O Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Manotaço celebra em 2025 os seus 70 anos. E para comemorar as sete décadas, preparou uma programação especial para o 45º Rodeio Crioulo Nacional e 3ª edição internacional. “Será o maior rodeio da história de Gramado”, afirma o patrão, Fernando Gusen.
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Foto: Bella Lente/CTG Manotaço
O evento deve movimentar a cidade e impactar positivamente a economia em mais de R$ 3 milhões. São esperadas, pelo menos, 12 mil pessoas. Mas a expectativa, com o tempo favorável, é que esse número possa ser ultrapassado.
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Tiro de laço, gineteada, bailes e provas artísticas estão previstas e ocorrem na sede campestre, localizada no bairro Mato Queimado, até o domingo, dia 9.
Neste ano, uma das novidades é a ampliação do evento, que, ao invés de iniciar-se na quinta, começou na quarta-feira, dia 5. “O objetivo de começar antes é porque nos últimos anos, principalmente por causa do Astros do Laço, o rodeio começava com as primeiras baterias, passava o dia, entrava à noite e ia até a madrugada. Então para não acontecer isso, começamos antes”, explica.
“Implantamos um camarote, que tem o melhor visual da cancha. Já na primeira manhã de programação vimos que deu muito certo e bem aceito pelo público. É um local com toldo, bebida, semelhante à arquibancada, mas mais próximo e com um conforto a mais”, conta Gusen.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Outra inovação regional trazida foi a colocação de um telão. “Temos dois telões, um onde exibimos os parceiros e patrocinadores, e outro que retransmite, tem um canal que faz a transmissão integral, de quarta a domingo, e todas disputas aparecem. E a gente reproduz ali e o laçador enxerga o desempenho”, revela Fernando Gusen.
Cuidados reforçados
A programação ocorre, em sua maioria, em locais abertos. O calor, por consequência, impacta não apenas nos competidores, mas nos animais. Com isso, a organização reforça os cuidados que são necessários para amenizar.
“Demos uma parada ao meio-dia na programação. Estamos numa semana quente, então a gente molha o gado, para dar uma refrescada, também sentimos eles, os cavalos. A cancha é molhada para não subir a poeira. O rodeio é um encontro de amigos, um momento de confraternização e é isso que queremos”, completa o patrão.
Astro do Laço atinge limite máximo de inscrições
São mais de 700 competidores que participarão do Rodeio de Gramado. O Astro do Laço, modalidade principal e que ocorre pelo quarto ano, foi criado para relacionar com a cidade. “A ideia vem do glamour de Gramado, foi criada essa grife, os narradores falam ‘o glamuroso de Gramado’.”
E para disputar, há limite de inscrições: são 300, que lutam pelos R$ 72 mil, divididos entre Força A, B, C e D. “E estamos atingindo os 300”, revela Fernando. Na Força A, 30 competem e o campeão receberá R$ 30 mil.

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Ao todo, durante o evento, serão distribuídos R$ 220 mil em premiações, incluindo o laço duplo, competição muito tradicional na cidade. “Estamos com inscrições acima do planejado, está superando as expectativas”, pontua o patrão do CTG.
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O parque, inclusive, está com os acampamentos lotados. São mais de 100 pessoas e de fora do Estado, os catarinenses vieram em peso. “O espaço está pequeno, o rodeio cresceu muito nos últimos anos e estamos usando praticamente toda a nossa área do parque e mais a da frente que locamos, são uns seis hectares ocupados”, frisa.
“O rodeio está pequeno para a atual área”
O rodeio já está pequeno para a atual área. A ideia do CTG Manotaço, ainda, é fazer uma permuta, conforme divulgado no ano passado pela reportagem. “Tem investidores interessados nessa área do CTG e o CTG está interessado em ir para uma área maior. Essa estrutura aqui já tem décadas, o salão teve as ampliações inauguradas em 2011, conforme foi aumentando o galpão. A cancha é de muito mais tempo do que isso. E antes de cada evento fazemos reforços, reparos. Mas cresceu demais aqui no Mato Queimado, queremos ir para um local mais distante, com menos vizinhança e onde possamos acolher todo mundo”, reitera o responsável.
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“A ideia é receber bem quem quer nos visitar. E quem vem, ainda visita uma cidade top no turismo nacional. Por isso que queremos fazer rodeios cada vez maiores”, finaliza.
Natural de Parobé, número 1 do laço irá competir
Thaian de Ávila tem 34 anos e é natural de Parobé. Quando questionado sobre o momento que começou a frequentar o mundo dos rodeios, é enfático: “há 34 anos, praticamente nasci dentro”.
Em Gramado para disputar a Força A do Astro do Laço, ele é considerado o número 1 do País. “Meu primeiro troféu eu ganhei com 2 anos, na vaca parada. E isso tudo vem da influência do meu pai, do meu avô, que laçavam. Vem de família”, conta.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Desde o primeiro ano que ocorreu o Astro do Laço, ele compete pela primeira colocação. “Tenho alguns títulos aqui dentro do parque. Gosto de vir todo ano, é pertinho. O Astro é diferente, é um pouco mais enxuto, tem inscrições limitadas e as pessoas vêm para conhecer, passear, ir comer nos restaurantes”, pontua o jovem. “Não é só de churrasco que a gente passa”, brinca.
“É uma paixão”
Thaian vê o laço não apenas como uma atividade profissional. “É uma paixão, é um vício. A pessoa que começa a laçar e aprende, se vicia naquilo. E vem de berço, desde sempre fiz isso, é um esporte, digamos assim, que iguala muito. Uma criança de 5 ou 8 anos consegue disputar com um adulto, uma pessoa de 30 anos, e até um veterano, de 60”, justifica.
Na carreira, acredita que já ganhou, entre conquistas individuais e em duplas, mais de 80 carros, 400 motos, tratores, caminhão, um veículo de luxo e premiações em dinheiro.
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Dos principais rodeios do Brasil, ele já foi vencedor. Para ele, o principal desafio no momento em que está laçando é com si próprio. “É eu comigo mesmo. Quando vou para uma final, nunca penso ‘estou disputando contra fulano’. Enquanto eu estiver acertando as minhas, eu estou na disputa. É treinar e estar concentrado no que estou fazendo.”
Futuro
Para Thaian, as premiações são complementares. O amor pelo laço e a responsabilidade de representar a modalidade para as novas gerações o dão alegria. Com uma filha pequena, espera que em breve possa a ensinar e que ela siga os seus passos.
“Eu cuido muito também como me comporto nos eventos, nas redes sociais. Existe toda uma geração que tem os melhores da modalidade como inspiração, então temos uma responsabilidade”, afirma. Sobre o futuro e uma possível aposentadoria, rebate. “Se Deus quiser, vou continuar no laço até o dia que Ele quiser me levar lá para cima.”