O ano de 2024 foi de alerta e ampliação nos cuidados contra a dengue em Gramado. Foram 510 notificações nos 12 meses. Entre fevereiro e março do ano passado, o município registrou um pico de notificações e casos positivos da doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
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Foto: Divulgação
Instalação de ovitrampas, fumacê em locais infectados e constantes visitas às residências e locais estratégicos fizeram parte da rotina dos agentes de combate a endemias.
O resultado das ações se reflete, agora, neste primeiro mês do ano. Conforme a Vigilância Ambiental, houve uma redução de 80% no número de pessoas positivas. Enquanto que em 2024 foram 40, 2025 se inicia com dois e 29 suspeitos.
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“Quando há sintomas ou há confirmação, nossa equipe faz a Pesquisa Vetorial Especial. A gente faz uma varredura em um raio de 300 metros para verificar se achamos o foco. Por isso que diminuiu bastante a incidência”, explica o coordenador da Vigilância Ambiental, Clevison Gonçalves, que assumiu a divisão no início deste ano.
Focos
Neste ano, 32 amostras foram coletadas. Destas, quatro ovos deram positivo para dengue. Três delas eram do bairro Várzea Grande.
As coletas para análises são obtidas tanto através da visitação nas residências e empresas, quanto com os ovitrampas, que ficam instalados em todos os bairros de Gramado. Os aparelhos ficam cinco dias em cada local e, no total, são 87. “Somos em cinco agentes. Os ovitrampas nos auxiliam muito, instalamos na segunda-feira novamente. Tem pouco custo, mas um resultado muito efetivo”, justifica.
Durante 2024, a localidade da Várzea foi, disparado, a maior com notificações, com 29,6%. Em seguida, vem Floresta, com 10,4% e Centro e Piratini, com 8%.
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“E a gente sabe o porque da Várzea estar tão à frente. Pela elevação de temperatura descendo o planalto, e isso faz com que os ovos eclodam antes”, relata a coordenadora da Vigilância em Saúde, Flávia Oliveira.
A maior incidência, ainda, foi do sexo feminino, com idades entre 20 e 39 anos.
Continuidade
A queda do número de casos, contudo, não diminui o trabalho da equipe da Secretaria da Saúde. Muito pelo contrário. O aumento do calor, aliado aos temporais e pancadas de chuva de verão criam o clima perfeito para a proliferação da dengue.
A coordenadora Flávia alerta que a subida de positivos, em 2024, ocorreu nas semanas epidemiológicas dos meses de fevereiro e março. “No ano passado, nas primeiras semanas, também tínhamos estabilidade. Já da 4ª semana até a 9ª semana, tivemos um pico. Embora em 2024 tivemos mais casos no primeiro mês, o maior aumento foi entre fevereiro e início de março. Então, vamos abrir os olhos”, frisa Flávia.
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Ações contínuas são realizadas pelos agentes. “Permanecem sendo feitas as visitas sistemáticas de residências pelos agentes de combate a endemias, as vistorias a cada 15 dias em pontos estratégicos, que são 13, o que inclui oficinas, cemitérios, borracharias”, coloca Flávia.
A pasta solicita, ainda, que a comunidade auxilie no combate, evitando acúmulo de água parada.
Situação dos borrachudos
Apesar da diminuição da dengue, moradores de Gramado sentem o aumento de mosquitos, principalmente, de borrachudos, que têm hábito diurno. Conforme Flávia, o problema é maior. “É algo estadual, que ocorre após enchentes. Nós solicitamos a visita da 5ª Coordenadoria para fazer um levantamento do nosso índice de infestação. Ele esteve extremamente elevado em novembro, assim como no RS todo”, diz.
Conforme a diretora da Vigilância em Saúde, “com as enchentes, as prioridades foram outras, e a parte do borrachudo foi deixada de lado, pois a prioridade era dar abrigo, comida para as pessoas. E tudo e qualquer praga, palavras da Coordenadoria, se esquece dela, ela aflora”, frisa.
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Uma força-tarefa foi montada pela administração municipal, que envolveu não apenas a Saúde, mas outras secretarias. Desde o final do ano, riachos e córregos do município recebem aplicação de BTI, um larvicida biológico. Nos próximos dias, será iniciado o quinto ciclo de colocação – cada um ocorre a cada 15 dias. “A aplicação será mantida do larvicida durante todo o ano. Temos que colocar a cada 15 dias porque temos que atingir a fase de larva do mosquito. Não adianta aplicar ao louco, porque a gente aplica hoje e daqui 15 dias forma larva de novo”, reitera.
“O ciclo do borrachudo é de 14 a 21 dias. E ele, quando adulto, vive em torno de 30 dias. Eles se reproduzem em água corrente e limpa. Então, conforme vai diminuindo a larva, vai reduzindo a população do mosquito”, complementa Clevison.
Conforme a Secretaria, houve uma diminuição desde o mês de janeiro no número de notificações.
Dez minutos para fazer a diferença
“O que a gente pede: os 10 minutos semanais de vistoria no seu pátio. Se cada um conseguir fazer a sua parte, a união faz a força”, pontua Flávia.
O coordenador Clevison também pede que a comunidade auxilie no caso das piscinas pequenas. “As piscinas menores a população pode trocar a água. Aquelas já maiores, colocar cloro, fazer o tratamento da água, para que não seja um local de proliferação do mosquito transmissor”, solicita. “Não podemos relaxar, é preciso cuidar, evitar acúmulo de lixo e deixar objetos onda possa acumular água”, finaliza Flávia.