Vinte e um novos títulos acabam de entrar na disputa pelos Kikitos do 54º Festival de Cinema de Gramado com o anúncio dos filmes selecionados para as mostras competitivas de longas-metragens documentais, de longas-metragens gaúchos e de curtas-metragens brasileiros.
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Foto: Divulgação
A divulgação ocorreu na tarde desta quarta-feira (16), em coletiva de imprensa em São Paulo.
Transformação social
A curadoria dos longas-metragens brasileiros documentários é assinada pelas atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuario, selecionou obras vindas de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
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São elas: “Afrontosa” (SP), de Coraci Ruiz e Julio Matos; “Empeleitada” (PE), de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges; “Gonzaguinha, da Maior Liberdade” (RJ), de Susanna Lira; e “O Projeto” (SP), de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic.
“Trata-se de uma unidade de filmes que demonstra a potência do documentário, o espaço de reflexão, escuta e questionamento, com temáticas variadas e propostas desafiadoras”, comenta o curador Marcos Santuario.
Em “Afrontosa”, de São Paulo, os diretores Coraci Ruiz e Julio Matos apresentam Suzy Santos, trans, preta e periférica, que viveu anos nas ruas antes de encontrar na militância um caminho profissional e se reinventar como gestora e figura política. Ela se dedica ao cuidado de pessoas vulneráveis na conservadora cidade de Campinas. O filme é uma produção do Laboratório Cisco.
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Já “Empeleitada” representa Pernambuco e mostra a construção coletiva de uma casa de taipa para dar forma à memória e à história do povo indígena Xukuru. Uma morada que nasce diretamente da terra, da luta e dos encantados. O documentário é uma coprodução entre Símio Filmes, Ororubá Filmes, Fractais e Coquevídeo.
“Gonzaguinha, Da Maior Liberdade” (RJ), produção da Modo Operante, também integra a mostra. No longa, a premiada diretora Susanna Lira resgata em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de Luiz Gonzaga Jr., o Gonzaguinha, um dos artistas mais viscerais e importantes para a construção e a discussão popular da história democrática brasileira.
Produzido pela Gullane, “O Projeto” (SP), de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, propõe uma viagem investigativa sobre os desdobramentos do projeto colonial europeu e da supremacia branca no Sul e Norte global. O debate é conduzido através da vida e visão de uma diretora afro-brasileira e um diretor suíço, contando com depoimentos de nomes como Djamila Ribeiro, Erika Hilton e Grada Kilomba.
Identidade e memória popular
Os cinco filmes que vão compor a Mostra Competitiva Sedac Iecine de Longas-metragens Gaúchos do 54º Festival de Cinema de Gramado foram selecionados por uma comissão formada por: Leonardo Bomfim, programador; Luis Lomenha, escritor, roteirista, diretor e produtor; e Mônica Kanitz, jornalista. Os escolhidos revelam a pluralidade e a força do audiovisual do Rio Grande do Sul, com ficções e documentários.
Entre os longas está a ficção “A História Mais Triste do Mundo”, dirigida por Hique Montanari e produzida pela Container Filmes de Porto Alegre em coprodução com a Prana Filmes, que mistura live action, animação e teatro de bonecos para narrar uma jornada de amadurecimento infantil.
A programação conta também com “Remanente – Voltagem”, obra que mistura drama, terror e ficção-científica. O longa mostra dois paramédicos que ativam acidentalmente um portal dimensional e libertam uma criatura com poderes eletromagnéticos. O filme integrou as competições do Frightfest (Londres) e do Imagine Film Festival (Amsterdam), além de ter sido exibido no Fantaspoa e no 25º Macabro (México). Com direção e roteiro de Kapel Furman, a produção é de Helena Portini com distribuição internacional da Raven Banner.
Na lista de documentários, a mostra apresenta “Darcy Fagundes meu Famoso Pai Desconhecido”, com direção de Luciane Fagundes e produzido pela Século Vinte e Um Pesquisas e Informações, que mergulha na reconstrução afetiva da trajetória de um dos maiores nomes da rádio do Estado.
Também no gênero documental, está “Filhas da Lua”, dirigido por Tatiana Sager, que também assina a produção com Renato Nunes Dornelles. Com distribuição da Panda Filmes Ltda, a obra narra a trajetória de resiliência de quatro travestis que, após sobreviverem ao sistema prisional, buscam superar diversos obstáculos em busca de uma mudança de fase em suas vidas.
Fechando a seleção de documentários, “Morro da Cruz – Memória Popular” é dirigido por Crystom Afronário e produzido pela Justiça Poética em parceria com o Instituto Sociocultural do Morro da Cruz. O filme traz o olhar de moradores, estudantes e artistas sobre a construção da identidade cultural e a celebração da periferia de Porto Alegre.
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Curtas falam sobre narrativas urgentes
Doze produções de sete Estados diferentes integram a mostra competitiva de curtas-brasileiros do 54º Festival de Cinema de Gramado. Os finalistas foram selecionados por Alice Urbim, jornalista, produtora e diretora; Cavi Borges, diretor, produtor e distribuidor; Chico Izidro, jornalista, escritor e crítico de cinema; Danny Barbosa, atriz, roteirista, diretora e produtora; e Taty Behar, comunicóloga.
“A seleção foi um misto de desafio e prazer. Desafio porque era preciso escolher aproximadamente 10%, entre quase mil obras; prazer porque, ao exercitar a retina crítica, nos deparamos com uma diversidade que mostra caminhos novos para o cinema nacional. Nosso critério privilegiou, além da qualidade estética e do rigor técnico, filmes cujas narrativas tragam urgências de discurso e olhares sensíveis sobre temas que merecem ganhar espaço nas telas. Buscamos trabalhos que provoquem reflexões, ampliem perspectivas e deem vez a vozes pouco escutadas”, destaca a comissão de curadores.
Os filmes selecionados:
– “A Menina que Queria Ser Pedra” (MG), de Jackson Abacatu. 9’
– “As Gêmeas” (RJ), de Vanessa Aguiar. 11’
– “Divino: Sua Alma, Sua Lente” (MT), de Clea Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú. 20’
– “Fúrias” (RS), de Nica Maleoa. 18’
– “Graxa e o Zepelim” (PE), de Camilo Soares. 21’
– “Maior que a Casa Toda” (RO), de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti. 15’
– “Mulher Papaya” (SP), de Camila Tarifa. 19’
– “Pão Doce” (SP), de Wesley Gabriel Silva Santos. 17’
– “Pique-Pega” (RJ), de Mia Lima Rocha. 12’
– “Revelação” (RJ/SP/FR), de Gabriela I. Gaia. 17’
– “ (Shibal)” (SP), de João Rubio Rubinato. 20’
– “Um Passeio” (SP), de Thalles Cabral e Fernanda Rocha. 16’