento essa demanda não se mostrou suficiente para o hospital acionar o plano de contingência, que é a adição na escala médica, contratação de médicos para plantão e, na falta de leitos clínicos, suspensão das cirurgias eletivas para oferta de leitos para pacientes clínicos.

Estância Velha

Publicidade

O Hospital Municipal Getúlio Vargas, em Estância Velha vem enfrentando um expressivo aumento na demanda. Atualmente, o hospital apresenta uma taxa de superlotação no Setor de Internação Clínica Adulto, com 36 pacientes adultos internados para um total de 30 leitos disponíveis. Como medida paliativa, os seis pacientes excedentes estão sendo acolhidos pela equipe da emergência.

A gestão está avaliando a possibilidade de abertura de leitos temporários e intensificando o dimensionamento da equipe multiprofissional, conforme as possibilidades do quadro funcional. Entre as soluções adotadas estão a realocação interna de profissionais, reforço na assistência de enfermagem, compra de medicamentos e insumos, ampliação do quantitativo do fornecimento de oxigênio e aumento na cobertura médica nos plantões de maior fluxo.

Com a previsão de queda acentuada das temperaturas nos próximos dias, a instituição manifesta preocupação com o agravamento de doenças respiratórias. Para mitigar os efeitos desse cenário, estão sendo desenvolvidas ações e entre elas o atendimento de doenças respiratórias das 17h às 22h, no Centro de especialidades, que atende adultos e crianças, além do monitoramento ativo da taxa de ocupação hospitalar.

Novo Hamburgo

No Hospital Regina, a chegada do frio resulta em aumento no número de atendimentos, porém, mesmo com a ocupação alta, a demanda segue dentro da capacidade de atendimento. Diante da alta demanda, o tempo de espera para atendimento na emergência tem sido elevado em vários momentos do dia.

A casa de saúde informa que, nos leitos de internação, a ocupação está alta especialmente de pacientes da pediatria (zero a 17 anos). A complexidade destas internações varia entre baixa e média, com grande demanda de patologias respiratórias. Não houve necessidade de transferência de pacientes para outro hospital por conta da alta ocupação.

Nos atendimentos de Urgência/Emergência, a demanda também segue bastante alta. Cerca de 60% das queixas são de sintomas respiratórios ligados à Influenza A (H1N1 e H3N2), Influenza B, asma e gripe comum. A prevalência tem sido entre adultos, de 31 a 40 anos, a maioria mulheres, e também entre as crianças de zero a 2 anos de idade. A maioria destes atendimentos é de classificação verde, ou seja, de casos pouco urgentes. A emergência do Hospital Regina trabalha com um sistema de triagem que prioriza o atendimento dos pacientes mais graves.

O Hospital da Unimed também confirma superlotação em leitos e emergência em função do aumento da demanda, especialmente por causa de doenças respiratórias. Houve ampliação das equipes médicas e da oferta de consultas.

Parobé

O diretor técnico do Hospital São Francisco de Assis, Leandro Dias Cezar, destaca que esses períodos de demanda extrema devido às mudanças bruscas do clima sempre são desafiadores. “Já passamos por vários períodos de sobrecarga do sistema de saúde e sempre procuramos garantir o melhor atendimento, mesmo nesses momentos de maior demanda”, frisa.

No hospital, o aumento ocorrido ainda está dentro da capacidade instalada, sem a necessidade de ativação de nenhum dos planos de contingência. “Já estamos organizados para atender os pacientes que nos procuram e com todos os planos de contingência prontos para proporcionar a melhor assistência aos pacientes”, frisa, referindo-se ao anúncio de queda da temperatura dos próximos dias.

Sapiranga

A principal unidade de saúde é a UPA 24H. Com o aumento do fluxo, o tempo de espera médio está em uma hora. A UPA tem capacidade para atendimentos secundários. Pacientes que necessitam de atendimentos hospitalares aguardam a liberação do leito e são encaminhados para o hospital de referência. São em média 350 a 400 atendimentos por dia, 90% são classificados como não urgentes. Segundo a prefeitura, há aumento do fluxo também nas unidades dos bairros pela mudança do clima, com o aumento das doenças respiratórias tanto em adulto quanto em criança, além de casos de dengue. As equipes estão orientadas sobre esse fluxo e para monitorar casos que possam ter agravamento de sintomas.

Publicidade