Ovos de diferentes tamanhos e sabores, coelhinhos e muito, mas muito chocolate. A Páscoa em Gramado é marcada pela comercialização da iguaria, que, na cidade, é feita de forma artesanal pelas fábricas e pelas mãos de trabalhadores que cuidam desde a elaboração da receita a partir do cacau até a embalagem e colocação de fitas e adesivos.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Durante os próximos dois meses, a venda de chocolates cresce para a Páscoa. O período é considerado o principal para o setor, que se prepara muitos meses antes – aliás, desde o fim do ano anterior, para esse feriado especial. E quem circula pelos estabelecimentos já encontra, inclusive, as novidades que as marcas escolheram para atrair os consumidores.
Conforme a Associação de Chocolateiros de Gramado (Achoco), a produção dos itens para a Páscoa deste ano iniciou ainda em novembro de 2025. “O setor está otimista. Como a safra do cacau foi boa, a tendência é de ter matéria-prima de qualidade. Esperamos um crescimento anual em torno de 15%. E, para apenas durante este período de Páscoa, de 20% em relação a 2025”, comenta o presidente da entidade, Fabiano Contini.
Produção e vendas
A Achoco espera produzir 850 toneladas de chocolate – 150 toneladas a mais do que no ano anterior. “E esperamos vender tudo”, afirma.
E não apenas este período deve ser bom para as fábricas e lojas de chocolate. O ano como um todo é muito esperado, visto que, nos últimos seis anos, os chocolateiros foram impactados por uma pandemia, pela catástrofe climática e pela própria crise do cacau.

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Atuação
“2026 deve ser um ano muito bom. Gramado e a região da Serra estão trabalhando forte para atrair turistas e inclusive internacionais. Algumas marcas estão realizando novos investimentos, com a expansão de franquias. Outras marcas se destacando com o IG [indicação geográfica] do produto. Cada uma com sua estratégia, mas acredito que todas numa crescente levando o nome de Gramado e do nosso chocolate para além das fronteiras”, explica Fabiano.
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Geração de empregos
São cerca de 3 mil pessoas empregadas nas 30 fábricas que ficam na cidade. Para este período, deve ocorrer um leve acréscimo na geração de vagas. “O investimento do setor ocorreu de forma mais forte em máquinas, no que é possível automatizar sem tirar o artesanal, o acabamento artesanal”, pontua o presidente da associação.
Produtos temáticos
Na Prawer Chocolates, houve um acréscimo de 15% no número de colaboradores. Entretanto, os empregos não são temporários, são fixos. A produção dos chocolates da Páscoa iniciou junto à finalização dos itens de Natal, em dezembro do ano passado.
“Como o grande volume são produtos mais temáticos, ovos, coelhos, temos uma produção mais detalhada, com muitos toques artesanais, mais demorada, o que requer uma janela de tempo maior”, explica o gerente de produção, Rafael Flores. Os itens devem ser fabricados até março. “Após, já tem que estar na cadeia de distribuição.”

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
Busca inicia até 18 meses antes
Conforme a engenheira de alimentos da marca, Natália Diehl, a busca inicia muito antes: entre 12 e 18 meses. “A gente faz pesquisa de tendência, o que tem de novidades no mercado, composições, até começar a fazer os testes, buscamos muito a complexidade das formulações”, diz.
A fábrica trabalha de segunda a sexta-feira. São 8h40 diariamente dedicadas à produção de chocolate. “Temos muitos detalhes de pinturas, no formato de letras. Temos a valorização do humano aqui, de botar a mão. Apesar do processo artesanal ser mais oneroso, o produto tem outro valor com o cuidado pelos detalhes”, coloca Rafael.
Para se ter noção do trabalho, alguns itens levam dias de fabricação. Enquanto a big trufa demora cinco dias, devido às camadas, a massa do chocolate caramelisè, premiada em Londres, leva em torno de 36 horas.
Crescimento e novidades
A Prawer Chocolates espera crescer em torno de 25% com a linha de Páscoa neste ano, se comparado com 2025. Enquanto os itens com chocolate mais puro na formulação tiveram sua fabricação iniciada antes, agora a fábrica trabalha em produtos com maior complexidade. “Quanto mais ingredientes, mais recheios, deixamos para produzir mais perto da Páscoa, para conservar o produto fresco e com uma sensorial incrível, que é o nosso objetivo”, pontua a engenheira de alimentos, Natália Diehl.
Tendências
A Achoco aposta no crescimento da linha zero açúcar e linha vegana. Isso vem de encontro a uma mudança de mercado, que vem se intensificando nos últimos anos, com o crescimento do wellness e bem-estar. Os cuidados com a vida fitness estarão em alta, por isso, as fábricas de Gramado também precisaram se adaptar à nova realidade.
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“Buscamos tendências em vários segmentos, de barras, chocolate zero, dark, e trouxemos isso para vários produtos da linha de Páscoa, que conta com mais de 30 itens”, revela Natália.
Mas cada marca, em sua campanha, geralmente, é norteada por um grande destaque. “Este ano estamos trazendo um destaque especial, que é inspirado num bombom que trouxemos durante a primavera, que segue uma tendência de limão siciliano, conta com um ganache e envolve o cítrico, amargo e doce”, justifica a engenheira de alimentos.