Gramado fortalecerá a sua rede de proteção com um abrigo temporário para mulheres. Em um passo decisivo para o enfrentamento da violência doméstica, a cidade se prepara para inaugurar a Casa de Passagem para Mulheres Susana Bertolucci.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
O projeto, vinculado ao Gabinete da Primeira-Dama, visa preencher uma lacuna crítica no acolhimento de mulheres que precisam deixar o ambiente de risco imediato, mas que não possuem rede de apoio.
O Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram) é o idealizador dessa iniciativa. Funcionando como uma porta de entrada para o suporte municipal, o centro oferece diversos serviços à comunidade feminina.
De forma inicial, acolhe as vítimas, com atendimento do contexto de violência e orientação sobre a Lei Maria da Penha. Ainda, realiza acompanhamento jurídico, com auxílio na elaboração de boletins de ocorrência e solicitação de medidas protetivas junto à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.
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O Cram também fornece apoio multidisciplinar, com atendimento psicológico e assistência social contínua.”Hoje, as mulheres que vêm em busca de um apoio são acolhidas, é feito o acolhimento dessas mulheres, a gente entende qual é o contexto, a situação dela”, explica a diretora do Gabinete da Primeira-Dama, Suzana Strassburger.
A inauguração da casa de passagem está prevista para o dia 10 de março. O local, que não terá o endereço revelado justamente para resguardar a segurança das vítimas, receberá mulheres e seus filhos por períodos desde 5 dias até 3 meses, que é o permitido em lei. A estrutura conta com três quartos, cozinha e áreas de convivência, sendo fruto de uma parceria entre o poder público e o setor privado.
Ideia nasceu há anos
Atualmente, o Município conta com uma parceria com o Instituto Santíssima Trindade. “Temos um aparato deles, onde a gente pode levar a mulher até lá e não tem custo, ela fica de cinco a sete dias, até 10 dias”, explica a diretora.
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A ideia da casa de abrigo de passagem vem sendo trabalhada há, pelo menos, cinco anos. “É uma causa que vem sendo batalhada e desde 2021 ficou mais acirrada, por conta da pandemia, das enchentes, o que deixou em segundo plano a proposta. Agora, a gente retomou com força total e vai ser inaugurado junto do Mês da Mulher”, pontua Suzana. O espaço seguirá as normas e os padrões previstos para moradia temporária.
Empreendimentos podem auxiliar com peças da casa
A casa foi adquirida pela Prefeitura de Gramado e passa por reformas desde janeiro. A mão de obra utilizada é da Secretaria de Obras do município. “Mas a gente está buscando recursos privados e parcerias com empresas. Conseguimos, por exemplo, as cerâmicas e o porcelanato com o pessoal do Rotary e segurança 24 horas com o Orbis Clube. Também estamos vendo com hotéis para que adotem um quarto”, pontua a diretora do Gabinete da Primeira-Dama.
Empreendimentos que tenham interesse em auxiliar na causa e na manutenção do local, podem ir diretamente na pasta, localizada na Rua São Pedro, número 85 – Centro de Gramado.
“É uma necessidade, infelizmente da cidade, com as agressões que cada vez mais crescem. Temos que estender as mãos. Será um abrigo de passagem, não moradia definitiva. Por isso, precisamos ter políticas públicas, parcerias. Criar normas, punições, para que sirva de exemplo aos agressores. E para que as mulheres depois possam voltar às suas casas, que é um direito”, coloca o prefeito, Nestor Tissot.
Lar de passagem ajudará a não voltar ao ciclo de violência
A ideia da casa de passagem é dar um passo a mais na proteção das mulheres e a se desvencilharem da necessidade de voltar para um ciclo violento.
“Acolhemos já com amparo, de fala, psicológico, encaminhamento, mas faltava onde se abrigarem, nesse momento em que não podem voltar para casa. E infelizmente a realidade é essa, quem teria que sair de casa é o agressor, e na verdade quem sai, é a mãe, os filhos, que vão para Delegacia de madrugada e não têm para onde ir. Aí elas voltam para o lar, e, novamente, para o sistema de agressão”, afirma a primeira-dama, Jandira Tissot.
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“Então a casa de passagem é para isso, para um momento temporário de acolhimento e aí já começamos a trabalhar o psicológico, a parte emocional para que ela saia desse ciclo vicioso de agressão. E nisso, também vamos às escolas, fortalecer os filhos, alertando que isso não é normal, não é certo e não pode ter sequência. Temos que trabalhar várias pontas, não apenas a mãe, mas a criança também”, finaliza Jandira.
Grupo reflexivo
A rede de proteção planeja dar um passo adiante ainda no primeiro semestre de 2026 com o lançamento do Grupo Reflexivo para Homens. Realizado em parceria com o Judiciário e o fórum, o objetivo é atuar na reeducação dos agressores para interromper o ciclo de violência na raiz.
“Está todo encaminhado, temos uma comissão inclusive que está já trabalhando. Junto com o Judiciário, com a Polícia, Brigada Militar, com o Comdim, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher do qual sou presidente, a gente está formando esse grupo, que vai acontecer no Fórum. Porque é importante ter esse contato, essa questão de agressão muitas vezes passa de geração em geração. Às vezes o homem age de uma forma que não sabe que é uma agressão, que é violência, porque ele cresceu assim, tinha isso na sua rotina em casa”, justifica Suzana.
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“Agride, agrada; agride, agrada”
O Cram atende, em média, de 40 a 50 mulheres, semanalmente, que já foram vítimas de agressão. “A gente hoje recebe boletins da DPPA, da Polícia Civil, da Brigada Militar, de todos os órgãos. E aí fazemos uma busca ativa com essa mulher, isso quando não temos que intervir junto”, coloca Suzana.
Ciclo
As agressões nem sempre são físicas: podem ser psicológicas, emocionais, verbais. “Muitas vezes, a maioria volta não por dependência financeira, mas porque depende emocionalmente daquele agressor. Porque esse agressor, ele tem um perfil desenhado, é narcisista, manipulador, ele segue aquele ciclo de violência: agride, agrada; agride, agrada. A mulher não consegue sair, porque ela gosta dele, se apega as boas lembranças. E quando o homem sente que vai perder, puxa de volta.”
Semana da Mulher
A partir de 2 de março, o Gabinete da Primeira-Dama fará uma grande programação pela Semana da Mulher, em referência ao 8 de março, data que se comemora o Dia Internacional da Mulher.
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“Vamos trazer uma equipe de Santa Catarina para fazer um curso com essas mulheres, para virar a mente, virar a chave, para elas se sentirem fortes e seguirem adiante. Não é um curso de empoderamento, é de cura de traumas. Uma psicopedagoga estará aqui todos os dias à tarde com a equipe dela”, revela Suzana.