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MAIS DE 25 ANOS

Por que o pão com linguiça de Gramado faz tanto sucesso? Receita repassada há gerações foi criada no interior

Produto auxilia na geração de renda de famílias de produtores rurais, que conseguem permanecer no interior

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 25/05/2026 às 17h:47 Última atualização: 26/05/2026 às 09h:10
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Leva em torno de 30 minutos no forno, mas desde o processo inicial, são duas horas dedicadas. O pãozinho com linguiça se tornou um sucesso, principalmente, após a pandemia de Covid-19, quando ganhou fama nas redes sociais.

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Os fornos do Centro e Várzea Grande recebem milhares de turistas, que pagam R$ 8 para saborear e conhecer uma receita que foi criada há gerações pelas famílias do interior.

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Pão com linguiça assando nos fornos de Gramado



Pão com linguiça assando nos fornos de Gramado

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

E agora, esse produto pode ser reconhecido no município, como Patrimônio Cultural Imaterial.

“O pão é único. O pão com linguiça nasceu aqui, nas famílias rurais, foi aperfeiçoado e já é reconhecido pelas pessoas do Brasil inteiro. Só legalmente que ainda não, então esse processo que vamos trabalhar agora”, conta o presidente da associação do Centro, Gustavo Weber.

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“Reconhecer ele como patrimônio valoriza o que começou aqui”, completa a chefe do escritório da Emater Gramado, Janete Basso.

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Próximos passos

A partir de agora, as Secretarias da Cultura e Turismo do município farão entrevistas com os grupos pertencentes às associações.

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“O que será reconhecido será o modo de fazer, então como isso passou de geração para geração a receita, por que foi modificado. E isso gerará um documento e com base nele, um projeto de lei será feito para aprovação da Câmara. Mas isso à nível municipal, a tendência é que seja feito esse passo a passo também no Estado e à nível federal”, revela Janete.

Pão com linguiça é assado nos fornos coloniais, feitos pelos produtores do interior de Gramado



Pão com linguiça é assado nos fornos coloniais, feitos pelos produtores do interior de Gramado

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

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“Tendo esse reconhecimento é uma garantia para aqueles que iniciaram as primeiras fornadas há mais de 20 anos. E estamos garantindo a continuidade desse trabalho, que é tão bonito”, coloca o secretário da Agricultura, Eliézer Lima.

Produto turístico

Antes do sucesso, a palavra-chave foi organização. “A associação é muito bem estruturada. Tem presidente, diretoria, coordenadores de cada grupo, conselho de ética. São 12 grupos no Centro, por exemplo, e cinco nos fornos da Várzea. E o mais legal é que um grupo fiscaliza o outro. O produto é pesado, cortado para ver se está assado e recheado”, explica Eliézer.

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Hoje os fornos viraram um atrativo. “Cada grupo tem seu toque, conforme a cultura. É uma experiência, porque as pessoas chegam ali, é a fumaça saindo da chaminé, as pessoas amassando e preparando, conseguem ver a massa sendo feita. E o pulo do gato é verem enfornando e tirando. O cheiro de pão quente que nos remete a casa dos avós, fornece acolhimento”, relembra.

Na alta temporada, 40 mil ao mês

São mais de 25 anos produzindo os pães, desde 2014 no Centro de forma legalizada. Mais de 5 mil são feitos em um final de semana. Um levantamento da Emater revelou que chega-se a fazer 30 mil por mês, enquanto na alta temporada, o número sobe para 40 mil. Os dados são de 2025.

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“Mais do que um produto saboroso, quem visita está experimentando uma tradição e cultura do município. Está descobrindo a colônia de Gramado. E o turista quer ter esse contato com a formação do município”, pontua Janete.

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O sucesso trouxe mudanças nos processos. “Tivemos que nos adaptar, com as filas que se formam. Sabemos que estamos no caminho certo. A gente fica pensando em como nosso trabalho nos fornos é valorizado, é gratificante. Saber que uma pessoa fica aguardando para comprar”, diz Gustavo.

Da calabresa à linguiça

O pão com linguiça passou por algumas mudanças ao longo dos anos, mas nunca perdeu a característica tão marcante do colonial. “O pão começou como sovado, grande, para famílias. Mas nos fornos fomos vendo que a necessidade de um lanche, de um produto individual”, conta Gustavo.



“A massa também passou por transformação, antes a linguiça era enrolada junto, na hora de sovar. Agora é primeiro feita a massa, após o recheio, o pão é enrolado e aí forma o que é o produto atual”, justifica o presidente da associação do Várzea, Marialdo Pizetta.

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E antes da linguiça, há mais de 25 anos, o produto que era usado na verdade era a calabresa. “Na época, a minha comunidade da Linha Bonita éramos em quatro famílias, Rama, Berti, Cavichion e Benetti. Aí começou com uma colega a fazer o pão com calabresa e tempero verde. Com o passar do tempo, começamos a fazer o pão com linguiça, pois tinha uma agroindústria que fazia a linguiça”, recorda o produtor Davi Rama.

“Mudança radical na vida”

Davi conta como participar dos fornos mudou sua vida.

Davi Rama trabalha há mais de duas décadas nos fornos



Davi Rama trabalha há mais de duas décadas nos fornos

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

“A cada ano, eu dizia: ‘Vou na Festa da Colônia e construir uma estufa de morango com o que ganho na festa’. E eu consegui isso durante cinco anos. Quando veio a pandemia, perdi meu pai. E não acreditava em depressão, mas caí num buraco. E o que aconteceu, passei os morangos para meu filho mais velho, e continuei nos fornos. Me atrevo a dizer que consegui comprar um pedaço de terra na Linha Bonita, que é um lugar que eu amo, com os fornos. No sábado, participei do Desfile de Carretas com o Arthur, de 13 anos, e ele disse que quer trabalhar comigo. Consegui construir minha família e manter eles próximos de mim. A gente conseguiu ficar na colônia. O sucesso dos fornos foi uma mudança radical nas nossas vidas. E o pãozinho com linguiça nos proporcionou isso”, diz emocionado o produtor.

Receita passada por gerações, pão com linguiça deve se tornar patrimônio de Gramado
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